10 Maio 2021, Segunda-feira
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“As listas do PS vão ser uma surpresa pela quantidade de independentes e mulheres”

Líder do PS Barreiro revela que o partido vai recandidatar todos os cabeças-de-lista. A maior surpresa é o convite a Naciolinda Silvestre para Coina

 

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O responsável pelo PS Barreiro faz um balanço da gestão dos eleitos do partido e aponta desafios para um novo mandato. Fala da sua experiência, nos últimos seis anos, enquanto deputado na Assembleia da República e desvenda pormenores sobre os cabeças-de-lista às próximas eleições Autárquicas.

Que balanço faz do trabalho do PS à frente das autarquias do Barreiro?

Nos últimos três anos e meio, foram introduzidas alterações profundas na gestão do concelho, na Câmara, na Assembleia Municipal e nas juntas de freguesia, com um grande foco na acção. O Barreiro dedicava-se muito a reflexões, que são importantes, mas a concretização era algo que o município precisava e essa é a maior marca distintiva. O fazer, integrado numa estratégia que crie emprego, resolva problemas antigos – e são muitos os que já foram resolvidos –, sobretudo aos níveis do planeamento, mobilidade, águas e saneamento e dos Transportes Colectivos, onde tivemos uma grande revolução em termos de funcionamento, e na relação com as forças policiais, bombeiros, movimento associativo e IPSS.

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Além de muita obra, com o reforçar da nossa ligação a todas estas entidades vivas da sociedade civil, este é um mandato que fica também marcado pela enorme resposta que foi dada à crise pandémica. E não somos só nós que o dizemos. Foram muitas as respostas sociais que foram desenhadas e o apoio prestado e é mesmo o Tribunal de Contas que vem demonstrar que o Barreiro foi uma das autarquias que mais se empenhou no combate à pandemia e foi também uma das que maior esforço financeiro fez.

Fizemos os possíveis e os impossíveis para que, quem estava neste combate, tivesse as armas de que precisava, sendo este um traço que ficará marcado na história deste mandato, porque quando alguns questionam se devemos fazer obra ou responder à pandemia, provámos que, mesmo com dificuldades, é sempre possível. Os funcionários dos TCB, por exemplo, abrandaram, mas nunca pararam, sendo o transporte colectivo igualmente um elemento distintivo.

E houve perda de receita…

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Além da muita despesa que foi feita, houve também receita que deixou de ser cobrada, porque ao isentarmos taxas, tarifas e licenças, são centenas de milhares de euros que deixam de entrar na autarquia e tudo isto só foi possível com muita persistência, rigor financeiro e com um foco grande no que era possível fazer.

Sentimos na rua um grande afecto por parte das pessoas, que têm uma grande proximidade com os nossos executivos, algo que também cultivámos. A participação é mais eficaz ao estarmos olhos nos olhos, a falar com os barreirenses e a ouvirmos as suas sugestões, elogios ou críticas, num tom de reconhecimento pelo que temos feito. O trabalho mede-se com base na obra toda que foi feita, mas também na necessidade que teremos agora de relançar a economia.

Que desafios ficam por concretizar para um novo mandato?

O Barreiro é uma terra rica em opiniões, mas que andava muito estagnada em decisões. Não é possível em quatro anos fazer tudo aquilo que é necessário, apresentámos um programa eleitoral para oito anos e vamos voltar a fazê-lo, porque existem equipamentos que têm de ser feitos. Refiro-me à futura piscina dos Fidalguinhos, que faz falta há muito tempo e, por exemplo, ao Centro de Saúde do Alto de Seixalinho, onde o executivo se está a empenhar do ponto de vista financeiro e político com enorme preponderância, por ser um equipamento essencial na área da saúde.

Para quem procura investimento privado e atrair mais gente ao território, este é um trabalho inacabado e um desafio constante. Conseguimos atrair mais de 100 milhões de investimento privado e temos até o paradoxo de termos um projecto na Quinta do Braamcamp que está paralisado, pela vontade política de um partido que judicializou a política e foi criando empecilhos permanentes a um investimento de 50 milhões. Temos também as áreas da higiene, águas e saneamento a que, por vezes, as pessoas não dão o devido valor e onde já fizemos muito, além da desmaterialização de processos, onde investimos para que a câmara pudesse funcionar de forma menos burocrática.

Como deputado, defendeu os interesses dos barreirenses?

Muitas das coisas que são feitas em defesa da nossa terra acontecem longe dos holofotes, caso da 5ª Esquadra da PSP, a consagração e defesa da Terceira Travessia do Tejo, as travessias laterais do Barreiro-Montijo e do Barreiro-Seixal… São projectos onde as pessoas não têm noção do meu contributo e das chatices que já tive e até mesmo das zangas que já comprei, mas se essas coisas se concretizarem, e algumas já estão em execução e outras a caminho, ficarei com a consciência tranquila de que fiz até mais do que imaginava que fosse capaz de fazer.

Costumam dizer-me que sou um ‘deputarca’ e tenho todo o gosto em tratar matérias de âmbito nacional, como a questão do aeroporto, mas não tenho menos gosto em saber que temos uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER), que salvou vidas e me deu imenso trabalho a conquistar, investimento de milhões de euros no hospital ou no movimento associativo, através de projectos que conseguiram obter investimento do poder central, por saber organizar-se e candidatar-se.

Nunca entro no Parlamento sem levar o Barreiro no coração e não há ninguém que não saiba que sou desta terra. Quando foi preciso votar de maneiras diferentes também o fiz, caso da carreira dos motoristas, que precisavam de ter uma categoria profissional diferente. Os corredores do Parlamento são mais complexos do que as pessoas imaginam, a maturidade vem mesmo com a idade e sinto que nas tarefas que me foram atribuídas, nunca precisei de me colocar em bicos de pés. Tenho sido reconhecido e têm me sido entregues responsabilidades acrescidas. Vejo-me não só como um deputado de dimensão local, mas também nacional, e isso é muito importante para mim, tendo feito centenas de intervenções e tido muitas horas de negociação com os restantes partidos, inclusive, como coordenador da Comissão Eventual da Covid-19 que é de extrema importância, pelo que, no final destes seis anos, posso dizer que nunca trabalhei tanto como desde o momento em que sou deputado. Penso que tenho conseguido cumprir com o que esperavam de mim.

Quando é que PS anuncia os candidatos ao Barreiro?

O processo está muito avançado. Começámos a preparar as eleições de 2017 três anos antes e nestas também começámos com grande antecedência e os processos de listas vão ter três notas principais. Os cabeças-de-lista vão todos continuar e essa, para nós, é uma regra de ouro, porque quem foi a votos, mereceu a confiança dos barreirenses e tem o direito de continuar. Fizemos uma avaliação prévia de quem teve um desempenho mais ou menos dinâmico e vamos também introduzir muitos independentes nas nossas listas.

O PS Barreiro tem quadros com muita qualidade e sempre teve, o que faltava era um sentido estratégico de médio e longo prazo que lhe conferisse unidade.

Será uma surpresa para as pessoas quando virem as seis listas do nosso partido, porque ficarão surpreendidas com a quantidade de independentes, mesmo ao nível da participação das mulheres. A grande novidade que teremos nestas eleições será o convite que mais orgulho terei em fazer, em muitos anos de política, a Naciolinda Silvestre, presidente da União de Freguesias de Coina e Palhais, para ser candidata pelo PS, por ser uma autarca de referência, com um trabalho consolidado ao longo de muitos anos e que, com Juvenal Silvestre, passou por vários momentos da vida política barreirense tendo a confiança das pessoas e a minha admiração.

Naciolinda tem sido uma presidente de grande competência e se a pudermos juntar a Gabriela Soares, Isabel Ferreira e Carlos Raposinho, estou convicto de que será um momento de grande satisfação para o PS. É um convite que terei todo o gosto em fazer e que certamente irá aceitar.

Para além das juntas de freguesia, onde foi feito um trabalho notável, a capacidade de liderança do presidente do município, Frederico Rosa, a experiência e integridade de João Pintassilgo, a serenidade sábia de Sara Ferreira e o dinamismo do vereador Rui Braga dão-me muita confiança de que o trabalho que fizemos vai ser bem avaliado.

Neste âmbito, tenciono também recandidatar-me ao cargo de presidente da Assembleia Municipal. Sou provavelmente um dos presidentes mais jovens do país, tendo sido eleito com 31 anos, mas para a minha formação como autarca e ser humano foi muito bom lidar com as muitas divergências, moderar tensões, sempre com elevação, e penso que consegui a cooperação de todos os partidos, além da digitalização da AM. A isto, soma-se o facto de, durante a pandemia, nunca termos parado a nossa actividade. O balanço é extremamente positivo.

Qual a sua opinião sobre os candidatos já conhecidos da CDU e PSD?

Olho com alguma estupefacção para partidos como o PSD e o PCP que se preparam para apresentar os mesmos candidatos que apresentaram em 2005. Não se trata de discutir pessoalmente cada um deles, apesar de ter a minha opinião pessoal, mas é muito estranho que após uma mudança tão grande que implementámos, se considere que voltar atrás seja uma solução de futuro. Causa-me perplexidade, porque acredito que quanto mais forte é a oposição, mais forte é o governo e nós temos mantido um elevado grau de exigência com os nossos eleitos, até porque a oposição é muito pouco exigente, faz muito ruído, mas depois, em termos de política substantiva há uma resposta pouco concreta.

Volvidos 16 anos, há um esgotamento muito grande quando os partidos são os mesmos e é aí que os independentes do PS vão marcar a diferença. O Barreiro não pode mesmo voltar atrás. Como é que se pode acreditar que serão os protagonistas do passado a levar-nos para a frente? Todos os partidos têm gente de qualidade e a repetição é prova de esgotamento, pelo que não faço considerações sobre pessoas, mas sobre percursos e políticas, sendo que há mais de três anos só conheço críticas e votos contra por parte dos outros partidos.

Temos um dos melhores presidentes de Câmara do país que, ao fim de quatro anos, consegue ser mais novidade do que quem diz que quer ser uma alternativa. O Barreiro não pode esperar e o PS vai continuar a ser muito exigente, e fará com que o próximo mandato seja ainda melhor do que o presente. O maior adversário de Frederico Rosa é Frederico Rosa, porque ninguém fez o que ele fez e o seu maior desafio é de fazer igual ou melhor do que já conseguiu, que é superar-se a si mesmo.

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