A apresentação pela CCDR-LVT de dezenas de projetos estruturantes a executar até 2035 representa um momento particularmente relevante para o futuro da Península de Setúbal, do distrito, da região. Mais do que um exercício de planeamento, trata-se de uma oportunidade concreta para concretizar investimentos há muito identificados e que podem transformar estruturalmente esta região.
Importa sublinhar que muitos destes projetos têm décadas. Foram estudados, discutidos e considerados essenciais para o desenvolvimento regional. O que tem faltado, ao longo do tempo, não foi visão, mas capacidade de execução. O PTRR surge, assim, como uma oportunidade decisiva para passar do diagnóstico à concretização.
Este momento ganha particular relevância quando analisado à luz do papel das regiões NUTS II e NUTS III no desenvolvimento territorial. A Península de Setúbal, enquanto NUTS III, apresenta características próprias, desafios específicos e um potencial económico significativo que exige políticas públicas ajustadas à realidade do território.
Ao mesmo tempo, a região onde se insere, enquanto NUTS II, deve assumir um papel mais forte na programação estratégica e na coordenação de investimentos estruturantes. Esta dimensão é particularmente importante num contexto em que se reforça a necessidade de descentralização e de valorização do nível intermédio da administração territorial.
A Península de Setúbal continua a apresentar assimetrias internas relevantes e níveis de desenvolvimento diferenciados entre si e no contexto da AML Esta realidade exige políticas de coesão territorial e investimentos estruturantes que permitam reduzir desigualdades e promover desenvolvimento equilibrado.
Os projetos agora apresentados apontam precisamente nesse sentido. Destacam-se investimentos estruturantes na mobilidade multimodal, como a expansão do Metro Sul do Tejo, o sistema de transporte coletivo elétrico entre Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete, novas ligações fluviais, incluindo a ligação Moita-Lisboa, e a melhoria das acessibilidades rodoviárias e ferroviárias.
Acrescem ainda projetos estratégicos como o eixo logístico Arco Ribeirinho-Montijo-Novo Aeroporto, a modernização do Porto de Setúbal e o corredor ferroviário de alta capacidade Sines-Madrid, investimentos que podem reforçar a competitividade da região e criar novas oportunidades económicas.
Mas o desenvolvimento regional exige também investimento na resiliência territorial e na qualidade de vida. Projetos de prevenção de cheias, segurança hídrica, adaptação às alterações climáticas, proteção da Arrábida, reforço das unidades de saúde e requalificação de equipamentos públicos revelam uma abordagem integrada e sustentável.
Este conjunto de investimentos ganha ainda maior relevância com a perspetiva do novo aeroporto, que poderá colocar a Península de Setúbal no centro de uma nova dinâmica económica e territorial. Essa transformação exige planeamento, visão e capacidade de execução, mas também reforça a importância da descentralização e do papel das regiões na definição das prioridades de desenvolvimento.
A Península de Setúbal tem território, capacidade industrial, potencial logístico e capital humano. Tem projetos identificados e uma visão estratégica consolidada. O que se exige agora é execução.
Executar projetos que há décadas aguardam concretização não é apenas uma ambição regional. É uma necessidade para o desenvolvimento equilibrado do país. A Península de Setúbal pode afirmar-se como um dos principais motores de crescimento económico e coesão territorial.
Estamos perante uma oportunidade histórica. O tempo do planeamento foi longo. O tempo da execução é agora!