14 Abril 2021, Quarta-feira
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Fecho da central a carvão deixa 99 trabalhadores sem emprego

Funcionários já receberam cartas de despedimento. Solução pode passar pela integração na nova unidade industrial de hidrogénio “verde” que tem arranque de produção previsto apenas para 2022

 

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São, no total, 99 os trabalhadores indirectos da central termoeléctrica de Sines da EDP, com ‘luz verde’ para encerrar, que “já receberam cartas de despedimento e ficam sem emprego”. O alerta foi dado hoje pelo Sindicato das Indústrias, Energias, Serviços e Águas de Portugal (SIEAP)

“A partir de hoje ficam sem emprego com o encerramento da central, ou seja já têm as cartas de despedimento”, disse o representante do sindicato do sector, Egídio Fernandes, à agência Lusa.

Estes trabalhadores, a partir da próxima segunda-feira, 4 de Janeiro, “vão apresentar-se no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) para solicitar o respectivo subsídio de desemprego e reemprego”, adiantou.

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A EDP recebeu as autorizações necessárias para encerrar a actividade na central a carvão de Sines a partir de 15 de Janeiro e pretende fazê-lo nessa mesma data, disse hoje fonte oficial da empresa à Lusa.

De acordo com o sindicalista Egídio Fernandes, “nas últimas duas semanas, o IEFP, tem feito acções de informação com um conjunto muito alargado de trabalhadores directos e prestadores regulares de serviços da EDP sobre o subsídio de desemprego, reemprego e condições de acesso à reforma”.

“Neste momento estão a decorrer acções individuais para analisar a situação social, de emprego e académica de cada trabalhador, para a possibilidade de integrarem acções de formação com vista a novos empregos que, eventualmente, virão para Sines”, indicou.

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A solução para estes trabalhadores “que prestam serviços em instalações essenciais ao funcionamento da central, e alguns deles há mais de 30 anos”, poderá ser a “nova indústria do hidrogénio” verde, cujo início da construção está previsto para 2021 e o arranque da produção para 2022.

“A acontecer prevemos que alguns destes trabalhadores poderão integrar a exploração da nova indústria”, admitiu o sindicalista, considerando que “uma transição energética justa” passa por “um reemprego imediato destes trabalhadores que são técnicos qualificados e altamente qualificados”.

O sindicato defende que “sejam considerados “trabalhadores em trânsito”, ou seja de uma empresa para outra e não desempregados”.

“Nestes processos há sempre trabalhadores que não são reintegrados, outros que irão optar por outra vida mas o nosso objectivo é manter e até, se possível, reforçar o emprego na região do litoral alentejano”, revelou.

Quanto aos trabalhadores da EDP, “uma parte deles têm o problema em vias de resolução, mas há um grupo mais pequeno, de trabalhadores com menos de 50 anos, que não têm solução à vista”.

“Numa primeira fase alguns ficarão na central porque é necessário fazer o descomissionamento e outros terão que ser movimentados para outros locais de trabalho da EDP, sendo que o mais perto será Setúbal, Beja ou Évora”, explicou o dirigente do SIEAP.

Dos 109 trabalhadores que “inicialmente estavam com problemas da pré-reforma, reforma, mobilidade ou não, há sete ou oito trabalhadores que não sabemos para onde vão após o encerramento e há um problema ainda com cerca de 16 trabalhadores que não sabemos se aceitarão a pré-reforma”, disse Egídio Fernandes.

“Estamos em conversações com a EDP porque as condições que se fazem nestas circunstâncias são condições de acordo e as condições de acesso à reforma ainda não são muito claras, mas creio que seja resolvido e iremos pugnar para que haja um menor prejuízo possível”, concluiu.

HYN // MSF /Lusa

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