24 Fevereiro 2024, Sábado
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A Líbia é um triste exemplo

As inundações na Líbia provocadas por chuvas torrenciais e o terramoto em Marrocos, foram os dois maiores desastres naturais recentes a nível mundial. O primeiro, provocado pelas alterações climáticas. Logo, menos natural que o outro.
Embora ainda mais mortíferas, as inundações, com dezenas de milhar de mortos, tiveram menos repercussão mediática que o terramoto. Mas, evidentemente, igualmente lamentáveis.
A história recente da Líbia, é um dos grandes exemplos da prepotência, da hipocrisia, dos que se arvoram em campeões da democracia e dos direitos humanos: EUA, seus aliados e a NATO.
Este é um dos grandes, mas são diversos, os tristes exemplos. Apenas mais alguns: O Afeganistão, onde armaram e financiaram os Talibãs para derrubarem o Governo que tentava libertar o seu povo do obscurantismo e do quase feudalismo, e que depois de lhes perderem o controlo e após uma prolongada e sangrenta guerra, saíram sem brilho nem glória, entregando o país a esses fanáticos.
A Jugoslávia, que retalharam e cuja capital, Belgrado, intensamente bombardearam.
O Iraque, baseados num pretexto que sabiam ser falso (a existência de armas de destruição massiva), invadiram, destruíram, causando centenas de milhar de mortos e refugiados. A Síria, durante anos também agredida. Israel, sempre apoiado, e há décadas a massacrar e a ocupar a Palestina. No Chile, participaram no golpe fascista de Pinochet, e apoiaram o de 2014 na Ucrânia de que resultou o atual governo. E tantos, tantos outros. Por exemplo, na América Latina que consideravam o seu quintal das traseiras.
Fixemo-nos na Líbia. País rico em petróleo e gás natural. Por isso, mas também porque ao contrário de outros igualmente ricos, devido a uma gestão eficaz e patriótica, atingiu um nível de desenvolvimento económico e social que era um exemplo na região e não só. Mas um mau exemplo para quem não olha a meios para atingir os fins que visam a rapina e a hegemonia global. É o que continuam a fazer com a UE a reboque, na guerra da Ucrânia, cuja intensificação e prolongamento não quiseram evitar, ao manterem o apoio a ela no Donbass (o que deu pretexto à invasão) e ao não cumprimento dos acordos de Minsk. E com a expansão da NATO até à região Ásia/Pacífico, através de parcerias com a Coreia do Sul, Austrália e Japão, visando a China.
Na Líbia, devido ao tal “mau exemplo” do seu então líder, Muammar Kadafi, não tiveram pejo em a bombardear prolongada e intensamente, sendo Kadafi miseravelmente assassinado por um dos grupos terroristas que tomaram conta do país.
Um país à deriva, devastado, potenciando ao máximo as consequências das inundações. Por exemplo, o rebentamentos de duas barragens devido em grande parte à falta de manutenção.
É este o alegado respeito pelos povos. Incluindo, evidentemente, o ucraniano que transformaram em carne para canhão nesta guerra, cujas consequências, se não for diplomaticamente resolvida, podem ser apocalípticas face aos arsenais, sobretudo nucleares, dos contendores.10

Francisco Ramalho
Professor, Corroios
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