7 Dezembro 2022, Quarta-feira
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Teatro Estúdio Fontenova leva a palco “Caim ou a divina cegueira” a partir da obra de Saramago

Entre amanhã e dia 20, a peça integra as comemorações do centenário do Nobel de Literatura

 

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Neste mês de Novembro, o Teatro Estúdio Fontenova (TEF) leva a história de “Caim”, da autoria de José Saramago, a palco pela primeira vez em Portugal, num espectáculo a estrear no Fórum Municipal Luísa Todi.

“Caim ou a divina cegueira” surge, de acordo com Graziela Dias, da equipa TEF e uma das actrizes, “da vontade expressa da Câmara de Setúbal em que houvesse na cidade umas comemorações bastante fortes à volta da figura e da obra de Saramago”.

“E que neste sentido fizéssemos algo, tal como outras companhias. Isso despertou em nós vontade de fazer e por isso aceitámos”, explicou. Foi, para a equipa, “um desafio pegar na obra do prémio Nobel e tem sido um processo desafiante, mas apaixonante”.

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“Fomos arrojados no sentido de o fazer com um olhar contemporâneo. Este é um ‘Caim’ dos nossos dias”, continua. Segundo a co-criadora, estão “a tratar questões muito complicadas, sensíveis e fracturantes, como a religião, e, não querendo ferir susceptibilidades”, têm “de meter o dedo na ferida e questionar”.

“Para o TEF o teatro tem sido sempre isso. A arte tem para nós esse papel, que não é meramente de entretenimento. Tem de levantar questões, tem de nos fazer pensar e reflectir. Temos de mudar e transformar”.

Na sinopse do espectáculo, pode ler-se que, em “Caim”, Saramago “dá-se à liberdade de narrar, a seu bel-prazer, episódios do Antigo Testamento, sublinhando o perfil menos recomendável do Deus bíblico ancestral”.

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“Caim, o primeiro dos assassinos, adquire protagonismo num diálogo directo com Deus, em doses copiosas de ironia e sarcasmo, com que Saramago os retrata, munidos de todas as imperfeições da humana natureza”.

Ao fazer ‘nascer’ este espectáculo, a companhia de teatro homenageia “esta figura maior da criação literária” e diz ser “conveniente não cair na tentação de considerar este Deus uma criação humana ou sequer reforçar a narrativa do uso do nome de Deus para justificar jogos bélicos, ávidos de poder, de onde o divino se ausentou para parte incerta”.

Para José Maria Dias, responsável pela encenação e dramaturgia do espectáculo, esta última a par de Armando Nascimento Rosa, “fazer Saramago logo por si é questionador da sociedade e da presença do homem, da humanidade na terra e das relações”.

“Esta encenação, moderna e contemporânea, é minha, mas é uma criação colectiva. Todos têm dado o seu contributo”, frisou.

“[No processo] tentámos sempre ser o mais fiel possível ao romance. Demos-lhe a nossa visão, a nossa roupagem, e fizemo-lo, de certo modo, de uma forma irónica porque o próprio texto é muito irónico, embora fale de coisas muito sérias”, acrescentou.

Chegar a este resultado foi, pela sua experiência, “muito difícil”. “Comecei a trabalhar em três obras ao mesmo tempo, ‘O ensaio sobre a cegueira’, ‘O ensaio sobre a lucidez’ e ‘Caim’, para as misturar porque casam muito bem. Por várias razões, eu e o Armando Nascimento Rosa acabámos por nos centrar apenas no ‘Caim’ e acredito que conseguimos um bom trabalho ao nível do texto e da dramaturgia”.

Também a nível artístico, diz estarem “a construí-lo”. “Acho que estamos a ir por um bom caminho. As pessoas estão a divertir-se e esperamos que o público também vá gostar. Sabemos que é uma coisa polémica e vai haver quem goste muito e quem deteste”.

Livro que serviu de base será apresentado na Culsete

Este trabalho, que levou a “horas de debate” sobre o livro, o autor, a política, a religião e a fé, assim como a “ponderações inadiáveis” sobre o cartaz, a sinopse, o cenário, os figurinos, a música e a interpretação, pretende levantar igualmente diversas questões junto do público.

“Nunca tínhamos feito Saramago e o texto, como todos os bons textos, levanta muitas questões, mais pessoais ou mais colectivas, políticas, filosóficas e também sobre religião, espiritualidade, hegemonia cultural, diferenças de poder, entre outras”, sublinha Tomás Barão, responsável pelo design de comunicação e produção executiva.

“Tudo isso levou-nos a discussões que não conseguimos de todo evitar antes de nos lançarmos ao palco”, salientou.

“Tal como Deus e Caim, a única coisa que sabemos é que continuamos a discutir e que a discutir estaremos ainda até ao fim dos tempos. Hoje, pensar é um acto revolucionário. Pensemos!”, diz a equipa TEF.

Além das sessões, marcadas para os dias 11, 12, 15, 16, 17, 18 e 19 do presente mês, pelas 21 horas, 13 e 20, às 16 horas, e espectáculo para escolas no dia 14, pelas 15 horas, no Fórum Municipal Luísa Todi, este trabalho será também apresentado num livro com o mesmo nome, que serviu de base para o espectáculo.

A 12, às 16 horas, a livraria Culsete recebe este momento, com uma conversa com o elenco, o encenador José Maria Dias e o dramaturgo Armando Nascimento Rosa.

A co-criação e interpretação está a cargo de Clara Passarinho, Fábio Vaz, Graziela Dias, João Mota, Patrícia Paixão, Sara Túbio Costa, Tiago Bôto e Wagner Borges, com assistência e encenação de Rosa Dias, cenografia de José Manuel Castanheira, desenho de luz de José Maria Dias e Rosa Dias.

O apoio ao movimento é da responsabilidade de Iolanda Rodrigues, os figurinos de Maria Luís e a música de Jorge Salgueiro. A sonoplastia está entregue a Emídio Buchinho, a fotografia é de Helena Tomás e o vídeo integral e o teaser contam com assinatura de Bere Cruz.

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