No Hospital da Luz Setúbal, o percurso de um doente não se define por um momento isolado, mas por um acompanhamento contínuo, pensado para dar resposta em todas as fases da doença — com proximidade, organização e sentido humano.
Cada doente é recebido como alguém que precisa de resposta, mas também de escuta, de clareza e de presença. Num ambiente muitas vezes marcado pela urgência, há um esforço deliberado para que o cuidado não seja apenas técnico, mas também humano — feito de decisões rigorosas e de atenção aos detalhes que fazem a diferença.
Tudo começa, na maioria das situações, no Atendimento Urgente, aberto 24 horas por dia, todos os dias da semana. É um espaço onde chegam histórias diversas, algumas simples, outras complexas, muitas vezes acompanhadas de preocupação e incerteza. Aqui, cada pessoa é avaliada de forma rápida e estruturada, com acesso a exames que permitem perceber, com rigor, o que está a acontecer. Para os doentes que necessitam de vigilância mais próxima, existe uma sala de observação, onde se acompanha a evolução clínica de forma contínua, ajustando decisões com base na resposta do próprio doente.
Quando a situação exige Internamento, o cuidado ganha outra dimensão — mais tempo, mais reflexão, mais partilha. Ao longo dos dias, diferentes especialidades são chamadas a contribuir, cada uma trazendo o seu conhecimento para melhor compreender a doença e a pessoa. Há discussão, há confronto de perspetivas, há construção conjunta de decisões. No centro deste processo está a Medicina Interna, que assume a coordenação global, garantindo uma visão integrada e evitando que o cuidado se torne fragmentado ajudando a transformar múltiplas visões num plano claro e consistente. Esta organização permite que cada decisão seja tomada com base no todo — na doença, mas também na pessoa.
Nos momentos mais críticos, em que a vida está em risco, a Unidade de Cuidados Intensivos assume um papel central. Trata-se de um espaço altamente diferenciado, mas, acima de tudo, profundamente humano. Aqui, uma equipa multidisciplinar trabalha de forma contínua: médicos intensivistas, enfermeiros especializados, fisioterapeutas, nutricionistas e farmacêuticos entre outros profissionais, partilham responsabilidade e conhecimento para cuidar de doentes em estado crítico. Cada decisão é ponderada, frequentemente discutida em equipa, cruzando diferentes olhares para garantir a melhor abordagem possível.
A vigilância é permanente, a tecnologia é avançada, mas o cuidado vai além disso. Há uma atenção constante à evolução clínica, à resposta aos tratamentos, ao equilíbrio entre intervenção e prudência. E há também uma preocupação crescente com a comunicação — com a família, com o próprio doente quando possível — reconhecendo que, mesmo em contexto crítico, a informação clara e a proximidade são parte integrante do cuidado.
Esta equipa não se limita à Unidade de Cuidados Intensivos. Sempre que necessário, desloca-se ao Atendimento Urgente ou às enfermarias, apoiando colegas, avaliando doentes e contribuindo para decisões em momentos particularmente exigentes. Esta presença transversal reforça a capacidade de resposta do hospital e assegura que o conhecimento especializado está disponível onde é mais necessário.
Depois da fase mais aguda, o regresso a casa é acompanhado com a mesma atenção. Nos dias seguintes à alta, o doente é reavaliado em Hospital de Dia, onde se confirmam medicações, se revêm análises e se esclarecem dúvidas que possam surgir. Este momento permite ajustar o plano terapêutico e reforçar a confiança no processo de recuperação. Posteriormente, o seguimento continua em consulta externa, de forma programada e adaptada a cada situação.
Desde situações simples e transitórias até doenças mais complexas e crónicas, existe um compromisso claro: garantir que ninguém fica sem resposta, em nenhum momento do seu percurso.