21 Junho 2021, Segunda-feira
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Presidente de ‘Os Pelezinhos’ diz que “2020/21 vai ser uma época perdida”

“Clube passou de 254 para 150 miúdos inscritos na AF Setúbal”, revela José Pereira.

 

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O Clube Desportivo “Os Pelezinhos”, emblema de referência no futebol de formação em Setúbal, celebrou ontem o seu 38.º aniversário. Apesar da data festiva, a realidade é que não existem muitas razões para celebrar, uma vez que, com os treinos e as competições suspensas devido à pandemia de covid-19, o clube teve uma razia no número de praticantes, perdendo quase 100 futebolistas da formação.

Desde que foi oficialmente constituído, em 9 de fevereiro de 1983, passaram por “Os Pelezinhos” mais de 8000 atletas e não há memória de uma época com tão poucos praticantes nos diferentes escalões etários, lamenta o presidente José Pereira. “Em relação ao ano passado, sentimos uma redução no número de atletas. Dos petizes [sete/oito anos] aos juniores [19], tínhamos 254 miúdos inscritos na Associação de Futebol de Setúbal, enquanto este ano foram apenas 150 os inscritos”.

Na hora de apontar as razões para a quebra em contexto de pandemia, o dirigente de 54 anos, que está no clube há 15 anos e o preside há dois, refere que a falta de motivação por não haver competição e o medo de contágio do vírus ajudam a explicar a desistência de muitos jovens atletas. “Há uma parte em que há receio dos pais. Além disso, os miúdos não se sentem motivados por não terem competição. Para quê treinar se não podem jogar, questionam. Eles treinam com o objectivo de jogar ao sábado ou domingo e há quase um ano que não o podem fazer”.

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Todos os treinos realizados esta época respeitaram regras de distanciamento

José Pereira antevê que 2020/21 “vai ser uma época perdida, porque não se vai conseguir começar a competição e vai haver muitas desistências”. Com o objectivo de atenuar os efeitos da razia, o líder de “Os Pelezinhos” destaca o esforço que o clube tem feito para segurar os jovens cujas famílias passam por dificuldades. “Uma das nossas batalhas é garantir que os miúdos que têm dificuldades não deixem de treinar. Conseguimos criar umas bolsas em que o clube suporta as mensalidades de 25 euros, que não conseguem pagar. Às vezes, até membros da própria direção suportam a mensalidade para que os miúdos não deixem o futebol e sigam por maus caminhos”.

A quebra de receitas no clube, que “em 37 anos de história se orgulha de não dever nada a ninguém”, não o impede de desempenhar um importante papel social na comunidade setubalense, destaca o presidente, que refere que “só com muita ginástica e carolice de algumas pessoas se consegue manter o clube”, que tem contado “com apoio financeiro da autarquia, a ajuda da Junta de Freguesia (União das Freguesias de Setúbal) e um ou outro patrocinador que ainda nos vão ajudando”.

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“Temos miúdos de zonas mais carenciadas da cidade de Setúbal, como o Bairro da Bela Vista. Sabemos que algumas famílias passam por grandes dificuldades e não têm possibilidade de pagar, por isso, o clube e alguns patrocinadores suportam a bolsa que existe para esses miúdos”, diz o presidente que se vai recandidatar ao cargo no clube setubalense por onde passaram, entre outros, Sandro Mendes e Bruno Ribeiro, antigos jogadores e treinadores do Vitória FC.

Treinador diz que “desmotivação dos miúdos é uma realidade”

Apesar dos esforços dos responsáveis de “Os Pelezinhos”, José Viegas, treinador dos sub-17 e coordenador da formação de futebol 7 do clube sadino, considera que as várias pausas na actividade vão levar a um inevitável aumento de desistências. “Claramente que vão-se perder miúdos em todas as equipas e escalões. Só quem for utópico e sonhador poderá pensar o contrário. Sem competirem e fazerem treinos de conjunto, a desmotivação dos miúdos é uma realidade”.

O técnico, de 51 anos, que lecciona Educação Física numa escola da Moita, partilha o registo de presenças nos treinos dos sub-17, que espelha bem, na sua opinião, a tendência verificada. “Em Agosto de 2020, começámos a pré-época com 23/24 jogadores e, sem competição, passámos para 15/16 uns meses depois. Mais recentemente, nos treinos que fizemos em Janeiro de 2021, antes da suspensão das atividades, estiveram presentes 13 atletas em 5 de Janeiro e na última sessão, dia 14, já só foram nove”.

Questionado sobre se acredita no reatar da actividade, José Viegas é peremptório. “Acho que é possível, mas como as coisas estão, sinceramente, não sei. Em relação aos campeonatos está fora de questão que venham a começar esta época nas provas da formação. Aliás, nem sequer deviam ter começado. À excepção das provas profissionais, sobretudo a I Liga, em que se fazem testes todas as semanas, a 3.ª divisão e, muito menos, os distritais não deveriam ter começado. Sem dinheiro para os testes é insustentável garantir a segurança de todos”.

Jovem João Forreta promete não desistir para homenagear pai e do avô

Um dos resistentes na equipa de sub-17 de “Os Pelezinhos” é o sub-capitão João Forreta, de 16 anos, que garante, ao contrário do que aconteceu com vários colegas seus, não deixar de competir mesmo que não seja possível voltar a jogar nos próximos meses. A motivá-lo está o desejo de homenagear o pai e avô, antigos jogadores do Vitória FC. “Nada me vai demover deste sonho. O meu avô, Jacinto Forreta, foi jogador de futebol do Vitória [entre 1947/48 e 1957/58] e o meu pai, Fernando Forreta, também o foi até aos juniores. Infelizmente, os dois já faleceram e fiz uma promessa a mim mesmo de que iria ser jogador de futebol para ambos se orgulharem de mim”.

João Forreta

João Forreta, que tanto actua a defesa-central como médio defensivo, admite que tem sido difícil não poder estar junto dos colegas nos treinos e jogos. “É bastante complicado não poder estar a fazer o que mais gosto. Em casa tento pôr-me em forma. Com a paragem da escola ainda mais treino. A pandemia veio mudar tudo por completo e é bastante difícil”. E acrescenta: “Sinto muito a falta da competição, de chegar ao domingo e ter um jogo e, sendo sub-capitão, de motivar os meus colegas de balneário. Gosto de puxar a equipa para cima. Mesmo quando havia treinos há umas semanas não usávamos os balneários que era um sítio em que fazíamos as brincadeiras que são importantes para unir o grupo”.

O sub-capitão, que jogou no Vitória entre os cinco e 13 anos e representa Os Pelezinhos desde então, explica as razões pelas quais vários colegas se desmotivaram. “Alguns diziam que os pais tinham receio que eles contraíssem o vírus, mas isso era pouco provável porque o mister [José Viegas] fazia-nos sempre cumprir todas as regras e nos treinos não tínhamos contacto. Infelizmente perdemos quatro ou cinco atletas para outro clube que fazia treinos sem restrições ignorando a pandemia. Outros começaram a faltar porque tinham familiares mais idosos que pertenciam a grupos de risco”, disse o jogador que estuda na área de Desporto na Escola Sebastião da Gama, em Setúbal.

Ricardo Lopes
Jornalista
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