17 Abril 2021, Sábado
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Natividade Coelho diz-se de “consciência muito tranquila” e deseja “que o inquérito seja célere”

A responsável diz que no final irá falar. Para já, não confirma nem desmente versão de que foi a ARSLVT a destinar as vacinas ao centro distrital

 

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Natividade Coelho, que cessa hoje funções de directora do Centro Distrital de Setúbal da Segurança Social (CDSSS), diz estar de “consciência muito tranquila”. E deseja “ardentemente” a conclusão do inquérito, ordenado pela ministra Ana Mendes Godinho ao caso da vacinação de 126 funcionários do CDSSS, para falar.

“Demiti-me e está a decorrer um inquérito. Oportunamente falarei. O que posso dizer é que estou de consciência muito tranquila. Mas enquanto decorrer o inquérito que foi aberto pela senhora ministra, mesmo demissionária não irei falar”, disse ontem Natividade Coelho a O SETUBALENSE, quando confrontada com uma explicação apresentada momentos antes pelo comandante dos Bombeiros de Paço de Arcos, Ricardo Ribeiro, à CMTV.

De acordo com o comandante e antigo vereador do PS na Câmara Municipal do Seixal, as vacinas administradas em Setúbal “não eram sobras”. Foi “a ARS [Administração Regional de Saúde] que enviou uma caixa de vacinas destinada ao Centro Distrital de Setúbal da Segurança Social com a anuência do Aces Arrábida”. Mas, numa altura em que “os lares já estavam vacinados” e quando “já haviam sido distribuídas 15 vacinas por corporação de bombeiros”, explicou Ricardo Ribeiro naquele canal televisivo.

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Natividade Coelho não confirma, nem desmente, a versão do líder do corpo activo dos bombeiros de Paço de Arcos. “Não sei onde o comandante Ricardo Ribeiro obteve essas informações. Não vou confirmar, nem infirmar nem tecer qualquer comentário”, vincou. E prometeu explicações para mais tarde. “Quando terminar o inquérito, que desejo ardentemente que seja célere e que não seja daquelas coisas que nunca ninguém sabe, falarei de certeza absoluta”, afirmou a responsável, que apresentou a demissão do cargo de directora do CDSSS na última sexta-feira, pedido que foi aceite nesse mesmo dia – menos de 24 horas depois de o caso ter sido revelado pela SIC – pelo conselho directivo do Instituto da Segurança Social.

Para Ricardo Ribeiro, a ARS “não pode demitir-se de responsabilidades” no caso, nomeadamente ao nível “do planeamento e da distribuição”, processo que deveria ter merecido, revelou, um “melhor acompanhamento” por parte daquela entidade de saúde. “Ao não o fazer, colocou ao critério de cada dirigente a distribuição das respectivas vacinas. No contexto de Setúbal foram distribuídas a funcionários de primeira linha, que estão envolvidos em trabalhos com centros de dia, idosos e grupos de risco”, adiantou durante os comentários feitos à CMTV.

Até ao fecho desta edição, O SETUBALENSE não conseguiu contactar o presidente do conselho directivo da ARSLVT.

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Elisabete Adrião entre o grupo vacinado

Elisabete Adrião, técnica superior na Segurança Social, foi uma das funcionárias do centro distrital que foram vacinadas contra a covid-19. A também vereadora socialista na Câmara Municipal do Seixal, que na véspera da vacinação tinha assumido funções de dirigente do Núcleo Local de Inserção em Sesimbra, publicou no Facebook o talão indicativo de quando lhe foi administrada a primeira dose (21 Janeiro) e a data prevista para a segunda toma (11 de Fevereiro) – o que, ao contrário do que avançou Ricardo Ribeiro, mostra que nem todos os lares da Península de Setúbal estavam já vacinados, uma vez que o processo ainda decorreu para lá de dia 21 em algumas instituições.

O talão publicado por Elisabete Adrião nas redes sociais

Em declarações a O SETUBALENSE, Elisabete Adrião confirmou que efectuou a publicação do comprovativo, que mais tarde viria a eliminar daquela rede social, e admitiu: “Sim. Fui vacinada no exercício das minhas funções na Segurança Social, como técnica de Acção Social. Perguntaram-me se queria ser vacinada e respondi que sim.”

Caso motivou várias reacções

O caso da vacinação considerada indevida, por ir ao arrepio dos critérios que determinam os grupos prioritários para a primeira fase de administração, viria a motivar reações várias.
A Distrital de Setúbal do PSD foi a primeira estrutura partidária a reagir: em comunicado, exigiu à ministra do Trabalho e Segurança Social o esclarecimento do caso e pediu a demissão de Natividade Coelho. E o grupo parlamentar social-democrata entregou um requerimento dirigido a Ana Mendes Godinho a solicitar explicações e a lista dos nomes que a direcção da Segurança Social de Setúbal indicou à ARSLVT, bem como a documentação que justificasse o critério que foi aplicado para a vacinação das 126 pessoas do CDSSS. Os deputados do PSD solicitaram também que a ministra da Saúde explicasse qual foi a intervenção da tutela, através da ARSLVT e do Aces Arrábida, no processo e se a Inspecção-Geral das Actividades em Saúde iniciou alguma acção para apurar o cumprimento das regras neste caso.

Já Armindo Miranda, responsável pela Organização Regional do PCP de Setúbal, classificou a situação como “um mau exemplo, em desrespeito pelos critérios nacionais”, mas, tal como a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira (PCP), defendeu que se deve aguardar pelo resultado do inquérito. A autarca reagiu na sua página do Facebook, onde considerou que “o País tem, a todo o custo, de evitar julgamentos antecipados”.

Por parte do PS, a coordenadora do grupo dos deputados eleitos pelo círculo de Setúbal, Eurídice Pereira, contactada por O SETUBALENSE, disse apenas acompanhar a posição assumida pelo presidente da Federação Distrital do PS e actual secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendes. “A ministra do Trabalho já ordenou um inquérito urgente. A nossa expectativa é que os resultados desse inquérito apareçam com a urgência que foi solicitada, tirando-se daí todas as consequências que tiverem de ser tiradas”, comentou o socialista, em declarações à Lusa.
Com Lusa

Sete técnicos de Acção Social da Câmara Municipal de Setúbal foram vacinados

À margem do processo que envolve o Centro Distrital de Setúbal da Segurança Social, O SETUBALENSE apurou que também já foram vacinados funcionários da Acção Social do município sadino.

“Em total concertação com o ACES Arrábida e na sequência da disponibilidade manifestada pela direcção deste agrupamento, foram disponibilizadas à Câmara Municipal de Setúbal, no contexto das suas competências em matéria de protecção civil, sete vacinas que foram ministradas exclusivamente a técnicos da autarquia”, confirmou fonte do Gabinete de Apoio à Presidência da Câmara Municipal de Setúbal. A mesma fonte esclareceu que, no dispositivo da protecção civil, os técnicos abrangidos pela vacinação “integram as equipas multidisciplinares conjuntas de visitas técnicas regulares às Estruturas Residenciais (lares e centros de acolhimento) definidas e conduzidas pela Saúde, e estão na primeira linha de apoio a doentes covid-19 confinados e sem possibilidade de sair de casa”. Esse apoio engloba “a entrega de bens essenciais” nos domicílios das pessoas infectadas e “verificação de condições de habitabilidade, não existindo, assim, qualquer vacinação indevida”, concluiu.

Antiga presidente da Segurança Social ia por lapso na lista da Misericórdia de Azeitão

Ana Clara Birrento, que presidiu ao Instituto da Segurança Social e que também foi directora do centro distrital de Setúbal, teve o seu nome incluído numa lista da Misericórdia de Azeitão, onde é dirigente, para vacinação contra a covid-19. A listagem, tendo em vista vacinar brevemente funcionários da área do Apoio Domiciliário, foi solicitada pela protecção civil municipal na passada quarta-feira e enviada no dia seguinte. Mas, o nome da antiga responsável da Segurança Social não deveria constar entre esses elementos, até porque, disse a O SETUBALENSE, todos os membros da mesa administrativa da Santa Casa já tinham “decidido não ser vacinados senão na altura devida”.
“Foi um lapso que foi logo rectificado, com o envio de novo mapa na sexta-feira [um dia depois]. Não fui nem serei vacinada antes de chegar a minha vez”, garantiu.

Mulher do provedor da Santa Casa do Montijo recebeu a primeira dose da vacina

Ao contrário do que o provedor da Santa Casa da Misericórdia do Montijo, José Manuel Braço Forte, havia garantido em declarações a O SETUBALENSE, na edição do passado dia 27, a sua esposa foi mesmo vacinada.

O nome da mulher de José Braço Forte foi integrado na lista para vacinação indicada pela Misericórdia do Montijo, entre os nomes dos profissionais e utentes da Unidade de Cuidados Continuados, apurou O SETUBALENSE. A administração das vacinas foi realizada a 22 de Janeiro último, no âmbito do plano nacional de vacinação. A esposa do provedor – que também foi inoculado – foi incluída como voluntária da instituição.

Na altura, José Braço Forte havia negado categoricamente que a mulher tivesse recebido a primeira dose da vacina. E garantiu então que apenas dois funcionários, fora do grupo prioritário – um da manutenção e uma administrativa –, tinham sido inoculados, para aproveitamento de duas vacinas que sobraram durante o processo. “Tudo o que disserem a mais é mentira”, afirmou na altura o provedor.

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