PCP defende penalização da Amarsul por infrações ambientais

PCP defende penalização da Amarsul por infrações ambientais

PCP defende penalização da Amarsul por infrações ambientais

Documento entregue na AR pelos deputados comunistas faz referência ao esgotamento da capacidade dos aterros existentes no Seixal e Moita/Palmela

O Grupo Parlamentar do PCP apresentou um projeto de resolução onde defende que sejam acionadas medidas penalizadoras de infrações ambientais que afirma estarem a ocorrer nas infraestruturas geridas pela Amarsul na Moita/Palmela e Seixal.

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“Os danos ambientais que hoje se verificam e que afetam com maior gravidade as populações dos concelhos da Moita, Palmela e Seixal, exigem a tomada de decisões urgentes, e a assunção de medidas corajosas por parte do Governo, nomeadamente a penalização do infrator – Mota/Engil por ação negligente e atentatória do ambiente e qualidade de vida das populações, e a reversão da privatização desta empresa”, advoga o PCP.

A Amarsul é uma empresa dedicada à gestão dos resíduos sólidos urbanos dos municípios da Península de Setúbal, com uma estrutura acionista liderada pela EGF (Empresa Geral do Fomento, S.A.), que detém 51% do capital e controlada pelo Grupo Mota-Engil (através da SUMA), cabendo aos restantes municípios da Península de Setúbal a titularidade dos restantes 49%.

O documento entregue na Assembleia da República pelos deputados comunistas faz referência ao esgotamento da capacidade dos aterros existentes nos dois maiores Ecoparques que a Amarsul detém na Península de Setúbal – Seixal e Moita/Palmela.

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No texto, o Partido Comunista defende que a empresa deve ser obrigada a tomar medidas de contingência corretivas dos problemas existentes, nomeadamente que evitem a invasão do aterro por aves e derrames dos lixiviados para as linhas de água e para o subsolo.

É ainda defendido que seja promovido de imediato, com o envolvimento dos municípios, o estudo das medidas necessárias para a criação de soluções que garantam condições para a recolha e tratamento de resíduos no futuro.

Outra das reivindicações do PCP é que seja iniciado o processo de reversão da privatização da empresa.

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Na exposição de motivos, o PCP refere que “recentes notícias sobre o esgotamento da capacidade dos aterros existentes nos dois maiores Ecoparques da Amarsul na Península de Setúbal – Seixal e Moita/Palmela -, e os lixiviados que são derramados” suscitam as maiores preocupações com os riscos ambientais que estão a gerar na região, e de modo mais acentuado nestes três concelhos dos nove em que esta empresa tem responsabilidade pelo tratamento e valorização dos resíduos urbanos.

Esta situação, segundo o PCP, é reveladora da existência por parte da Amarsul/Mota-Engil de uma estratégia de condicionamento do desenvolvimento da empresa, em claro prejuízo das populações, dos municípios e do país.

“Cada vez está mais claro e reconhecido que a situação se encaminha de modo acelerado para o esgotamento da capacidade de receção em aterro nestes dois Ecoparques, onde existem infraestruturas para esse efeito, sem que a Amarsul/Mota-Engil tenha investido, como era sua obrigação, na sua substituição e [que] já hoje [estão] a operar muito para além do que era recomendável e previsto aquando da sua construção”, explica o PCP.

Considera esta força política que a situação é o resultado de uma “ação predeterminada para colocar os municípios da margem sul a terem de vir a efetuar o transporte dos resíduos para fora da Península de Setúbal, para uma infraestrutura gerida pela Valorsul, empresa detida pelo grupo Mota-Engil”, e que isso indicia o agravamento dos custos da operação e maiores problemas ambientais.

Na última reunião da Amarsul, o município da Moita votou contra o relatório de gestão e contas da empresa de 2025, por prever a distribuição de 1,2 milhões de euros em dividendos ao acionista privado.

Segundo o município da Moita, a canalização de lucros para dividendos — num momento em que o serviço prestado regista deficiências significativas — constitui uma afronta aos munícipes dos nove concelhos abrangidos (Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal).

Quanto à atuação da Amarsul, a Moita considera que é notória a persistência de graves problemas operacionais, que se traduzem em falhas recorrentes na recolha de resíduos recicláveis, na existência de contentores danificados e na acumulação de lixo na via pública — situações que têm motivado um número crescente de reclamações por parte dos munícipes.

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