12 Junho 2024, Quarta-feira

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O financiamento do desporto

O financiamento do desporto

O financiamento do desporto

As declarações da Dra. Ana Jorge, provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), informando as diversas federações desportivas da sua intenção de rever o plano de patrocínios aos eventos desportivos, levantando a possibilidade de vir a efetuar cortes, colocou muitos dirigentes em alerta. Felizmente, e após uma reunião com o secretário Estado do Desporto, Dr. João Paulo Correia, foi decidido manter os patrocínios da SCML ao setor do Desporto.

O financiamento do desporto é um problema, desde quase sempre. O Estado cumpre a sua função, sendo que para os agentes desportivos é sempre pouco e para os contribuintes, em geral ,é sempre muito. Importa, pois, esclarecer e dividir o desporto profissional, enquanto atividade de entretenimento de massas, e geradora de receitas, e o desporto amador que não gera receita, mas que presta um serviço de interesse público.

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Ao longo dos anos, os grandes clubes de futebol encontraram forma de se financiar, primeiro através de mecenas, depois por via dos bingos e da exploração de bombas de gasolina. A publicidade nas camisolas surgiu em 1984. Ainda assim, nada disto era suficiente e, ao longo dos anos, o recurso a empréstimos bancários foi algo considerado inevitável. Surgiram, entretanto, as sociedades anónimas desportivas, sendo hoje as principais fontes de receitas, através das mais-valias obtidas por via da venda de ativos, dos direitos televisivos, das receitas da UEFA, da bilhética, da publicidade estática, dos patrocinadores e do merchandising.

No futebol distrital, porém, poucas são as receitas e muitas as despesas. Na semana do jogo em casa surgem as despesas de organização do jogo; na semana do jogo fora é a vez  das despesas de deslocação e alimentação. Tudo isto depois de uma pandemia que retirou quase por completo as receitas aos clubes e de um aumento do custo de vida devido, em larga medida, ao conflito na Ucrânia. Naturalmente, o estado financeiro atual de muitos clubes não poderia ser bom.

Perante este cenário, foi com naturalidade que algumas equipas do nosso distrito, e não só, decidiram terminar as suas equipas seniores, seguindo o exemplo de algumas das equipas nacionais de futebol de praia.

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Na gestão desportiva, o princípio de que as receitas têm de ser superiores às despesas tem de estar sempre presente. Quando tal não é acontece, ou se fecha ou surge o endividamento. Não havendo soluções milagrosas, parece-me, contudo, que o impacto financeiro do futebol distrital não deve ser desvalorizado. Em Setúbal, temos sensivelmente doze mil praticantes, número ao qual acrescem treinadores, árbitros, dirigentes, fisioterapeutas e familiares.

Neste contexto, será inevitável o apoio do setor privado, através de várias medidas como por exemplo a criação de namings para as competições, organização de um torneio de “futebol 7” para empresas, ou a criação de uma revista digital, com publicidade para os patrocinadores dos clubes. Estas foram algumas das medidas apresentadas aquando da minha candidatura à presidência da Associação de Futebol de Setúbal (AFS), no projeto coletivo “101 Vontades, Um Projeto”. Medidas estas com a visão de convidar o tecido empresarial a juntar-se ao movimento associativo desportivo.

É urgente libertar os clubes da dependência quase exclusiva do financiamento público através das autarquias que não dispõem de recursos infinitos.

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No sentido de menorizar esta dificuldade de financiamento, muitos clubes optaram pela cobrança de mensalidades nos escalões de formação, ajudando assim à sua sustentabilidade. Hoje, com a mudança de paradigma do treinador ex-praticante para o treinador portador de licença profissional, e com o processo de certificação das entidades formadoras, elevou-se a qualidade dos serviços prestados, aumentando igualmente as despesas de quem presta esse serviço.

Em simultâneo, continuam a existir clubes que, por estarem localizados em determinados contextos sociais, não lhes é possível cobrar mensalidades. Sobrevivem graças ao esforço de dirigentes voluntários que dedicam a sua vida à inclusão social de muitos jovens através do desporto, não deixando para trás aqueles a quem as circunstâncias da vida não lhes permitem ter poder financeiro para pagar uma mensalidade para fazerem aquilo que mais amam e que é, muito simplesmente ,jogar futebol ou futsal.

Por isso, aqui deixo a minha homenagem a todos estes dirigentes, lembrando que o futebol, o futsal e o futebol de praia, terão sempre de ser para todos!

Com amizade, votos de uma boa época desportiva para todos.

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