17 Abril 2021, Sábado
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Várzea com bacias de retenção a funcionar “em pleno”

Vereador Carlos Rabaçal diz que, nestas últimas semanas de chuva, que foram o primeiro teste, o sistema respondeu plenamente

 

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Em Novembro de 2018, a Câmara Municipal de Setúbal anunciou que, na zona da Várzea, a cidade ia ter um dos “maiores parques urbanos do país”. Dois anos depois, as obras de regularização das bacias de retenção da Ribeira do Livramento e da Ribeira da Figueira estão concluídas. Foram plantadas cerca de mil árvores, arbustos, e criados circuitos pedonais que, com uma extensão total de dois mil metros, atravessam todo o parque.

Em entrevista a O SETUBALENSE, Carlos Rabaçal, vereador da Câmara Municipal de Setúbal responsável pelo Departamento de Obras Municipais, faz um ponto de situação sobre o Parque Urbano da Várzea, e explica o que falta fazer.

Urbanismo sustentável e várias valências

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“Por razões que têm que ver com as alterações climáticas, mas também com uma necessidade de muitas décadas de conter as cheias em Setúbal, evoluímos para a construção de grandes bacias de retenção”, começa por dizer. “Estas bacias envolvem duas ribeiras, a Ribeira da Figueira e a Ribeira do Livramento, que foi contida na Várzea, numa obra pesada, que custou dois milhões e meio e tem mais dois milhões e meio a concretizar”, continua.

Entretanto, “tiveram que ser adquiridos terrenos e encontradas várias soluções até se conseguir que a bacia atingisse a sua actual dimensão de 19 hectares”. Tendo em conta a sua localização e dimensão, a autarquia decidiu “transformá-la num grande parque urbano” e com esta decisão “resolveram-se vários objectivos”. A contenção de cheias; a descarbonização, na medida em que no parque já existem mil árvores, de um total de duas mil, muitos arbustos e espaço verde; a vertente lúdica e social do grande parque central e a requalificação da envolvente, com novas urbanizações, rotundas, caminhos, passeios e ciclovias, são assim as respostas que o Parque da Várzea, também conhecido como “O Coração de Setúbal”, vem trazer à cidade. “Este parque constitui uma peça central de urbanismo sustentável. São vários objectivos no mesmo equipamento, que valorizam muito a cidade e dão uma capacidade de resposta de um equipamento que não existia em Setúbal com esta dimensão”, considera.

“A regularização das ribeiras funcionou em pleno”

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Concluída a bacia da Várzea, e a funcionar, “nas últimas chuvas intensas, as ribeiras correram muito bem, nunca encheram, não extravasaram. Comportaram-se muito bem. A regularização funcionou em pleno”, garante o vereador, para depois acrescentar que “isto significa que é preciso muito mais chuva para que as ribeiras transbordem para as bacias”. Por seu turno, a água que cai na própria bacia “fica ali, não vai para a ribeira, o que dá origem àquele aspecto de lacustre na zona da bacia mais perto da Avenida da Europa”.

Trabalho continua sem fundos comunitários

O autarca diz que está a decorrer uma candidatura, por parte da Câmara Municipal de Setúbal, a fundos comunitários para realizar este projecto. São pouco mais de 3 milhões para essa candidatura, da qual o município está à espera para arrancar com o parque no seu todo. “Até lá, decidimos que não podíamos estar à espera deste dinheiro, que não sabemos exactamente se vem. O parque tem que andar e nós pusemo-lo a andar com os meios que temos”, partilha Carlos Rabaçal. “Fizemos recentemente uma grande plantação de árvores, cerca de mil, e de arbustos. A manutenção do jardim está entregue à empresa que interveio nos espaços verdes durante a obra e que depois se manteve. Conhece muito bem o parque e está a fazer um excelente trabalho”, continua, referindo que “até agora fizemos dois mil metros de caminhos, em duas fases, que já têm pessoas a circular”.

O vereador avança ainda que pretendem “realizar, com ou sem fundos comunitários, a rede de rega, com dois furos para a rega global mas também para alimentar o lago quando não houver chuva”. Por agora, as águas do lago encontram-se a ser tratadas e assim continuarão até Maio/Junho. “Só podemos fazer o lago a partir dessa altura, quando está seco. Será um lago naturalizado, como o da Algodeia”, desvenda, justificando que “como a zona à volta do lago é potencialmente alagável, este será circundado de passadiços sobrelevados”.

Em execução está ainda “uma pré-instalação da rede eléctrica” e prevê-se que até ao final do ano também a iluminação dos caminhos estará concluída. Nas palavras de Carlos Rabaçal, estes são trabalhos que envolvem cerca de um milhão de euros e que “já estamos a fazer, garantindo uma máxima utilização crescente em segurança. Depois, em chegando fundos comunitários, é uma coisa que se faz em menos de um ano”.

No seu todo, o projecto envolve caminhos, passagens hidráulicas, equipamentos, quiosques, passadiços sobrelevados, um parque infantil e zonas de restauração, jogos e espectáculos. “É um programa muito vasto mas que deixa o parque com uma grande respiração e amplitude”, assegura Carlos Rabaçal, revelando que, no futuro, será criada “uma estrutura orgânica própria da autarquia para a gestão deste parque, que carece de uma equipa focada nele”. Na Várzea, há ainda um olival de árvores centenárias, será criado o Jardim das Geminações, onde serão representadas as geminações de Setúbal através de espécimes de cada país, e na lateral do parque está ser construído pelos TST um parqueamento para as suas viaturas.

Do Livramento à Figueira, da Várzea à Algodeia

Se o Parque da Várzea resulta da regularização de cheias da Ribeira do Livramento, a ampliação do Jardim da Algodeia resulta da regularização de cheias da Ribeira da Figueira, “a ribeira que inundou a cidade nas suas duas últimas grandes cheias”.

Foi regularizada, numa obra que entre a sua regularização e a respectiva bacia custou exactamente um milhão, 101 mil e 777 euros e 24 cêntimos. “Foi feito um trabalho hidráulico absolutamente espantoso e a actual bacia vai permitir ampliar o Parque da Algodeia para norte da ribeira”, refere. Esta zona nova introduz valências, como o Campo de Rugby e o Skate Parque, que já estão a ser utilizados. Para além disso, estão previstas zonas de estar, interpretação ambiental e hortas urbanas, “recuperando alguns dos hortelãos que ali trabalhavam, esses espaços serão constituídos em interface com um centro de intervenção ambiental, de forma a relacionar as escolas e os jovens com a horticultura”. Carlos Rabaçal informa que para a Algodeia não existem até ao momento candidaturas: #o trabalho será feito com os nossos meios. Estamos a fazer o projecto de execução para a Ribeira da Figueira, para a Algodeia Norte”, adiantando que está previsto o término do mesmo até final do ano e reforçando que depois há que “continuar a trabalhar”.

Em ambas as bacias de retenção, resolve-se também uma questão de segurança da cidade de Setúbal, que de cada vez que chovia muito se via a braços com situações de cheias, nas quais eram gerados “enormes prejuízos”. Neste sentido, o vereador Carlos Rabaçal recorda até os elogios que o Parque Urbano da Várzea mereceu do Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, aquando da sua visita. “Valorizou muito pela dupla função, a de contenção das cheias, das alterações climáticas, e de toda a panóplia de matérias ambientais associadas, mas também pela perspectiva cultural e do impacto urbano”, remata.

 

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