2 Dezembro 2021, Quinta-feira
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Provedor e dois funcionários da Santa Casa vacinados sem estarem nos grupos prioritários

José Manuel Braço Forte confirma e defende que “as pessoas que lidam com os utentes têm o direito de ser vacinadas”. E nega que a esposa tenha sido incluída na lista

 

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O provedor e dois funcionários da Santa Casa da Misericórdia do Montijo foram vacinados contra a Covid-19, na passada sexta-feira, apesar de não integrarem os grupos prioritários definidos para esta 1.ª fase da vacinação.

Os três foram indevidamente incluídos na lista de utentes e profissionais que receberam a primeira dose na Unidade de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) da Misericórdia, no âmbito do plano nacional de vacinação. Não se enquadram nos critérios que determinam os grupos prioritários na denominada Fase 1 da estratégia de administração de vacinas, divulgada pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O provedor, José Manuel Braço Forte, tem entendimento diferente e alega que tanto ele como os dois trabalhadores vacinados – um operacional de manutenção e uma administrativa – têm contacto directo com os utentes.

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“Falei mesmo com a doutora da ARS [Administração Regional de Saúde]. As pessoas que lidam com os utentes têm o direito de ser vacinadas”, começou por dizer. Ao mesmo tempo, defendeu que contacta directamente com os utentes e deixou implícito que o faz diariamente. “Ainda há pouco [esta segunda-feira] lá estive no meio deles. Quando vou lá abaixo, vou ter com os utentes. Eu trabalho ali. Vou para lá às 9h30 e saio à tardinha. Há provedores que não andam lá dentro. Eu ando”, afirmou. “Se me perguntar se agarro nos utentes, não agarro”, completou.

O nome da esposa do provedor, garantiu a O SETUBALENSE uma fonte que prefere não se identificar, constava na lista de pessoas a vacinar. Mas José Braço Forte nega categoricamente que a mulher tenha sido vacinada.

“Não, não foi. Mas mesmo que fosse, a minha esposa é voluntária lá [na Misericórdia], saiu de voluntária do Centro Paroquial para ir para ali”, argumentou. E revelou que foram apenas adicionados à listagem os dois outros nomes – o do funcionário da manutenção e o da administrativa. “Mais ninguém foi vacinado. Tudo o que disserem a mais é mentira”, afiançou.

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Em relação aos dois funcionários, o provedor explicou que foi adoptado o princípio do não desperdício.

“Foram estas duas pessoas, porque sobraram duas doses. E a doutora escolheu a pessoa da manutenção – que é quem monta lá as camas e lá está também sempre em contacto com as pessoas – e uma outra, que faz os stocks, que anda lá dentro”, justificou. Isto porque já não havia qualquer profissional de saúde por vacinar. “Foram todos vacinados. Sobraram duas doses e, uma vez insertado o frasco, as vacinas têm de ser administradas”, reforçou, antes de admitir que voltaria a tomar as mesmas opções.

Os grupos prioritários a vacinar até Fevereiro, nesta Fase 1, englobam: profissionais de saúde envolvidos na prestação de cuidados a doentes; profissionais das forças armadas, forças de segurança e serviços críticos; profissionais e residentes em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) e instituições similares; e profissionais e utentes da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI). Entretanto, face à denúncia de outros casos idênticos no País, o Ministério da Saúde, em resposta enviada à agência Lusa, afirmou que “o preenchimento dos critérios para vacinação dos profissionais e/ou utentes é uma responsabilidade de cada instituição”. Isto depois de Francisco Ramos, coordenador da “task force” responsável pela execução do plano de vacinação, ter condenado o facto de o presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz, José Calixto, enquanto membro da administração do lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva, ter sido vacinado.

Presidente da Mesa Assembleia Geral convoca reunião de urgência dos órgãos sociais

Quem não viu com bons olhos que o provedor da Misericórdia do Montijo tivesse sido incluído na lista de pessoas a vacinar foi o presidente da Mesa da Assembleia Geral da instituição, João Afonso, que ocupa também o cargo de vereador na Câmara Municipal do Montijo.

“Consubstancia uma situação muito delicada, para não dizer grave. Pode estar aqui em causa uma eventual situação de conflito de interesses e abuso de poder, sem contar com o aspecto moral”, disse João Afonso a O SETUBALENSE.

O presidente da Mesa da Assembleia Geral revelou que convocou ontem “uma reunião de urgência com todos os órgãos sociais da Santa Casa da Misericórdia para analisar a situação”.

A reunião foi marcada para o próximo sábado e João Afonso admite todos os cenários, inclusive a eventual apresentação de um pedido para que o provedor renuncie ao cargo. “Enquanto presidente da Mesa da Assembleia Geral quero que o provedor diga de sua justiça e se defenda, se assim o entender. Em resultado dessa defesa, e da análise que todos os membros dos órgãos sociais fizerem, todas as hipóteses vão estar em cima da mesa. Analisaremos o futuro destes órgãos sociais”, antecipou. E fez notar: “Esta é a primeira vez neste mandato que convoco os órgãos sociais.”

O presidente da Mesa da Assembleia Geral considera ainda que “é nestas alturas que as pessoas têm de perceber que têm de dar o exemplo”.

“Os primeiros a serem defendidos devem ser os mais debilitados e os mais expostos na sociedade. Os bombeiros, que são dos mais expostos, ainda não foram vacinados, como não foram os polícias ou os GNR”, atirou, numa crítica dirigida à actuação de José Braço Forte. “A Santa Casa está acima de todos nós e é importante defendermos a herança de humanismo, de humanismo católico. Nós católicos temos de defender o próximo, primeiro do que nós”, concluiu.

Surto de Covid-19 travou vacinação no lar

A vacinação a profissionais e utentes da Santa Casa da Misericórdia do Montijo acabou por não ser completada na sexta-feira. No próprio dia, foi suspensa a administração de vacinas no lar da instituição, devido ao surgimento de dois casos de Covid-19. Dois utentes desta valência testaram positivo e a situação evoluiu no fim-de-semana. Até ontem, havia registo de um surto que envolvia, pelo menos, 14 pessoas, conforme o SETUBALENSE noticiou na edição desta segunda-feira. A situação foi ontem também confirmada pelo provedor José Manuel Braço Forte. Contraíram a doença 13 residentes e um funcionário do lar. Os utentes estão em isolamento na instituição e a administração das vacinas foi adiada. Na Unidade de Cuidados Continuados, o plano de vacinação foi cumprido.

* com Lusa

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