8 Maio 2021, Sábado
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Cientista almadense Elvira Fortunato vence Prémio Pessoa 2020

A investigadora já foi elogiada pelo Presidente da República, primeiro-ministro, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e pela presidente da Faculdade de Ciências e Tecnologia. O vice-presidente da Câmara de Almada já veio dizer que Elvira Fortunato estará a caminho do Prémio Nobel da Física

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A investigadora Elvira Fortunato venceu o Prémio Pessoa 2020, anunciou hoje o júri, numa transmissão online.

A almadense Elvira Fortunato, 56 anos, que desenvolveu o transístor de papel, é distinguida por “uma carreira de excepcional projecção, dentro e fora do país” e pelo “contributo notável para o desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação português”, afirmou Francisco Pinto Balsemão, que preside ao júri do Prémio Pessoa.

Para o júri, “a ciência e a inovação são sinónimos da carreira de Elvira Fortunato”, sublinhando o “trabalho pioneiro na área da electrónica transparente, usando materiais sustentáveis e com processamento completo à temperatura ambiente, e de grande impacto na indústria electrónica mundial”.

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Cientista, professora catedrática e vice-reitora da Universidade Nova de Lisboa, Elvira Fortunato é especialista em Microelectrónica e Optoelectrónica. Uma das inovações pela qual se destaca é a do transístor de papel.

“A ideia de usar o papel como um ‘material electrónico’ abriu portas, em 2016, para futuras aplicações em produtos farmacêuticos, embalagens inteligentes ou microchips recicláveis, ou até páginas de jornal ou revistas com imagens em movimento”, relembra o júri.

O Prémio Pessoa, no valor de 60 mil euros, é uma iniciativa do semanário Expresso e da Caixa Geral de Depósitos, e visa reconhecer a actividade de pessoas portuguesas com papel significativo na vida cultural e científica do país.

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O júri deste ano foi composto por Francisco Pinto Balsemão (presidente), Emílio Rui Vilar (vice-presidente), Ana Pinho, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, Eduardo Souto de Moura, José Luís Porfírio, Maria Manuel Mota, Pedro Norton, Rui Magalhães Baião, Rui Vieira Nery e Viriato Soromenho-Marques.

A cientista Elvira Fortunato já foi felicitada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que considerou este prémio como “um reconhecimento merecido”.

“O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa congratula calorosamente a professora doutora Elvira Fortunato pelo Prémio Pessoa 2020, um reconhecimento merecido pela importância do seu trabalho na área da electrónica flexível, com grande impacto na indústria mundial e que demonstra uma preocupação ambiental pelo uso de materiais ecossustentáveis, recicláveis e de baixo custo”, lê-se em nota publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet.

Nesta mensagem, o chefe de Estado elogia Elvira Fortunato pela sua “excelência a nível científico e de inovação” e destaca os “inúmeros prémios e distinções a nível internacional” atribuídos à cientista portuguesa, “pioneira na área de electrónica flexível, em particular nos transístores de papel”.

“Em 2015 foi nomeada presidente da comissão organizadora das comemorações do Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas, e é desde Junho de 2016, por nomeação do Presidente da República, membro do Conselho das Ordens Nacionais portuguesas. Foi-lhe atribuído o grau de grande-oficial da Ordem do Infante D. Henrique em 2010”, assinala-se na mesma nota.

Também o primeiro-ministro, António Costa, já veio dizer que a atribuição do Prémio Pessoa 2020 à investigadora Elvira Fortunato distingue o seu trabalho inovador na área das tecnologias sustentáveis e constitui um sinal da centralidade da ciência como motor de desenvolvimento.

“A atribuição do Prémio Pessoa a Elvira Fortunato é mais um reconhecimento do seu trabalho inovador em investigação de tecnologias sustentáveis e da sua notável capacidade empreendedora”, escreveu António Costa na sua conta pessoal na rede social Twitter.

Na mesma mensagem, defende que a escolha do júri do Prémio Pessoa “é também um importante sinal da centralidade da ciência como motor de desenvolvimento nacional”.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, já se referiu, também hoje, a Elvira Fortunato como um “exemplo para todas as jovens, sobre o papel das mulheres na ciência e no avanço das ciências e tecnologias dos materiais”, sublinhou numa reacção enviada à agência Lusa.

Por sua vez presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), Helena Pereira, destacou que a atribuição do Prémio Pessoa a Elvira Fortunato é o reconhecimento do “trabalho e sucesso científicos” e da “criação de conhecimento”.

“Estou muito contente”, expressou Helena Pereira à Lusa, salientando que a investigadora Elvira Fortunato e a sua equipa são “parte importante do sistema científico nacional que a FCT tem financiado”.

Quem também já se manifestou sobre a atribuição do Prémio Pessoa 2020 à investigadora foi o vice-presidente da Câmara de Almada, João Couvaneiro. “Estou certo que, em breve, Almada terá uma galardoada com o Prémio Nobel da Física! A Professora Doutora Elvira Fortunato merece!”, escreveu na sua página de Facebook.

O anúncio do Prémio Pessoa 2020 deveria ter acontecido em Dezembro, mas foi adiado para hoje, por causa da pandemia da covid-19.

Entre os vários galardoados com este prémio, desde que foi instituído, em 1987, contam-se personalidades como José Mattoso, António Ramos Rosa, Maria João Pires, Menez, António e Hanna Damásio, Herberto Helder (que o recusou), Vasco Graça Moura, João Lobo Antunes, José Cardoso Pires, Eduardo Souto Moura, João Bénard da Costa, Sobrinho Simões, Mário Cláudio, Luís Miguel Cintra, Maria do Carmo Fonseca, Eduardo Lourenço, Maria Manuel Mota, Richard Zenith, Manuel Aires Mateus, Rui Chafes, Frederico Lourenço e Tiago Rodrigues.

Com Lusa

 

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