23 Maio 2024, Quinta-feira

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PENSAR SETÚBAL: Um Conto de Natal, de Charles Dickens

PENSAR SETÚBAL: Um Conto de Natal, de Charles Dickens

PENSAR SETÚBAL: Um Conto de Natal, de Charles Dickens

A 17 de Dezembro de 1843, a Editora Chapman & Hall publicou a primeira edição de “A Christmas Carol”, de Charles Dickens, destinado a tornar-se um dos contos mais célebres de Natal.

Nessa altura, Charles Dickens já um escritor consagrado, mas num momento economicamente pouco florido, escreveu este conto em poucas semanas.

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Ao fazê-lo, foi movido pela vontade de veicular uma mensagem de natureza social, relativamente à miséria, ao aproveitamento das classes sociais mais desfavorecidas e como se tornava necessária uma tomada de posição relativamente a essas temáticas.

Mas, paralelamente foi também movido por uma questão mais prosaica, o de procurar melhorar as suas finanças.

A primeira edição possuía uma capa de veludo encarnado com caracteres e rebordos em dourado, acrescidas das ilustrações de John Leech, o melhor ilustrador dessa época.

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O sucesso foi imediato, contribuindo para difundir a mensagem de solidariedade, bem como aquela sensação de calor e magia típicos do período natalício que todos conhecemos e apreciamos.

“Um Conto de Natal tornou-se a partir daí, um clássico, atravessando os dois séculos seguintes, mantendo sempre o brilho em cada Natal, com inúmeros leitores ansiosos por lê-lo.

O protagonista é um avarento e egoísta homem de negócios Ebenezer Scrooge, incapaz de sentir quaisquer tipos de emoções positivas relativamente ao próximo, sempre num estado permanente de aborrecimento.

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Na vigília de Natal, Scrooge está irritadíssimo, uma vez que considera as festividades como um inútil desperdício de tempo e, sobretudo, de dinheiro. Recusa fazer qualquer oferta aos pobres, obriga o seu empregado Bob Cratchit, a trabalhar até tarde, afastando rudemente o seu sobrinho que tinha vindo convidá-lo para o almoço de Natal.

Ainda no seu escritório, surge-lhe o fantasma do seu defunto sócio, Jacob Marley que o critica pelo seu comportamento e o convida a modificá-lo antes que seja demasiado tarde.

Quando Ebenezer Scrooge chega à sua casa fria e deserta e se vai deitar, durante a noite fazem-lhe visita três fantasmas dos Natais Passado, Presente e Futuro. Estes conduzem-no a uma viagem simultaneamente assustadora e inspiradora, mostrando como deveria ser, o que esqueceu e o que perdeu somente com o objectivo de dedicar-se a acumular bens materiais, como vivem e o que pensam dele as pessoas que o circundam e, enfim, aquilo que o espera no futuro se não alterar rapidamente o seu comportamento.

Chegados a este ponto, Ebenezer Scrooge tem a perfeita noção de ter estado equivocado todos estes anos, e de ter desperdiçado a própria existência.

Torna-se uma pessoa completamente diferente, transfigura-se, sorri, oferece prendas e dá atenção ao próximo, finalmente consciente daquilo que é realmente importante e tudo aquilo que é necessário fazer para tornar o Mundo um local melhor.

Deixamo-lo completamente transformado, invadido daquele espírito natalício que sempre desprezou.

O sucesso de “Um Conto de Natal” deveu-se também às inúmeras transposições televisivas e cinematográficas realizadas ao longo de todos estes anos.

A primeira é una versão muda em 1911.

Entre as diversas adaptações realizadas, destacamos várias produções de épocas e estilos diferentes: Contos de Natal de 1951, dirigido por Brian Hurst; Adorável Avarento de 1970, direcção de Ronald Neame, com Albert Finney, Alec Guinness; O Conto de Natal do Mickey de 1983, com direcção de Burny Mattinson; os Fantasmas Contra-Atacam de 1988, direcção de Richard Donner com Robert Mitchum; Um Conto de Natal dos Marretas, direcção de Brian Henson; Os Fantasmas de Scrooge de 2009, direcção de Robert Zemeckis, com Jim Carrey e Colin Firth.

O filme de Frank Capra, rodado em 1946, intitulado “Do Céu Caiu Uma Estrela” (It’s a Wonderful Life), inspira-se claramente do conto de Dickens.

Para além deste último, na minha colecção pessoal tenho mais dois.

Um foi realizado por Clive Donner em 1984 que conta com o magnífico desempenho de George C. Scott (Scrooge) e de David Warner (Bob Cratchit), foi totalmente filmada na aldeia história de Shrewsberry.

O outro dirigido por Jimmy Murakami em  2001, é um filme de desenhos animados com as vozes de Simon CallowKate Winslet e Nicolas Cage.

Este último é o meu filme favorito que vejo todos os anos (os outros também vejo) e que mostro aos meus alunos numa das últimas aulas que antecedem o Natal.

UM FELIZ NATAL PARA TODOS VÓS.

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