27 Maio 2022, Sexta-feira
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Livreiros da cidade registam necessidade de fomentar hábitos de leitura entre os setubalenses

Amanhã, sábado, celebra-se o Dia Internacional do Livro

 

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Cada livro é um mundo a descobrir e O SETUBALENSE foi descobrir de que se faz o mundo dos livros na cidade. Em entrevista, as livrarias Culsete, Uni Verso, Galopim Livros e Hemus falam das suas experiências e da visão que têm da cidade de Setúbal enquanto consumidora de livros.

Rita Siborro e Raul Reis são livreiros na Culsete há três anos, parte de uma história que começou em 1973. Pretendem manter a aposta nas editoras independentes, por considerarem que este é um dos caminhos futuros do livro, e desejam fomentar nas pessoas o hábito de passear na livraria, no sentido de pelo menos respirarem os livros.

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“No nosso panorama, Setúbal é uma cidade com pouco consumo de livros, ainda que tenha um conjunto de pessoas, nossas clientes, interessadas, interessantes e conhecedoras do que é o livro e o mercado do livro”, começa por dizer Rita Siborro a O SETUBALENSE.

“Os mais velhos e os mais novos têm hábitos mais implementados de leitura. As faixas etárias dos 12 aos 30 precisam de ser trabalhadas. As livrarias são ainda assim um local onde as pessoas têm medo de entrar e estamos a fazer por mudar isso”, acrescenta.

Os clientes da Culsete são, no entender de Raul Reis, “pessoas conhecedoras e com hábitos de leitura. Os mais novos têm dificuldade em vir explorar a livraria. Notamos o crescimento da procura por parte de jovens adolescentes, com oferta de livros mais direccionados para os mangas, literatura inglesa e livraria de jovem adulto, mas não é ainda suficiente”.

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Os hábitos digitais podem, na sua perspectiva, ser parte da justificação, uma vez que “os telemóveis ganharam muito terreno e os hábitos de leitura mudaram muito também por isso”.

Raul define o livro como “um objecto poderoso, capaz de abrir mundos” e na hora de eleger o seu autor preferido não tem dúvidas: Gonçalo M. Tavares. Contudo, “existem tantos por ler”. “Com certeza podemos vir a descobrir que gostamos tanto ou mais. Conseguirmos ler livros e surpreender-nos é a coisa mais espectacular”.

Entre os temas mais procurados na Culsete estão a literatura, a ficção, a poesia e os ensaios. “Não são tanto pessoas que andam à procura da novidade, na grande maioria sabem exactamente o que querem, o que, enquanto livreiros, nos faz ter ainda mais necessidade de estar a par”, partilha Rita Siborro, que elege ficção, poesia e livros que aliem fotografia a pequenos pensamentos, sem esquecer o livro infantil, como os seus favoritos.

Sobre como vêem o futuro, Rita e Raul acreditam que “passa por esta forma de ser generalista, mas especialista ao mesmo tempo, com uma curadoria cuidada como se tem vindo a fazer na Culsete”.

A aposta em eventos diversificados e a consolidação de parcerias fazem igualmente parte dos planos.

“A Culsete tem uma história muito além de nós, é uma das mais antigas livrarias independentes de Portugal e queremos muito honrar essa história e fazer com que o caminho seja sempre de reconhecimento, ao nível da qualidade, oferta e simpatia no atendimento”, dizem.

Universo alfarrabista alia livros a tertúlias

Da Avenida 22 de Dezembro, morada da Culsete, para a baixa de Setúbal, na Rua do Concelho, há uma livraria onde o espaço é muitas vezes pouco para tantos livros. João Raposo, livreiro da Uni Verso há 33 anos, partilha que “têm sido registadas melhorias”.

“Creio que em Setúbal as pessoas lêem, pelo menos compram livros. Não muito, mas compram”. O público é muito variado e a oferta também, com a procura a centrar-se na história, filosofia e poesia.

“Os alfarrabistas são diferentes das outras livrarias, é muito livro para pouco espaço. Dentro dos livros novos, só trabalho com editoras independentes, que geralmente não estão nos grandes espaços comerciais. Nos usados, muitas pessoas vêm procurar o livro mais barato, a partir de um euro, ou raridades, esgotadas ou mais difíceis de arranjar”, refere.

“Vão aparecendo jovens leitores e outros que já vieram com os pais, em criança, e hoje continuam a vir”, continua, confessando ainda: “Na Uni Verso estou no meu mundo, em que vêm muitos amigos para falar, numa tertúlia mais pessoal”.

Nas suas leituras, João partilha que conforme vai recebendo os livros “há que ter aquela leitura de livreiro”, onde acaba “por descobrir autores novos e muito bons”. “Gosto muito de surrealismo, de autores brasileiros e de poesia”, que lê e também escreve. Para breve está a publicação da sua antologia de poesia. “Saíamos em bando, disparando brita, prata, fumos”.

“Gostaria que houvesse mais apoio aos livreiros em Setúbal”

Ainda no centro histórico, a livraria alfarrabista Galopim Livros reúne, há 13 anos, os maiores clássicos de todos os tempos. João Galopim, o responsável, diz que “as pessoas continuam a procurar os livros, com especial incidência nos clássicos, literatura e história, passando também pelo romance e desenvolvimento pessoal”.

“É um bem que infelizmente nos tempos actuais é dispensável, mas se praticarmos um bom preço e tivermos uma grande variedade as pessoas vão procurando alternativas e não deixam de ler”.

A Galopim Livros viu o seu espaço duplicado no fim de 2021 e João manifesta o desejo de que “houvesse mais apoio aos livreiros em Setúbal”. “É uma luta para todos. As pessoas têm pouco tempo, deslocam-se às grandes superfícies e lá compram os livros”.

Cada uma das livrarias setubalenses tem ofertas diferentes e o intuito, na sua perspectiva, “é que possa ser feito um circuito”. “Quem vem da Hemus, passa aqui, vai à Uni Verso e à Culsete”, afirma.

Perante o cenário actual, “uma livraria aberta infelizmente começa a ser um luxo. Muitas estão a desaparecer ou a passar para o on-line”. “Seria mais fácil, mas não troco o meu trabalho por nada deste mundo e o mais importante é o contacto com as pessoas, as tertúlias que podemos fazer diariamente sem dia e hora marcados”, conclui.

“Os jovens não se demoram nos livros”

Com uma história que tem vindo a ser escrita desde Junho de 1979, a livraria Hemus, igualmente situada na baixa da cidade, regista um decréscimo no consumo de livros: “Sentimos essa tendência, cada vez mais as pessoas lêem menos livros e com os grandes centros deixaram de vir à livraria”.

A equipa Hemus sente que “os setubalenses estão mais virados para temáticas como os romances, livros científicos, ligados à saúde ou à culinária”. “Uma das nossas principais vendas são os livros escolares, sem esquecer a grande oferta de literatura sobre história local”. Noutros tempos, procuravam-se os “livros técnicos, sobre informática e matemática.

Agora já não tanto, as pessoas têm as respostas na internet”. É precisamente nos meios digitais que encontra ainda resposta para a falta de hábitos de leitura. “Temos os clientes habituais, já muito antigos, que continuam a vir e preferem a nossa livraria, mas de uma forma geral as pessoas não têm muitos hábitos de leitura consolidados”, consideram.

“Esperemos que no futuro melhore. Embora haja leitura obrigatória nas escolas, os mais jovens precisam de ser incentivados em casa e trazidos à livraria, para verem e manusearem os livros. Cada vez lêem menos, estão mais agarrados à internet, aos jogos, a tudo o que é imediato e não se demoram nos livros”.

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