13 Maio 2024, Segunda-feira

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O 25 de Abril que falta cumprir

O 25 de Abril que falta cumprir

O 25 de Abril que falta cumprir

Sou da geração da liberdade. Sou um filho do 25 de Abril, pois respiro, vivo, movo-me numa sociedade que já era livre, democrática, plural, mais tolerante no momento em que nasci.

Não sou daqueles que posso falar em memórias do que era o antes, não sou daqueles que possa relatar onde estava no 25 de Abril de 1974, mas sou daqueles que pode agradecer com emoção a todos os que lutaram para que hoje se viva o que se começou nesse dia histórico e que deve ser enaltecido pelo início de um processo de construção de um País onde as pessoas têm liberdade de expressão, opinião, onde podem escolher o seu caminho de formação e afirmação.

Este é o País que já conheci, em que cresci, que me apaixonou pela sociedade tranquila, compreensiva e onde o respeito pelo próximo é, genericamente, uma regra.

Mas para mim que não vivi o período do Estado Novo e de uma ditadura onde estas manifestações de liberdade eram cerceadas e, logo, encaro todo este quadro de liberdades e responsabilidades como algo natural como o oxigénio que respiro, olho para o 25 de Abril e procuro reflectir sobre que ambições teria o País para além de ser livre, democrático e mais plural.

Será que já conseguimos cumprir o Abril que todos aqueles que lutaram pela liberdade desejavam? Será que temos hoje um País que já atingiu o patamar de desenvolvimento social, económico, cívico ambicionado e desejado?

A mim parece-me que ainda estamos em falta para com todos os que começaram este caminho, mas para o qual falta ainda novas conquistas. Claro que estamos muito melhor, que temos mais qualidade de vida, temos hoje mais educação, mais oportunidades, mais escolhas, e maior capacidade de escalar a escada social. Este artigo não serve para destruir o muito e bom que foi feito e construído.

Esta minha reflexão serve, sobretudo, como um grito de quem gostaria que o País ambicionasse ser melhor, mais rico, com melhores empresas e melhores empregos, que aproveitasse melhor os seus recursos, que tivesse um sistema fiscal a pensar menos nas receitas do Estado e mais na alavancagem da liberdade de investir, poupar ou consumir.

O que esta minha opinião procura transmitir é que temos muita emoção do que começou em Abril de 1974, se evitou que retrocedesse em 25 de Novembro de 1975, se construiu desde então com a consolidação de uma democracia sólida, com instituições fortes assentes numa sociedade livre, mas à qual ainda falta a capacidade de perceber e fazer nascer um País com ambição e capacidade de acção para se tornar mais rico pois só assim pode dar mais às pessoas de forma a melhorar a sua vida.

E como fazê-lo? Em poucas palavras, colocar as pessoas no centro das políticas e não o Estado. Criar um sistema fiscal a pensar no rendimento disponível que ajude o crescimento e não no nível de impostos que se deseja para financiar a despesa pública.

Incentivar uma sociedade com mecanismos que ajudem quem investe e criar valor acrescentado, com regras mas sem espartilhos.

Este é o Abril com que a minha geração sonha. Um Abril que se cumpre não só porque somos livres, mas onde nos deixam ajudar a fazer crescer o País pelo valor que criamos e não pelo valor que o Estado deseja ter sob a forma de impostos.

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