2 Fevereiro 2023, Quinta-feira
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O que o 25 de novembro não impediu

Comemoraram-se, há dias, os 47 anos do 25 de Novembro de 1975. Uma data que nenhum democrata pode deixar de celebrar. E sendo este o primeiro 25 de Novembro, desde que escrevo n’ O Setubalense, não podia deixar de assinalar a data.
Curiosamente, não pretendo escrever sobre o que de positivo resultou do 25 de Novembro. Já muito foi escrito – e historicamente reconhecido – sobre o que acabou com o fim do Processo Revolucionário em Curso (PREC), como a anarquia nas universidades, nas repartições públicas ou nas empresas, as prisões arbitrárias ou as torturas no COPCON. Com o 25 de Novembro interrompeu-se a deriva totalitária e de esquerda radical em Portugal. E apenas quem não ama a liberdade – e a verdade – não reconhece estes factos.
Pretendo, sim, escrever sobre o que, infelizmente, o 25 de Novembro não impediu na Península de Setúbal e cujas consequências ainda hoje se sentem. Refiro-me, claro, às nacionalizações feitas durante o PREC e que, em Almada, no Seixal ou no Barreiro, tiveram um impacto muito maior do que a generalidade das restantes nacionalizações teve no resto do país. As nacionalizações das empresas de transporte fluvial que garantiam a travessia do Tejo (e que vieram a dar origem à Transtejo e à Soflusa), da Siderurgia Nacional ou da CUF deram início à decadência de uma das mais importantes bases industriais da Europa Ocidental.
Na Lisnave, em que se assistiu ao controlo da empresa por comissões de trabalhadores dominadas pelo PCP e através da presença do Estado obtida à conta das nacionalizações das participações sociais de alguns dos acionistas, o declínio foi mais lento, mas não menos penoso. Enquanto neta de um antigo operário da Lisnave, e ex-atleta do seu ex-clube desportivo, a degradação dos Estaleiros da Margueira ou a ruína em que se transformaram as instalações da piscina, são-me, pessoalmente, dolorosas.
Sem qualquer sombra de dúvida, estas nacionalizações foram decisivas para a fome vivida na Península de Setúbal nos anos 80 e para todo o contexto atual de baixos indicadores socioeconómicos. Não só pelo que se perdeu no curto prazo, mas, principalmente, pela interrupção decisiva e permanente do desenvolvimento económico, o legado do PREC é lamentável.
Não sendo possível regressar ao passado, e mesmo que se saiba que Portugal – e a Península de Setúbal – talvez não tenha mais as condições para recuperar as atividades económicas destruídas, ainda assim, há lições a retirar.
Há que aprender que ideias do Estado como proprietário de Empresas, que resultam na ausência de um setor privado forte, ou que perturbações em empresas como a Autoeuropa, por exemplo, não geram riqueza, empregos ou oportunidades. Pelo contrário, geram degradação urbana, desemprego, fome e muitas vidas destruídas.
Apenas um setor privado forte e livre da intervenção do Estado, ligado à investigação e à inovação, permitirá a criação de novos polos económicos, geradores de oportunidades, bem-estar material e, consequentemente, de liberdade.
Enquanto alguém que cresceu entre a decadência da antiga indústria destruída pelo PREC e a prosperidade gerada pela AutoEuropa – algo impossível sem o 25 de Novembro – defenderei, sempre, viver num país que respeita a economia de mercado, a propriedade privada e a liberdade do indivíduo. 25 de Novembro sempre!3030

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