16 Maio 2022, Segunda-feira
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Associação da Indústria da Península de Setúbal receia que Covid-19 ‘afogue’ empresas

Consequências severas para muitas empresas da região, que vão necessitar de ajuda para pagar os salários e outros encargos

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A Associação da Indústria da Península de Setúbal (AISET) admitiu hoje que a pandemia de covid-19 vai ter “consequências severas” para muitas empresas da região, que vão necessitar de ajuda para pagar os salários e outros encargos.
“Ainda estamos a recolher informação, mas é certo que as consequências económicas da pandemia vão ser muito severas para muitas empresas da região e do país”, disse à agência o director executivo da AISET, Nuno Maia, .
“O Governo parece estar atento e tem introduzido sucessivas alterações para melhorar as suas propostas. Mas são necessárias mais medidas com maior volume financeiro e maior alcance, para que as empresas consigam ultrapassar as dificuldades deste momento e estejam em condições de retomar a actividade económica num futuro próximo”, acrescentou o responsável da AISET.
A AISET representa dezenas de empresas da Península de Setúbal, incluindo algumas das maiores exportadoras nacionais, como a Autoeuropa, Navigator, Secil e Lusosíder, entre muitas outras.
A Metalomecânica Três Triângulos, uma empresa com cerca de 180 trabalhadores no Pinhal Novo, concelho de Palmela, é uma das associadas da AISET que está a atravessar um momento particularmente difícil, dado que tem grandes encomendas já entregues, mas que ainda não foram pagas, e outras, já com produto acabado, que não consegue exportar nem sabe ainda se os clientes que fizeram essas encomendas estão em condições de as pagar.
“Tenho cerca de 50 toneladas de material, no valor de 350 mil euros, que não consigo entregar, pelo que não posso fazer a transferência de propriedade, nem sequer posso facturar”, disse à agência Lusa o sócio-gerente da empresa, Jorge Costinha.
“Além disso, tenho ainda 300 mil euros em trabalho já entregue, faturado e vencido que não é pago. Nem há previsão de pagamento. O cliente em questão fechou temporariamente devido à pandemia”, acrescentou.
Segundo Jorge Costinha, “estas situações, aliadas ao cancelamento de encomendas, algumas com 40 por cento do trabalho já realizado, e a dispensa, inesperada, de alguns trabalhadores em serviços de manutenção no exterior”, colocaram a empresa numa situação extremamente difícil.
“Estamos a fazer um grande esforço para reintegrar todos estes trabalhadores externos, a dispensar alguns mais recentes que estão há muito pouco tempo na empresa, mas, mesmo assim, poderemos ser obrigados a recorrer ao ‘layoff’”, disse o responsável da Metalomecânica Três Triângulos.
O cenário também não é risonho para uma das maiores empresas de transportes públicos da região, a TST (Transportes Sul do Tejo), que registou uma quebra de 80% da procura devido à pandemia covid-19, a que se junta o incumprimento de alguns utentes, que, erradamente, se convenceram de que não necessitavam de título de transporte neste período de pandemia.
Para esclarecer esta situação, a Área Metropolitana de Lisboa emitiu hoje um comunicado a sublinhar a necessidade de todos os utentes terem o respectivo título de transporte para viajarem nos transportes públicos.
Preocupadas com as consequências da pandemia, algumas empresas estão a fazer reajustamentos na organização do trabalho, mas os sindicatos advertem para eventuais aproveitamentos, como dizem estar a acontecer numa empresa multinacional de Palmela.
De acordo com o Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas (SIESI), há uma empresa que está a enviar trabalhadores para casa sem a respectiva informação, o que poderá configurar uma situação de incumprimento da legislação em vigor.
O sindicato adverte que mandar os trabalhadores para casa sem a respectiva informação a que as empresas estão obrigadas nestas situações significa que poderão ter de assumir que os dispensaram com a garantia de todos os direitos, como se estivessem a prestar trabalho efectivo.

Lusa

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