O Montijo acumulou problemas ao longo dos anos e vive hoje um atraso estrutural que exige criatividade, mobilização e determinação para transformar o concelho num lugar de que nos possamos orgulhar e onde se vive com mais qualidade de vida.
Os sinais desse atraso são visíveis. Falta habitação a preços comportáveis, escasseiam empregos qualificados, os equipamentos de saúde, escolares, desportivos e culturais são insuficientes. A expansão urbana recente acentuou a nossa condição de dormitório e de território suburbano, a resposta dos serviços municipais nem sempre corresponde às expectativas dos munícipes e as infraestruturas de saneamento, água e eletricidade aproximam-se do limite.
Perante estas carências evidentes, que exigem respostas imediatas, é importante reconhecer que os problemas do nosso território são mais profundos. Muitas das questões identificadas resolvem-se com betão, é certo. Mas se queremos tornar o Montijo um território verdadeiramente diferenciado — na forma como organiza o seu espaço urbano, a sua economia e a sua vida social e comunitária — não bastam respostas pontuais. É necessário pensar o desenvolvimento de forma mais estratégica. Cada novo investimento no concelho, público ou privado, deve contribuir para uma trajetória coerente de progresso e para uma utilização mais inteligente dos recursos disponíveis.
O desafio, porém, não é apenas material. É também cultural e cívico. Criar esperança de que um futuro diferente é possível torna-se difícil quando, com frequência, ouvimos familiares, amigos e vizinhos afirmar que “no Montijo nada muda”, que “antes é que era bom”, ou quando nos comparamos constantemente com concelhos vizinhos diminuindo a nossa própria cidade.
Esta descrença coletiva tem consequências. Há entre nós uma certa dificuldade em acreditar que o contributo individual faz diferença e uma fragilidade na organização comunitária que limita aquilo que poderíamos alcançar se trabalhássemos mais coletivamente.
Em suma, as lacunas mais visíveis do Montijo são materiais, mas as mais difíceis de ultrapassar estão nas nossas cabeças. Estão na falta de confiança geral, na distância social que ainda marca a relação entre antigos e novos munícipes, a fratura territorial que impede que se retire o que há de melhor dos meios rural e cosmopolita, na escassa mobilização para empreender iniciativas nos bairros, através de associações locais, de novos negócios, na participação nos órgãos políticos municipais e de freguesia, promovendo a discussão e implementação de ideias que já foram testadas com sucesso noutros territórios nacionais e no estrangeiro.
O Montijo não está imune aos desafios que hoje se colocam às cidades e aos territórios periurbanos. Mas também não está condenado ao atraso. O futuro do concelho dependerá da capacidade coletiva de imaginar caminhos novos e de os concretizar. Se os munícipes esperarem que sejam apenas os políticos locais a encontrar soluções para o desenvolvimento do Montijo, arriscam-se a esperar indefinidamente. A mudança, como quase sempre, tem de começar em nós.