4 Dezembro 2022, Domingo
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Festa da Ilustração capta mais público e foi acrescentada até Novembro

É a maior mostra sobre ilustração que se realiza em Portugal, e não só. Está cada vez mais consolidada em Setúbal

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Com mais público, mais locais de exposição e mais iniciativas agregadas, a Festa da Ilustração está consolidada na agenda cultural de Setúbal. “Em 2015, começámos com dez locais de exposição no concelho, agora são quinze. Isto é único no mundo, nem em New York (EUA) acontece algo assim com exposições de grande qualidade com a participação de ilustradores internacionalmente reconhecidos”, afirma José Teófilo Duarte, curador desta festa que, ao fim de oito edições, insiste na mesma pergunta: “É preciso fazer um desenho?”.

Prevista inicialmente para decorrer durante o mês de Outubro, a Festa da Ilustração foi agora reprogramada para se estender até ao fim de Novembro e, no último sábado deste mesmo mês, dia 26, realiza-se um acontecimento marcante; João Paulo Cotrim é homenageado com a apresentação de um livro que escreveu sobre ilustração.

João Paulo Cotrim, que morreu a 26 de Dezembro de 2021, dirigiu a Bedeteca de Lisboa – dedicada à banda desenhada – foi jornalista, escritor, editor e guionista. Foi com ele que Teófilo Duarte apresentou o projecto da Festa da Ilustração, em 2015, à Câmara de Setúbal. O parisiense jornal satírico “Charlie Hebdo”, a 7 de Janeiro do mesmo ano, foi vítima de um massacre terrorista onde morreram 12 pessoas, parte delas da equipa do jornal; daqui a ideia de homenagear a ilustração, arte base desta publicação.

Teófilo Duarte
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“A Festa da Ilustração não é uma homenagem à morte, mas sim à vida, à liberdade e ao carácter dos ilustradores”, diz o seu curador. É assim que Cotrim é relembrado e homenageado na edição deste ano. “Ele, [João Paulo Cotrim] marcou a ilustração em Portugal ao dar mais autenticidade e dignidade à ilustração no País; estimulou o conhecimento para o trabalho feito pelos ilustradores”. E acrescenta: “Com ele, praticamente nasceu a edição da literatura desenhada; a ilustração como objecto literário”.

Um dos ilustradores representados na primeira edição da Festa da Ilustração foi Tignous, um dos ‘desenhadores’ no “Charlie Hebdo” que morreu no atentado, uma exposição que foi um marco e contou com a presença da sua viúva. Desde então a mostra tem vindo em crescendo. “Este ano, é visível que há mais público, e não só pessoas de Setúbal, mas de todo o País e mesmo de outros países”, refere Teófilo Duarte.

Ana e Maria, uma de Lisboa e outra de Évora, na passada sexta-feira combinaram encontrar-se na Casa da Cultura. Conheceram-se no Instituto Politécnico de Setúbal, vieram revisitar a cidade e foram surpreendidas pela exposição do trabalho de instinto criativo de Alain Corbel e a Loja do Mestre André, de André Letria. Primeiro comentaram: “É giro”, depois “interessante”. E seguiu-se: “Obriga a pensar”, e veio a pergunta: “A exposição é só aqui?”. Ficaram a saber que são 15 os espaços em Setúbal dedicados à “Festa da Ilustração”. Marcaram rumo em direcção à Casa da Avenida e depois à Galeria do Quartel do 11.

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São três espaços que Teófilo Duarte recomenda como obrigatórios e que, juntamente com a mostra na Biblioteca Municipal, e possivelmente outros, vão estar abertos ao público até ao fim de Novembro.

Além das exposições, o programa remete para iniciativas como a que decorreu no passado sábado, com a apresentação do livro “Dança”, na Casa da Cultura, dedicado aos vários estilos desta arte. Os destaques seguintes de Teófilo Duarte vão para 29 de Outubro com a apresentação do catálogo “Ilustração Portuguesa”, na Gráfica – Centro de Criação Artística, que vai reunir todos os ilustradores presentes nesta publicação, o livro “Postais” de André Ruivo e o livro de José de Lemos “Muito Amarelo”.

Como maior relevância aponta a obra gráfica de João Paulo Cotrim “Foi um prazer”, a ser apresentada a 26 de Novembro e que marca o fim da edição deste ano da “Festa da Ilustração”.

Desafio à dança em conhecimento e imaginação

André Letria, Inês Fonseca Santos e Daniel Tércio

“Dança”, o livro ilustrado por André Letria, escrito por Inês Fonseca Santos e que teve Daniel Tércio como consultor, foi apresentado ao público no passado sábado e marcou a tarde na Sala José Afonso da Casa da Cultura, na cidade de Setúbal. “Tudo neste livro é adorável”, comentou Inês Fonseca Santos.

Na apresentação desta obra, que atravessa os vários estilos da dança, veio a referência ao que disse Cícero, “dançar é indigno e reprovável” e, sobre o que disse o filosofo e político romano, que viveu no período 63 a.c., salta o comentário “Cícero ficou derrotado pela saudável vontade de as pessoas abanarem-o-capacete”.

“A Inês, o André e o Daniel deram uma aula de prazer e alegria”, comentou o curador da Festa da Ilustração, José Teófilo Duarte. “Usámos o conhecimento e a imaginação. Tudo é possível. Todos podemos dançar. A criatividade trata disso. Dançámos”.

 

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