11 Maio 2021, Terça-feira
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Eugénio Fonseca faz balanço da pandemia em conversa com a Universidade Sénior

Antigo presidente da Cáritas Portuguesa revelou que em Junho do ano passado, foram mais de 50 mil pessoas a pedir ajuda

 

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A Universidade Sénior de Setúbal desafiou Eugénio Fonseca, antigo presidente da Cáritas Portuguesa, para uma conversa virtual, na qual o setubalense fez um balanço da pandemia na instituição que presidiu até Novembro de 2020.

Para cerca de 80 pessoas, Eugénio Fonseca revelou que “em Junho do ano passado, foram mais de 50 mil pessoas a pedir ajuda”. “Temos aqui um problema grave que é a quebra de rendimentos. O desemprego aumentou bastante. Temos perto de 400 mil pessoas em situação de desemprego. Este número vai aumentar porque quando as empresas forem regularizar as suas situações, vai gerar-se mais desemprego”, afirmou.

Esta situação começou a notar-se passado apenas “um mês da pandemia chegar a Portugal”. “Chegou em Março e em Abril as pessoas começaram a aparecer nos nossos centros de atendimento, pessoas novas”, referiu. A diferença para os anos anteriores, explicou, é que “nas crises anteriores pediam ajuda para reconquistar um posto de trabalho perdido”. “Ora, muitas não perderam o posto de trabalho. Ou estavam em casa por lay-off, com 66% do rendimento, ou vinham pedir alimentação. Antigamente vinham pedir ajuda para pagar a renda de casa, para electricidade, para medicamentos. Em Junho era necessário pagar as propinas do ensino universitário e, sobretudo, alimentos”, destacou.

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Para o antigo presidente da Cáritas Portuguesa, cargo que ocupou durante mais de duas décadas, é necessário “resolver este problema”. “Em Abril, assim que as pessoas entraram em lay-off, ficaram sem possibilidade de acederem a uma coisa básica como a habitação, porque os salários eram baixos. Muitos casais novos, que viviam até em união de facto, tiveram de regressar à casa dos pais porque ficaram sem rendimento e não conseguiram suportar a renda de casa”, frisou.

Devido a esta situação, Eugénio Fonseca destacou, igualmente, o aumento dos problemas como depressões, referindo que “há pessoas que não estão a suportar o desemprego”. No entanto, “o acesso à saúde mental em Portugal está muito restrito no Sistema Nacional de Saúde”, sendo este um “parente pobre”. “Sabem que nos extremos de uma doença mental vem muitas vezes a opção, que não é opção, mas é decorrente da falta de saúde mental, que é o suicídio?”, questionou.

No que diz respeito à “revolução informática”, ressaltou que existem “nos grupos de risco pessoas sem literacia informática”. “Depois temos outro risco, que em Portugal tem uma preponderância relevante, que são os jovens adultos que não trabalham, não estudam e não têm qualquer actividade de ocupação. Há uma regra europeia que não permite acesso a cursos de formação profissional, que exigem como mínimo de habilitação o 9.º ano e há muita gente que deixou a escola sem concluir o 9.º ano. Se não houverem oportunidades para estes jovens vamos ter cerca de 50% de desemprego”, sublinhou, a concluir.

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