9 Agosto 2022, Terça-feira
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Soprano sadina Marisa Rodrigues enche Igreja do Convento de Jesus em Setúbal

Associação Setúbal Voz, através do seu Ateliê de Ópera de Setúbal, promoveu o 13.º Recital

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A Igreja do Convento de Jesus, em Setúbal, voltou a encher para mais um recital promovido pela Associação Setúbal Voz, através do seu Ateliê de Ópera de Setúbal, desta vez para ouvir a soprano sadina Marisa Rodrigues, que foi acompanhada ao piano por João Malha. Um concerto que finalizou com a participação dos membros masculinos do grupo Flamenquitos de Santiago, alunos de etnia cigana do Agrupamento de Escolas Ordem de Sant’iago em Setúbal.

Marisa Rodrigues escolheu um repertório onde colocou a sua voz com timbre redondo e considerável volume aveludado, tendo aberto o concerto com a peça “O Del Mio Dolce Ardor” da ópera “Paride ed Elena” de Gluck.

Numa atmosfera onírica que não se interrompia no final de cada ária, a segunda interpretação do recital foi “Io Son L’umile Ancella” da ópera “Adriana Lecouvreur” de Cilea, onde Marisa mostrou o equilíbrio dos registos grave, médio e agudo. Seguiu-se a ária “Deh Vieni Non Tardar” da ópera “Le nozze di Figaro” de Mozart e um dos momentos mais belos na dramaturgia do recital que transmitiu o sentido dos gestos anteriores de Marisa ao rasgar uma espécie de véu invisível, a libertação para o amor, tema de várias peças interpretadas.

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“Chi Vuol Comprar La Bella Calandrina”, uma canção do compositor setecentista Niccolò Jommelli, texto singelo, mas que no contexto do recital adquiriu um significado de mudança, uma peça muito bem interpretada pela Marisa, com humor e expressão.

O momento da manhã de sábado foi a ária “Mon Coeur Souvre A Ta Voix” da ópera “Samson et Dalila” de Saint-Saëns, de uma profundidade expressiva que levou grande parte do auditório às lágrimas, a mulher que se tinha conseguido libertar para expressar o seu amor e a vontade de mudança via-se agora na contingência de implorar ao amado que lhe respondesse à sua ternura. A voz, a expressão e a figura bela e romântica do figurino e penteado de Marisa, tudo junto, tornou este o momento mais emocionante do recital.

No fim da ária, quando Dalila evoca Sansão, Marisa Rodrigues dirigiu-se a um dos membros dos Flamenquitos, que se levantou; nesse momento todos os meninos se levantaram personificando as mil faces de Sansão. O momento foi seguido por uma canção dos Flamenquitos composto pelos meninos do grupo a que se seguiu a Seguidilla da ópera Carmen e o segundo tema dos Flamenquitos. O concerto terminou com “Hallelujah” de Leonard Cohen cantado pela Marisa e pelos Flamenquitos num final emocionante pela simbologia das mãos dadas entre todos.

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