12 Junho 2024, Quarta-feira

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“A Oeste Nada de Novo”

“A Oeste Nada de Novo”

“A Oeste Nada de Novo”

Recentemente tive ocasião de ver na televisão um excelente de filme alemão intitulado “A Oeste Nada de Novo” referente à 1ª Guerra Mundial, baseado no romance de Erich Maria Remarque.

Erich Maria Remarque nasceu em 1898, tendo-se tornado num dos mais importantes escritores alemães do séc. XX. Banido pelos nazis por ser descendente de judeus franceses, viu os seus livros serem atirados para a fogueira e foi exilado em 1933 sob acusação de fazer propaganda contra os nazis.

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Posteriormente, Remarque viu o seu trabalho reconhecido ao mais alto nível da Literatura, tendo sido um dos grandes candidatos ao Nobel na sua época.

A partir do livro “A Oeste Nada de Novo”, foi realizado o filme com o mesmo nome.

Em 1914, um professor incentiva uma turma de estudantes alemães – jovens e idealistas – a alistar-se para a “guerra gloriosa”. Todos o fazem, movidos pelo ardor e pelo patriotismo próprios da juventude. Mas o seu desencanto começa logo durante a recruta.

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Mais tarde, ao embarcarem no comboio que os levará à frente de combate, constatam as feridas terríveis sofridas sob o impacto das bombas e das metralhadoras. É o seu primeiro vislumbre da realidade da guerra. Não será o último.

Nas trincheiras, um a um, os rapazes começam a tombar em combate.

Tal como o filme “1917” de Sam Mendes, o filme “A Oeste Nada de Novo” de Edward Berger transporta-nos directamente para as trincheiras, local simbólico onde se desenrola todo o drama de guerra.

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Sentimos o cheiro a sangue, suor, sujidade, lama, ratos, medo, pavor. Não existem heróis; existe sim a luta por uma sobrevivência primária; matar e não ser morto.

A morte está sempre omnipresente; rapidamente os jovens perdem a inocência.

Uma cena particularmente chocante e perturbadora é a luta corpo-a-corpo entre o protagonista alemão Paul Bäumer e um soldado francês em que o primeiro apunhala o segundo, mas perante o estertor da morte do soldado francês, o alemão tenta salvá-lo, não o conseguindo.

Outra cena simbolicamente importante é o encontro entre os responsáveis alemães e aliados, durante a assinatura do Armistício, onde estes humilharam os germânicos de forma insensata, dando origem a um orgulho ferido e a um forte ressentimento que proporcionou, nos anos 30, a conquista do poder a Adolph Hitler.

Com a 1ª Guerra Mundial, a Alemanha e a Rússia registaram cerca de 2 milhões de mortos cada; a França e a Áustria-Hungria, 1,4 milhões cada; Grã-Bretanha, 960 000 mortos; Itália, 600 000 mortos; Império Otomano, 800 000 mortos; Estados Unidos, 120 000 mortos, somente para referir as baixas mais significativas.

Relativamente a Portugal, entre 1916 e 1918 partiram para a Guerra mais de cem mil soldados portugueses, que combateram em África e em França. Portugal registou quase 20 mil baixas, o que faz de Portugal um dos países proporcionalmente mais flagelados.

Em todas as zonas atingidas pela guerra, as perdas de vidas humanas foram devastadoras.

Ninguém pode sequer fazer uma estimativa e calcular o número de feridos, cujas vidas ficaram definitivamente afectadas como resultado desta guerra. Lesões físicas, acarretando deficiências gravíssimas e lesões psicológicas marcaram para toda a vida milhões de pessoas. O que sobreviveram, carregaram até ao fim dos seus dias o esmagamento da personalidade, a destruição dos sonhos e stress pós-traumático.

Todos pensavam que iria ser uma guerra rápida, fulminante, com o objectivo de regressar o mais rapidamente possível para casa.

Aquilo que foi pensado para durar cinco meses, durou quatro anos. O mundo novo prometido não passou de uma ilusão.

A 1ª Guerra Mundial não foi a guerra decisiva; foi somente a primeira de muitas que haveriam de se seguir: 2ª Guerra Mundial, Coreia, Vietname, Tibete, Guerras Israelo-árabes, Afeganistão, Kuwait, Iraque, Irão, Malvinas, Angola, Moçambique, Sudão,  Etiópia, Somália, Balcãs, Geórgia, Crimeia, Ucrânia, Líbia, Síria, terrorismo, Daesh, atentados, etc.

Contudo, com a 1ª Guerra Mundial, a Humanidade atingiu seguramente um dos seus pontos mais baixos de sempre.

A Dor, a enorme Dor Humana, individual e colectiva, essa é, de facto, a característica que perdura.

Com os filmes “A Oeste Nada de Novo” retratando a 1ª Guerra Mundial, e “A Queda” de Oliver Hirschbiegel, retratando a 2ª Guerra Mundial, com um notável Bruno Ganz a interpretar uma das melhores personagens de Hitler, a Alemanha acaba, quanto a mim, por fazer as pazes como seu passado.

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