10 Maio 2021, Segunda-feira
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União dos Sindicatos relembra “luta dos operários conserveiros” em acto público

Momento assinalou a greve de 1911, que culminou na morte dos trabalhadores António Mendes e Mariana Torres

 

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A “luta dos operários conserveiros”, levada a cabo há precisamente 110 anos, foi relembrada no passado sábado, no Largo da Fonte Nova, num acto público organizado pela União dos Sindicatos de Setúbal/CGTP-IN, em conjunto com a União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP).

O encontro, agendado para o mesmo dia em que se assinalou o aniversário da morte de António Mendes e de Mariana Torres, “jovens conserveiros assassinados a 13 de Março de 1911” enquanto lutavam “na Avenida Luísa Todi por aumento de salários”, ficou marcado pela intervenção de Luís Leitão, coordenador da União de Sindicatos de Setúbal, de Pedro Soares, representante da delegação de Setúbal da URAP, e do actor Fernando Casaca.

No mesmo mês em que se assinalou o Dia Internacional da Mulher, Luís Leitão contextualizou o momento histórico, “que ficou conhecido pelos fuzilamentos de Setúbal”, descrevendo “o testemunho de uma operária conserveira dado a 26 de Fevereiro de 1911”, que conta “as condições que não tinham as mulheres”.

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“Somos obrigadas a levantar-nos da cama a qualquer hora, isto é, quando ao industrial apetece, para trabalhar dez e onze horas. Temos de efectuar tarefas que não são da nossa competência. Ganhamos menos e temos mais horas de trabalho do que os nossos camaradas. Estamos fartas. Preferimos morrer, mas não ceder, porque depois ainda pior nos faria”, relatou.

Foram estas as “condições de trabalho que levaram a que se desenvolvesse a greve onde se reclamava mais salário. Após vários dias de greve, é chamada a recém-formada GNR para terminar o conflito, dando origem à morte dos dois jovens operários da fábrica de conservas Costa & Carvalho”, acrescentou.

Já Pedro Soares, perante um público de doze pessoas, caracterizou o momento de 1911 como “dramático”. “Na fábrica, as mulheres eram ‘pau para toda a obra’. Tinham salários de miséria, quando recebiam, e, em muitas fábricas, nem relógios havia para não contarem o tempo”, afirmou.

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“Estamos no Largo da Fonte Nova, bairro cuja população foi em grande parte assalariada na indústria conserveira. Foram 140 anos, 420 fábricas, 613 marcas de 97 fabricantes. Em 1919, no auge da sua importância, haviam 132 fábricas. A presença das chaminés de fábricas pela cidade é por todos os setubalenses reconhecida como um bilhete de identidade”, deu a conhecer.

Por sua vez, na sua intervenção, Fernando Casaca apresentou “um texto que retrata este momento, publicado nesse mesmo mês”. “Estes acontecimentos foram decisivos até para a organização de um movimento operário. O texto chama-se “Os Assassinatos de Setúbal”. São excertos de um artigo que, na minha opinião, revela muito do sentir da época”, explicou.

Em seguida, revelou: “As últimas ilusões caíram, varadas pelas balas da Guarda Republicana na Avenida Luísa Todi. Tinha de ser. Era fatal. Se alguma coisa há a estranhar, são os assassinatos de um rapaz e de uma mulher. Ele a reclamar pão. Ela a exigir que não a prostituíssem”.

A encerrar o acto público estiveram Fernando Pais, do Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, e Lúcia Silva, do Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas, que depositaram dois cravos na estátua instalada no Largo da Fonte Nova, em 2016, em homenagem a Mariana Torres.

“A morte destes dois jovens já mais será esquecida, porque a cada luta que se desenvolve pelo aumento do salário, pela redução do horário de trabalho e por melhores condições de vida, está lá a marca de António Mendes e de Mariana Torres”, concluiu Luís Leitão.

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