Os anúncios da Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, sobre as urgências de obstetrícia afetam todo o Distrito e não só a Península de Setúbal.
As urgências de ginecologia e obstetrícia do Hospital do Barreiro vão encerrar. As de Setúbal vão receber quem o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) referenciar, ou seja, as portas também se fecham no modelo que conhecemos.
A nova realidade é para março, diz o Governo do PSD/CDS. Ficamos a saber que sempre que existam dificuldades no SNS – e nesta área existe – a opção da Ministra e do Governo PSD/CDS é o encerramento.
A Ministra da Saúde revelou incapacidade de resolver o que era verdadeiramente necessário e fê-lo quando atribuiu os encerramentos à dificuldade de recrutamento de médicos e não a uma eventual estratégia de eficácia do serviço público. Aliás, clarificou que vão encerrar todas as urgências do país onde problema idêntico exista, o que faz prova do que referi.
Ficamos a saber que doravante nada há a estranhar se encerrarem especialidades na oferta pública, sempre que se verificarem dificuldades.
Para o Governo da AD a solução não é encontrar estratégias de recrutamento, não é flexibilizar modelos de gestão de recursos humanos no SNS para que possa haver melhores condições de concorrência com a oferta privada, é declarar incapacidade.
Das três urgências de obstetrícia do distrito de Setúbal – Almada, Barreiro e Setúbal – apenas o Hospital Garcia de Orta vai ter ‘porta aberta’.
Havemos de saber quantos profissionais desloca a Ministra, dos Hospitais do Barreiro e de Setúbal, que garantam urgências na ponta territorial norte do distrito, 24 horas por dia, todos os dias do ano! Aliás, os médicos neste processo deviam ter palavra.
As grávidas dos 4 concelhos do Litoral Alentejano do distrito – Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém e Sines – se não referenciadas pelo CODU, vão direitinhas, com percurso de mais de 100 KM, a Almada. Acresce que o Distrito, e em particular a Península de Setúbal, têm problemas no socorro de emergência pré hospitalar. É sabido que chegam a vir ambulâncias de ´cascos de rolha´ para prestar socorro na região, como os riscos que isso representa em reposta atempada. Portanto, aumentar distâncias só agrava.
Ninguém nega a existência de dificuldades, mas elas não se resolvem com decisões que só não ampliam o problema se diminuir a procura no serviço público e, se diminuir, é porque o receio e a incerteza empurram grávidas para o privado, e, quem sabe … amplie as estatísticas das cesarianas…
Sejamos claros, à medida que a tutela da Saúde for fazendo prova de que o SNS não responde, vai angariando clientes para o setor privado. Se não é isto que se quer, parece! Não tenho nada contra a resposta privada na saúde, ela não pode é crescer por conta da delapidação do SNS.
A Ministra não se digna receber os Presidentes de Câmara dos territórios envolvidos, informou que o Diretor Executivo do SNS o fará. Para comunicar o quê, o que já se sabe? Chama-se desrespeito institucional.
O Distrito tem o direito de se ´levantar´ perante este caso. Vão encerrar as urgências de obstetrícia do Barreiro e, parecendo que não, também as de Setúbal.