Uma amiga minha que votou António José Seguro agora nas presidenciais, ficou muito surpreendida e desiludida pelo reiterado apoio do novo PR a Zelensky. E ainda mais ficou, quando soube do apoio deste, ao homem que é alvo de três mandados de captura pelo Tribunal Penal Internacional, Benjamin Netanyahu. O principal responsável pelo genocídio de Gaza, pelo ataque, em conjunto com Trump, ao Irão que está a colocar grande parte da economia mundial em sérias dificuldades, pela guerra desenfreada contra o Líbano com tanta destruição, centenas de vítimas e muitos milhares de refugiados.
Quem está medianamente informado e que também votou Seguro (a alternativa ainda era bem pior), não ficou surpreendido. Ele limitou-se a alinhar com a posição do seu partido e dos seus congéneres sobre a matéria.
Já aqui escrevi que o grande drama dos nossos dias, é a subordinação da social-democracia, ou melhor, dos partidos ditos socialistas, social-democratas ou trabalhistas, ao grande capital e ao imperialismo norte-americano. Isto, claro, para além daqueles mais à direita onde se incluem os também auto-designados democratas cristãos.
Quanto a Israel, o pretexto para atacar a Palestina e o Líbano, é a existência do Hamas e do Ezebollah que considera grupos terroristas. Mas porque é que estes grupos existem? Se estes povos não tivessem durante décadas e até à atualidade sido submetidos à prepotência, à violência e à humilhação por parte de Israel, se este concordasse com uma coexistência pacífica com aqueles povos e respetivos Estados, o Hamas, o Hezbollah e os Houthis, existiriam?
Apesar da relação siamesa dos EUA e Israel, a minha amiga tem razão. António José Seguro ou qualquer outro Presidente da República, Governo de Portugal, União Europeia e outros, não deveriam ter relações normais, nem apoiar quem apoia um Estado que não cumpre o Direito Internacional nem inúmeras resoluções das Nações Unidas que o condenam pela sua política agressiva e ocupacionista em relação aos povos seus vizinhos que têm o direito a viver em paz e terem também o seu Estado independente e soberano.
O caminho da concórdia entre os povos só pode ser alcançado com o respeito mútuo e o cumprimento do Direto Internacional representados sobretudo pela Carta das Nações Unidas. Mas os exemplos que vemos desse desrespeito, dessa prepotência até imoral, são mais que muitos. Cuba, é também dos mais flagrantes. Ufano, diz Trump que ele é que vai arrumar o assunto. E reforça brutalmente o embargo à ilha. Porquê, se ela não representa qualquer perigo para os EUA ou para qualquer país? Porquê, se lá não existe petróleo ou gás natural que Trump adora?
Porque Cuba é um símbolo. Um símbolo que incomoda a imensa arrogância de Trump e a camarilha de bilionários que o rodeia. Um símbolo que incomoda o império. Mas os impérios caem. Normalmente devido à imoralidade como atingem o apogeu. Cuba permanecerá, devido à dignidade das decisões soberanas do seu povo, quer queira ou não o império ianque.