6 Julho 2024, Sábado

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Dragagens no Sado, as inverdades da Ministra do Mar.

Dragagens no Sado, as inverdades da Ministra do Mar.

Dragagens no Sado, as inverdades da Ministra do Mar.

31 Janeiro 2019, Quinta-feira
Pedro Soares Vieira - Presidente do Clube da Arrábida
Pedro Soares Vieira – Presidente do Clube da Arrábida

Uma mentira, repetida muitas vezes, passa ser verdade…  Vem isto a propósito de uma inverdade que tem feito parte do discurso da APSS, sempre que é chamada a comentar o projecto de melhoria das acessibilidades ao porto de Setúbal, e as dragagens que lhes estão associadas, e que aos poucos vai passando como verdade absoluta.

Até aqui tal inverdade tinha-se circunscrito ao discurso da APSS, sem consequências de maior a não ser a de desinformar a população e pôr a nu a verdadeira natureza da APSS, agora, tal inverdade escalou para um nível superior, em que qualquer informação ou desinformação tem consequências. Refiro-mo à afirmação da APSS de que as providências cautelares, propostas por dois movimentos contrários ao projecto, terão redundado no insucesso por já terem sido “indeferidas pelo Tribunal”, tentando assim demonstrar-se coberta de razão quando defende a bondade ambiental do projecto em causa.

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Correndo o risco da mentira se concretizar, o Clube da Arrábida desistiu de constantemente vir a terreiro desmascarar a inverdade de tal afirmação, pois a importância de uma mentira é directamente proporcional à importância de quem a conta, e no caso… Grave, contudo, é quando tal inverdade incorpora o discurso de um Ministro do Governo da República, perante uma comissão constituída por membros do Assembleia da República, e é divulgada em directo através do canal televisivo ARTV.

Foi com estupefacção e preocupação que a Direcção do Clube da Arrábida ouviu e visionou no passado dia 22 de Janeiro, a Srª Ministra do Mar, perante a comissão de agricultura e mar, declarar, que até tinham existido duas providências cautelares que já tinham tido resposta de indeferimento do tribunal! Ora, das três uma: ou a Administradora da APSS informou mal a Srª Ministra, de quem aliás é amiga pessoal, ou a Srª Ministra não procurou informar-se dos factos, ou, então, tinha nesse dia informação que as partes envolvidas ainda não têm.  A gravidade é evidente dado a qualidade de quem proferiu tal declaração!

Impõe-se, pois, repor a verdade: Até dia 22 de Janeiro de 2019, e no que ao Clube da Arrábida concerne, não tinha o Tribunal proferido qualquer decisão de indeferimento da providência cautelar proposta contra a APSS e contra a APA, tão pouco o mesmo órgão de soberania havia sequer procedido à análise da mesma.  O que se indeferiu, foi a possibilidade do decretamento provisório dessa providência, ou seja a possibilidade de decretar provisoriamente uma providência enquanto não se toma decisão (de fundo) sobre essa mesma providência,  algo que nada tem a ver com o fundo da questão, ou com o decretamento ou não da providência, algo que não implica qualquer juízo de valor sobre a mesma: algo muito diferente do “indeferimento da providência” como qualquer pessoa facilmente entende.

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Perante isto, o mínimo que se exige é que a Srª Ministra do Mar, venha, perante os mesmos membros do Parlamento, repor a verdade dos factos, não permitindo qualquer confundibilidade com a forma com a APSS os trata. Pode igualmente em abono da verdade e da sempre invocada ética republicana, proceder a pequenas rectificações ao seu depoimento, como seja  entre outras, a quantidade de areia a dragar (são 6,5 e não 3,5 milhões m3) ou a dimensão da colónia de golfinhos que, não só não tem aumentado como na verdade tem diminuído nas ultimas décadas (de 40 indivíduos para cerca de 28 actualmente)….

É o mínimo que os membros da comissão em causa merecem; é o mínimo que as populações banhadas pelo Sado podem exigir a um governante: a reposição da verdade dos factos sempre que, seja qual for a causa, a ela se faltou.

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