26 Janeiro 2023, Quinta-feira
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Festa do Avante! abre com concerto de homenagem a José Saramago

A obra do Nobel da Literatura refere vários temas musicais. Composições que se vão ouvir no Palco 25 de Abril

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O concerto sinfónico que abrirá a Festa do Avante!, na noite de 2 de Setembro, no Seixal, é consagrado ao centenário de nascimento do  romancista, dramaturgo e poeta José Saramago, o único Prémio Nobel (1998) de que os portugueses se podem orgulhar no campo da Literatura. No Palco 25 de Abril, às 22h00, vai ouvir-se música de autores citados em vários livros de Saramago, e também música original inspirada na sua obra. Uma homenagem que tem como tema “Música nas palavras de Saramago”.

“A obra de Saramago inspirou vários compositores a criarem peças musicais relacionadas com os seus textos, tanto na música popular como na chamada música erudita. Para este concerto sinfónico o exemplo vem de uma peça criada pelo português António Pinho Vargas, que compôs Memorial, dedicada aos romances Ensaio Sobre a Cegueira, As Intermitências da Morte e Ensaio Sobre a Lucidez”, assim explicam os responsáveis do Partido Comunista sobre a inclusão deste espectáculo no denso e diversificado programa da Festa (música, nas suas variadas manifestações, teatro, pintura, fotografia, gastronomia, folclore, desporto, artesanato).

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Todo o dito é para ser ouvido

Escreveu José Saramago nos Cadernos de Lanzarote: “Todas as características da minha técnica narrativa actual provêm de um princípio básico segundo o qual todo o “dito” se destina a ser ‘ouvido’. Certas tendências, que reconheço e confirmo, suponho que me vêm de uma certa ideia de um discurso oral tomado como música”.

Tudo indica que, antes de se lançar à escrita, o escritor dava ouvidos à “música das palavras”. Há quem opine que, a relação de Saramago com a música está não só “neste discurso fonético, mas está também no conteúdo dos seus romances”.  Saramago sabia fazer com que a Literatura convivesse com a “música na mais perfeita harmonia”.

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Esta simbiose artística e as referências musicais que surgem nas suas obras despertaram a atenção de vários compositores. Um exemplo: em O ano da Morte de Ricardo Reis, quando Pessoa diz à personagem que inspira o título “É mulher, Bravo, feito D. João nessa sua idade, duas em tão pouco tempo, parabéns, para mil e três não lhe falta tudo”. Trata-se aqui de uma referência à ária Madama mia, il catalogo é questo, da ópera Don Giovanni, de Mozart.

O compositor António Pinho Vargas fala-nos do seu Memorial para Orquestra Sinfónica: “O principal desafio da composição desta obra, escrita para a celebração dos 20 anos do Prémio Nobel, era tentar usar, dos modos que fosse capaz de encontrar, as grandes metáforas da trilogia de José Saramago, Ensaio sobre a Cegueira, Ensaio sobre a Lucidez e As Intermitências da Morte. Este último livro permaneceu no meu trabalho como pano de fundo, painel subterrâneo ou lugar indizível. Assim sendo, os títulos dos quatro andamentos são: I Da Cegueira, II Da Cegueira (con basso profondo), III Da Violência e IV Da Lucidez (as luzes)”.

E continua: “Foi durante o processo composicional que os dois primeiros andamentos, muito ligados nos seus materiais, me conduziram ao uso do termo basso profondo, não no seu sentido literal, mas como signo que assinala uma melodia grave, um baixo que emerge e anuncia as consequências terríveis da epidemia da cegueira. Em termos formais faz a ligação ao III, uma figuração musical possível das violências de vários tipos que percorrem os três romances. O IV andamento – Da Lucidez (as luzes) – é, ele próprio, tripartido: uma introdução, uma nova epidemia branca e um “acender de luzes” fifinal que abre uma esperança, uma possibilidade nova sempre renovada, que termina num determinado acorde sem resolução. Essa é a metáfora musical final: as luzes permanecem acesas enquanto potência-por-vir”.

Livros em música

Ouvindo Beethoven, Memorial do Convento, Ensaio sobre a Cegueira, Ensaio Sobre a Lucidez, As Intermitências da Morte, D. Giovanni ou o Dissoluto Absolvido e Clarabóia são os livros de Saramago inspiradores deste concerto, que a Orquestra Sinfonetta de Lisboa, fundada em 1995 e dirigida pelo maestro Vasco Pearce de Azevedo vai levar a palco.

Como solistas, participam no conbcerto a soprano Alexandra Bernardo, o barítono Armando Possante, a cravista Mafalda Nejneddine e o violinista Marco Pereira, todos eles sobejamente conhecidos no panorama da música sinfónica português e internacional.

Na Quinta da Atalaia vão soar acordes de Beethoven, Scarlatti, Bach, Elgar e Mozart e António Pinho Vargas.

 

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