Quando um governo, governa obra que se vê e há obra que só mais tarde se percebe que está feita.
É como, por exemplo, se uma autarquia traz um artista ou faz uma rotunda, todos vêm e aplaudem, mas se faz uma ETAR, só mais tarde a população percebe os seus benefícios.
Por exemplo, atempadamente a autarquia de Setúbal fez uma obra a que se chamou Baía de Retenção. Não sou de Setúbal e confesso que nem me apercebi da construção dessa obra e acredito que nem muitos de Setúbal o fizeram, mas essa obra foi determinante nestas tempestades, evitando as cheias habituais na baixa da cidade.
Lá está, o trabalho sério, bem feito é como o azeite. Mais tarde ou mais cedo torna-se visível e é reconhecido.
Vem isto a propósito de algumas ideias que por aí pululam que o governo não faz reformas. Em primeiro lugar é injusto, porque este governo menos de um ano e o anterior também, logo as reformas demoram. Depois porque não tem uma maioria na Assembleia da República e quando quer reformar, tem as forças de bloqueio à esquerda e à direita.
Mas vai fazendo o seu caminho e pergunto, quando os salários (remuneração bruta total média mensal por trabalhador) aumentaram em termos nominais 5,6% em 2025 e 3,2% em termos reais, isto é, deduzido o aumento do custo de vida (índice de preços no consumidor) e o salário médio mensal subiu para 1.694 euros, exatamente mais 90 euros do que em 2024, isso não vale como uma reforma?
O salário médio varia também muito em função de setor institucional: o salário médio no setor público fixou-se, em 2025, nos 2.386 euros, mais 823 euros do que o salário médio no setor privado (1.563 euros). Não só se ganha em média mais no público como foi neste setor que em 2025 os aumentos foram maiores: 6,3% versus 5,4% no privado e mais, em termos reais, os aumentos do salário médio em 2024 e 2025 foram mais elevados (3,9% e 3,2%) do que em todos os restantes anos da última década, acumulando ganhos de 7,3%, pouco menos de metade do que o ganho acumulado da década.
Quando um governo cria as condições para o emprego ter aumentado 3,2% face a 2024, atingindo 5.275,3 ilhares de indivíduos, o que representa seguramente o número mais elevado de sempre, como sugere sem margem para dúvidas o quadro em baixo, com a evolução do emprego nos últimos 70 anos.
De resto, num só ano foram criados 163 mil novos postos de trabalho em termos líquidos. Isto, sim, é o máximo de sempre. Em termos líquidos quer dizer: em termos de saldo entre a totalidade dos novos postos de trabalho criados e a totalidade dos postos de trabalho destruídos, em ambos os casos sempre em número muito superior ao saldo.
Outra reforma foi a mudança da legislação da AIMA, que originou a descida dos processos contra a AIMA em 78% após mudança na lei.
Mas ainda são milhares JUSTIÇA Ainda são mais de 100 mil processos, que obrigaram o tribunal a abrir um concurso extraordinário de juízes.
Sim, porque as reformas demoram a produzir os seus resultados na plenitude.
Após a mudança na legislação, que passou a vigorar a 23 de outubro, os tribunais administrativos registaram uma queda de 78% na entrada de novos pedidos.
E recordo que no passado recente, em alguns meses chegaram a dar entrada 20.000 processos num período de apenas 30 dias, o que resulta em mais de 100 mil casos ainda por resolver.
Outra solução encontrada foi a abertura de um concurso extraordinário, com 50 vagas, para magistrados tratarem destes processos.
Para a notificação das decisões, os funcionários judiciais serão também remunerados pelas horas suplementares, trabalhando em horário pós-laboral e mesmo aos sábados. O Ministério da Justiça aceitou suportar estes custos adicionais.
São medidas ponderadas e decididas em estreito diálogo com as diversas instituições e são reformas que vão mudar todo o paradigma da forma como o país passou a encarar a imigração.