Qualquer eleito carrega a difícil missão de corresponder às expectativas do eleitorado, procurar defender o melhor possível o seu território e o País, procurar soluções onde os problemas persistem, junto de quem tem poder executivo.
Quem é eleito tem de preparar-se para longas horas de debate, confronto de ideias e fazer valer aquela que é a melhor solução para a sua região e para o País. Ser eleito não é «só» ser escolhido: é representar a voz e a postura de quem em si depositou a sua confiança, com o seu voto.
O que escrevo é o básico que cada político, cada eleito deveria saber. Mas, sobretudo, cada eleito deveria respeitar os restantes eleitos, abstendo-se de caluniar, mentir, ofender, desrespeitar. E, ultimamente, nos fóruns que frequento, quer locais, quer no Parlamento, tenho assistido a tristes episódios, que em nada dignificam a política.
O que se passou a semana passada em dois debates no Parlamento, envolvendo a deputada do PSD eleita por Setúbal e vice-presidente da Assembleia da República, Teresa Morais e o líder do partido Chega e deputado, André Ventura e outros elementos desse partido foi, no mínimo, degradante, inaceitável e desrespeitoso, para com toda a Democracia e os Portugueses.
Em primeiro lugar, porque a Vice-Presidente (tal como os outros três Vice-presidentes) foi eleita pelo Parlamento para exercer as funções como tal. Tem legitimidade, preparação, rigor. Sabe muito bem distinguir a sua função de deputada do PSD da de Vice-presidente da Assembleia da República, mantendo-se imparcial, objetiva e focada na missão de coordenar os trabalhos em plenário, da forma mais justa e eficiente, possível.
É um facto. Nas emissões dos Plenários, só se ouve um microfone de cada vez. Não se ouve tudo o que nós, deputados, ouvimos. Que pena os Portugueses não o poderem também ouvir, talvez assim percebessem o que realmente se passa no Parlamento…
O que se passou a semana passada foi só mais uma sucessão de lamentáveis episódios que, em nada dignificam a democracia e o trabalho que fomos eleitos para fazer. Fazer política não pode nem deve passar pelo insulto, pelo berro.
E quando Teresa Morais desempenha, de forma irrepreensível, o seu trabalho, aplicando de forma rigorosa o regimento, é acusada de não o conhecer, de ser parcial, sendo alvo de uma avalanche de críticas, inclusive de um deputado – à data, ainda Secretário da Mesa -, que deveria ter uma postura educada e contida, mas que irrompeu numa torrente de críticas e berros.
Terão estes acessos de fúria como objetivo publicações de TikTok? Não verão estes deputados o péssimo exemplo que passam para o público, mostrando que a agressividade na conduta é legítima pois «até acontece no parlamento»? Ou fará o Chega gala de fazer este tipo de política, com menos argumento, mais berro, desinformação e populismo?
Teresa Morais esteve muito bem.
Haja mais respeito na Casa da Democracia. Haja mais respeito pelos Portugueses.