O Mirante do Parque Urbano da Várzea

O Mirante do Parque Urbano da Várzea

O Mirante do Parque Urbano da Várzea

, Professor
30 Março 2026, Segunda-feira
Professor

No cruzamento entre a Av. Antero de Quental e a Av. dos Ciprestes, encontrava-se um Mirante.


Mais à frente explico porque utilizo o verbo no pretérito imperfeito.

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O Mirante terá sido construído em finais do século XIX, tendo sido a primeira construção em betão armado em Portugal.


Há muito que se comenta que o Mirante terá sido projectado por Gustave Eiffel, embora penso que tal não passe de um mito, uma vez que Eiffel projectava edifícios em ferro e este é em betão armado.


Contudo, esta é uma minha suposição; não tenho qualquer informação que confirme ou desminta o que referi atrás.

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Desconhece-se, portanto, quem poderá ter sido o autor deste projecto. Pensa-se que os seus registos terão desaparecido com o incêndio que deflagrou na Câmara Municipal de Setúbal, na madrugada de 4 para 5 de Outubro de 1910.


Pela sua estética, faz lembrar o estilo neogótico, muito comum em finais do séc. XIX e princípios do séc. XX.
Uma das primeiras perguntas que se faz, é qual seria a sua utilidade? Há quem comente que servia para dali se ver o rio, o mar e a partida e chegada dos barcos. Também há quem sustente que serviria para observar e controlar o trabalho que se fazia na quinta ou tão-somente para apreciar as vistas.


Seja como for, pouco se sabe sobre este enigmático Mirante.

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Em 2010, escrevi uma primeira crónica, em que chamei a atenção que o Mirante era muito bonito, mas que apresentava sinais evidentes de degradação, estando ligeiramente inclinado para um dos lados (para a esquerda, no sentido de quem desce a Av. Antero de Quental).


Em 2014, tive ocasião de escrever uma outra crónica, onde me congratulava pela existência de uma estrutura metálica de sustentação, o que indiciava uma possível recuperação.


Fui escrevendo sobre essa zona por diversas vezes, ao longo destes quase vinte anos que mantenho este espaço de opinião.


Há alguns anos, até à presente data, o Mirante foi oportunamente tapado com publicidade camarária, formando um cubo que o oculta completamente.


Daí o verbo no pretérito imperfeito; encontrava-se e não o encontramos, no presente. Pelo menos, não está visível.


Antes de escrever esta crónica, desloquei-me a pé junto do Mirante e procurei espreitar para dentro do “cubo de ocultamento”, a fim de confirmar, ou não, as minhas suspeitas que não tinha sido feito nada para o recuperar.


Consegui, a custo, entrar dentro do espaço e confirmei que, de facto, está tal e qual como estava há 16 anos, data da minha primeira crónica sobre o assunto, ainda sustentado pela tal estrutura metálica de suporte.


O Mirante tem estado e continua ao abandono, evidenciando desinteresse e incúria, sem que nada fosse objectivamente feito para efectivar a sua recuperação.


Existe, apesar de tudo, uma atenuante, mas que não desculpa tudo. De acordo com fonte fidedigna que solicitou explicitamente o anonimato, a degradação que se vê, também se ficou muito a dever a uma inflexibilidade por parte dos proprietários do espaço, que têm colocado sucessivos entraves a eventuais soluções.


Seja como for, tapar o Mirante com lona publicitária, é como procurar tapar o sol com a peneira: longe da vista; longe do coração. Mas não completamente.


Em 2018, a Câmara Municipal de Setúbal elaborou um filme, cujo link aqui vos deixo no final da crónica, acompanhado da música Canon em Ré, de Pachelbel, sobre o que se pretende fazer e como ficará o Parque Urbano da Várzea, onde o Mirante surge em todo o seu esplendor e beleza, com a possibilidade de se poder subir para apreciar a paisagem.


Se continuar assim como está, sem que ninguém responsável tome nenhuma iniciativa de restauro, um destes dias o Mirante irá degradar-se ainda mais e provavelmente cair aos bocados, inevitável e irreversivelmente.


E aí teremos mais um monumento do nosso património colectivo destruído, por desleixo, desinteresse e incúria como aliás tantos outros, pelo país fora.


Temos todos o dever de combater a indiferença; quando os combustíveis e os motores que movem as sociedades, têm na sua matriz também a falta de interesse, as distâncias a percorrer são imensas.


Assim sendo, a sugestão que eu deixo é recuperarem o referido Mirante o mais rapidamente possível e enquadrá-lo paisagisticamente com o Parque Urbano da Várzea.


https://www.youtube.com/watch?v=fBwm33DCccA

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