11 Maio 2021, Terça-feira
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Bombeiros em “guerra de tronos” ameaçam direcção com paralisação de serviços

Direcção já acertou tudo com antigo chefe dos bombeiros do Barreiro para assumir o cargo. Mas o corpo activo do Montijo quer Luís Silva

 

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A sucessão de Américo Moreira no cargo de comandante dos Bombeiros Voluntários do Montijo está a deixar os elementos da corporação em “pé de guerra” com a direcção. A esmagadora maioria do corpo activo dos bombeiros pretende a nomeação de Luís Silva, actual comandante interino, e ameaça avançar para uma paralisação e com um pedido de demissão da direcção, se esta não recuar na intenção de contratar um elemento de fora para liderar a unidade.

A “guerra de tronos” na corporação atingiu agora um impasse. Até porque, a direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Montijo “não abdica de nomear um novo comandante”, garantiu Amável Pires, que preside ao elenco directivo. E até já existe um nome escolhido para ocupar o posto: Pedro Davidoff Ferreira, do Lavradio, que chefiava a corporação Sul e Sueste no Barreiro antes de assumir o cargo de 2.° comandante na Associação Humanitária dos Bombeiros de Faro – Cruz Lusa, apurou O SETUBALENSE.

“[A pessoa] Já teve uma reunião com a direcção, depois de ter enviado um projecto de inovação. [A nomeação] Está apalavrada. Mas só ficará garantida quando houver assinatura [entre as partes]”, admitiu Amável Pires, que não revelou o nome do sucessor de Américo Moreira. Mas deixou-o implícito, ao reconhecer que dificilmente a direcção voltará atrás na decisão. “Não ia dar o dito por não dito e dizer à pessoa: desvinculaste-te lá de baixo, mas agora não tens lugar aqui.”

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O presidente da direcção sabe que os bombeiros estão ao lado de Luís Silva, elogia até a capacidade do comandante interino, mas explica que existem outros factores que pesam na decisão. “Um processo disciplinar para despedimento com justa causa, por tentativa de agressão ao presidente [da direcção], entre outras situações ocorridas nos últimos anos. Não há dúvida de que ele é muito bom profissional, damo-nos bem, mas, face a esses antecedentes entre comando e direcção, queríamos uma viragem”, justificou.

E quanto à possibilidade de o corpo de bombeiros vir a pedir a demissão da direcção, Amável Pires é peremptório: “Podem pedir a demissão e a direcção sair no caso de lhes assistir essa razão, de acordo com a lei.”

Luís Silva recusa outro cargo

Certo é que na corporação e no comando, o desejo da direcção nomear Pedro Davidoff caiu como uma bomba.

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Desde logo porque a informação ficou a ser conhecida através de uma publicação numa página de um grupo de bombeiros na rede social Facebook, na qual dava-se conta da tomada de posse do novo comandante em Abril próximo. Depois, porque tem “existido total harmonia” entre o presidente da direcção e Luís Silva, desde que este último assumiu o cargo interinamente.

“Estamos a desenvolver um projecto para os bombeiros desde 29 de Janeiro passado, totalmente empenhados com a direcção nesse sentido, o qual não devia ser agora interrompido. Tem sido um bom trabalho em harmonia”, revelou Luís Silva. “Por isso, a nomeação de um novo comandante nesta altura não se compreende, já que os bombeiros estão com este comando. Não se compreende este braço-de-ferro, porque é muito importante para qualquer direcção ter em seu torno os bombeiros, unidos, como é importante para qualquer comando”, adiantou.

Luís Silva admite ainda que não está disposto a aceitar outro cargo que não o de comandante na corporação. “Tenho 20 anos de comando, embora nunca na função de comandante, e 38 de bombeiro. Sou filho da terra, ajudei a formar muitos bombeiros no Distrito de Setúbal e não posso aceitar outro posto”, vincou.

Cerca de 60 bombeiros , de um total de 67 do corpo activo, estão com o comandante interino e enviaram uma carta à direcção a solicitar esclarecimentos. Entre as accões de protesto, que já discutiram levar por diante, a paralisação e pedido de demissão da direcção é a que ganha mais força. Mas em cima da mesa esteve ainda a possibilidade de realização de uma marcha lenta pelo concelho ou até mesmo a entrega dos capacetes em plena Câmara Municipal do Montijo.

Presidente da Câmara já falou com Amável Pires e vai ouvir comando

O clima de discórdia instalado na corporação montijense já chegou ao conhecimento da Câmara Municipal. Na passada quarta-feira, o vereador eleito pela CDU, Carlos Jorge de Almeida, questionou o presidente da autarquia, o socialista Nuno Canta, sobre “a instabilidade” que se vive nos bombeiros. O presidente da Câmara admitiu preocupação, transmitiu que já se reuniu com o presidente da direcção e que espera oportunamente reunir-se também com elementos do corpo activo dos bombeiros.

“Vamos acompanhando e respeitando as decisões das corporações. O anterior comandante não foi reconduzido no cargo por estar próximo da idade de reforma, mas isso são decisões da direcção. Procuraram um novo comandante que, segundo sei, não tem um acordo geral de todos os bombeiros”, disse. “Vai ter de existir uma responsabilidade da direcção com as opções que toma perante os bombeiros”, adiantou, ao mesmo tempo que confessou estar atento ao desenrolar da situação. “Temos de deixar correr tempo para que a questão ou fique sanada ou se necessita de intervenção superior, ao nível da protecção civil distrital”, concluiu.

 

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