2 Dezembro 2021, Quinta-feira
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Governo apenas definiu Hospital das Forças Armadas como estrutura de retaguarda na região para doentes Covid-19

Outras estruturas de apoio local devem ser organizadas pelos serviços municipais de Protecção Civil

 

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O novo líder do Comando Distrital de Operações de Socorro de Setúbal (CDOS), João Pinto, garantiu a O SETUBALENSE que, “até ao momento não há qualquer indicação, por parte do Governo, para que sejam colocadas em funcionamento estruturas hospitalares de campanha dedicadas à prestação de cuidados de saúde a doentes Covid-19”. A única estrutura retaguarda definida para a região de Setúbal é a que serve Lisboa e Vale do Tejo: o Hospital das Forças Armadas.

Outras estruturas para a prestação extraordinária de cuidados de saúde a doentes Covid-19, “serão, para já, articuladas pelos serviços municipais de Protecção Civil em parceria com as autoridades de saúde locais”. É o caso dos dois novos contentores alocados no campus do Hospital de São Bernardo.

O Despacho n. º10942-A/2020, que define as estruturas de retaguarda disponíveis, tendo sido aprovado pelos ministérios da Administração Interna Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e da Saúde, indica ainda que, caberá aos Comandos Distritais de Operações de Socorro a elaboração de “um mapa semanal com as EAR [estruturas de apoio de retaguarda] activas, especificando o número de pessoas instaladas e os constrangimentos identificados”.

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No entanto, João Pinto, em funções no CDOS de Setúbal desde Dezembro passado, recorda que, “mesmo sendo decidido que pavilhões desportivos, ou infraestruturas de Instituições Particulares de Solidariedade Social, sejam equipados para receber doentes Covid-19 o facto é que não haverá profissionais de saúde para trabalhar nestes equipamentos de campanha”, salienta.

Um problema que a vice-presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS), Guida Ponte, também aponta, em declarações a O SETUBALENSE.

Sindicato responsabiliza Governo por ruptura de hospitais na região de Lisboa e Vale do Tejo

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Em comunicado emitido terça-feira o SMZS responsabiliza o Governo pela ruptura dos hospitais da região de Lisboa e Vale do Tejo.

Guida da Ponte recorda que “a margem sul Tejo é, desde há muitos anos, a zona da Área Metropolitana de Lisboa com maior dificuldade de colocação de médicos e está, há anos, com número insuficiente de profissionais”. Uma situação que se evidenciou “ainda mais” devido ao “elevado número de infectados com Covid-19, que estão a ser encaminhados para tratamento ou internamento hospitalar”, refere Guida da Ponte.

A dirigente sindicalista é mesmo incisiva quando determina que “o Governo tem a obrigação de agir perante a situação actual, requisitando todos os recursos possíveis no País”. Algo que, no seu parecer “está longe de acontecer”.

Sobre o facto de alguns hospitais estarem a aumentar a sua capacidade de resposta com a reorganização do número de camas em enfermaria ou recurso a estruturas provisórias para aumentar o Serviço de Urgência, como é o caso do Garcia de Orta e São Bernardo, Guida da Ponte aponta que “o ideal seria todos os doentes serem atendidos ou internados em estruturas hospitalares condignas”. Estruturas que, “ao longo de anos não foram concretizadas”.

No distrito de Setúbal os casos mais graves reportam ao hospital previsto para o Seixal e sucessivamente adiado, assim como a ampliação do Hospital de São Bernardo.

“Agora estamos a solucionar problemas maiores com soluções provisórias, tomadas no dia-a-dia de forma avulsa, e que deveriam ter sido precavidas. Estão a ser definidos estados de pré-Catástrofe que nós, médicos, nem sabemos o que significam e esperamos que as administrações hospitalares esclarecerem”, aponta Guida Ponte.

A dirigente sindical destaca ainda os “vários meses” que o Governo teve para preparar o Serviço Nacional de Saúde e o País “para o que ia acontecer quando o pico da pandeia em Portugal fosse atingido”. Meses ao longo dos quais, “a ministra da Saúde [Marta Temido], revelou-se sempre indisponível para reunir com os médicos. Aliás, desde o início desta legislatura nunca se mostrou disponível para receber os médicos”, refere a representante do SMZS.

 

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