A importância do xadrez no Ateneu Popular de Montijo

A importância do xadrez no Ateneu Popular de Montijo

A importância do xadrez no Ateneu Popular de Montijo

27 Fevereiro 2026, Sexta-feira
Investigador aposentado do LNEC Doutorado em Sociologia Membro da Concelhia do PCP em Montijo

O Ateneu Popular de Montijo (APM), legalizado em 1946, tem-se destacado no panorama cultural montijense pelas suas diversas atividades culturais e desportivas e festejará no dia 28 de fevereiro mais um aniversário!

Parabéns, APM! De entre as mais recentes iniciativas culturais saliente-se a criação de espaços de debate público, com convidados como Pacheco Pereira ou Filipe Duarte Santos (próximo debate!), sessões de leituras livres de poesia e prosa ou a particular experiência da audição de velhos sucessos da ‘música em vinil’, entre outras iniciativas. O APM constitui-se, assim, como um espaço cultural e convivial que convida à copresença de gerações diferentes, e ‘desvia’ muitos jovens do écran dos telemóveis e dos jogos virtuais de guerra. O APM distingue-se, aliás, numa outra ‘guerra’ e jogo de tabuleiro: o xadrez!

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Recentemente, nos campeonatos distritais que ocorreram em Montijo, entre 14 e 17 de fevereiro deste ano, o APM conta com vários lugares cimeiros com Rafael Valle e João Teixeiras  (Campeão Distrital e Vive-Campeão Distrital de Sub-16, respetivamente), Lara Charrua (Campeã Distrital de Sub-18), além de estar bem representado em outros escalões etários (3º lugares nos Sub-12, Sub-18, Sub-20 e um 4º lugar nos escalões de veteranos). É, assim, um desporto para todas as idades, e que une gerações sob uma matriz de competição que é, em simultâneo, um desafio intelectual e emocional.


Com aulas de ensino gratuito abertas à comunidade, o APM tem também estabelecido parcerias com as escolas locais. Conta com treinadores credenciados, com o grau mais elevado conferido pela Federação Portuguesa de Xadrez, como o jovem Daniel Rocha.


De entre algumas das conquistas do passado, confirmando a atividade de xadrez no APM como prática inclusiva, destaque-se a consagração de José Mimoso como Campeão Nacional de Xadrez para invisuais. Lembremos, ainda, pelas suas qualidades de dirigente o saudoso Adriano Lucas, homenageado pela Câmara Municipal de Montijo. Recorde-se o momento da sua homenagem, já incapacitado para o jogo, denunciando a sua mágoa em lágrimas e a sua extrema sensibilidade humana.

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É que o xadrez pode ser experimentado como uma filosofia sobre a condição humana: também sobre o tabuleiro se aprende que o mais pequeno gesto pode acarretar graves consequências indesejadas!


Medalha de Ouro da cidade de Montijo, o APM destaca-se como Coletividade de mérito que teima em fazer exaltar o que de mais nobre nos pode tornar (mais) humanos: a aprendizagem constante, o reconhecimento das nossas capacidades e fraquezas, o respeito pelo outro que nos confronta!


O jogo é uma circunstância que nos impõe desafios. Assim também, humanamente, somos produto das circunstâncias. Mais importante que isso: o que nos distingue não são as circunstâncias, mas o que fazemos a partir delas e, muitas vezes, apesar delas.

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