27 Janeiro 2022, Quinta-feira
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Mulher que deitou bebé em ecoponto saiu de casa porque a mãe a mandou trabalhar

Sara Furtado começou a ser julgada. Nega ter tentado “desfazer-se” do bebé, em Novembro de 2019

 

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Sara Furtado começou a ser julgada por homicídio qualificado tentado em Lisboa por ter colocado o próprio bebé num ecoponto após o nascimento numa madrugada fria de novembro de 2019. A história da sem-abrigo cabo-verdiana passou pelo Barreiro, onde saiu de casa da mãe em Janeiro desse ano porque esta mandou-a trabalhar.

Sara Furtado, hoje com 24 anos, contou esta terça-feira em tribunal que chegou a Portugal dois anos antes para a casa da mãe, no Barreiro, e estudava nas Novas Oportunidades. “Chateei-me porque a minha mãe quis que eu para além de estudar trabalhasse e então saí de casa”. Foi viver para a Amadora com o então namorado e pai da criança e começou a trabalhar num lar, até Maio. “Despedi-me porque dava muito trabalho”, disse. O juiz interpelou: “mas saiu de casa da mãe porque não queria trabalhar e foi trabalhar?”. Sara simplesmente anuiu.

A acusada disse estar a morar na rua desde Junho de 2019, quando saiu da casa duma amiga depois do então namorado ter saído do país e nunca mais saber dele. Apenas sabe que se chama “Sócrates”.

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Sara começou a viver em Santa Apolónia com um sem-abrigo, numa tenda, e foi apenas aos sete meses, numa consulta, que descobriu que estava grávida. Escondeu a gravidez, disse que tinha gases e que sofria de obstipação. “Escondi a gravidez porque tinha vergonha de estar grávida, a viver na rua num mundo com muitos homens e tinha medo que o homem com quem morava numa tenda me pusesse na rua”, afirmou Sara. A arguida admitiu que quando soube que ia ser mãe, aos sete meses de gravidez, que queria ter o filho. “Queria criá-lo e esperei que as coisas melhorassem, mas não aconteceu”.

A mulher chorou perante as perguntas do coletivo de juízes que a confrontavam com as contradições do discurso. “Se a senhora o queria criar, mas ocultava a gravidez por ter vergonha do que podiam pensar na rua, qual o seu plano? Aparecer na rua com um filho e dizer que afinal não eram gases?”, questionou o presidente do coletivo de juízes. “No momento em que nasceu, assustei-me”, justificou. O juiz contrapôs: “A senhora pegou num saco do lixo, deu à luz, colocou o bebé no saco e colocou-o no ecoponto”. Logo questionou e respondeu de seguida: “quando alguém coloca algo no lixo é para quê? Para desfazer-se”. Sara alegou estar desesperada nesse momento, mas negou ter querido “desfazer-se” do bebé.

O MP considera que Sara teve o bebé na madrugada do dia quatro e este foi só encontrado na tarde de dia cinco de Novembro, 37 horas depois. Sara desmente, diz que o deixou na madrugada do mesmo dia em que foi encontrado. O bebé sobreviveu durante as 36 horas que o MP considera ter estado no lixo graças ao saco de plástico onde Sara o colocou e por estar dentro do ecoponto, abrigado das condições atmosféricas. Foi entregue a uma família de acolhimento de Lisboa. A mãe de Sara, a viver no Barreiro, tinha admitido em Novembro, ao Sexta às 9, que queria ficar com o bebé, mas não foi possível perceber se algum processo deu entrada no tribunal para esse efeito.

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