29 Novembro 2022, Terça-feira
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Sobre o Crescimento da Extrema Direita em Portugal e no Mundo

Os representantes da democracia tradicional, os partidos do sistema partidário estão em falência, com políticas mais amigas do Status Quo do que propriamente da mudança, do progresso, da inovação, das reformas que o país carece e são tão aclamadas por um povo que se sente esquecido. Sistema partidário este que tem falta de ambição, não valoriza transversalmente o mérito, tal como, tem tido imenso espaço temporal para quedas de personalidades que outrora representavam todos os eleitores, casos mediáticos, conhecidos de todos. Estes factores, enfraquecem a credibilidade dos partidos e dos que estes verdadeiramente almejam, os seus interesses ou o interesse colectivo, do povo? Quando se dão oportunidades, os representantes do povo devem valorizar esse voto de confiança para resolverem energeticamente as adversidades da comunidade. É preciso rapidez na implementação de políticas públicas que transformem o quotidiano da sociedade. Porquê rápido? Porque eram para ter sido materializadas “ontem”. Se pretendem recuperar a confiança do povo é dorsal investirem na resolução efémera dos problemas estruturais, bem como localizados, em parceria com as autarquias locais e com a sociedade civil.

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Hoje mais do que nunca, as redes sociais e a comunicação social conseguem alcançar a profundeza do esqueleto dos partidos políticos, garantindo e promovendo uma maior transparência destes últimos, sendo que o povo com maior facilidade pode observar e interpretar à sua lente, que caminho estamos a trilhar e como é que o mesmo está a ser arquitectado, à regra, esquadro e compasso? Ou empiricamente? Os partidos políticos afastaram-se das pessoas, dedicaram-se ao seu interior, falam de dentro para dentro, sem responderem à voz ecoada do cidadão comum, sem os integrarem de forma plena na sua agenda. A corrupção instalou-se com uma grande facilidade no sistema político, sem ser combatida de forma efectiva por quem deve dar primeiramente o exemplo.

O populismo deriva do descontentamento generalizado da população, em que emerge um líder com uma personalidade forte, energética, popular e com mensagem simples de percepcionar. Alguém que afirma querer acabar com as clientelas políticas, com os “partidos-cartéis”, com a extrema burocracia, com a imigração descontrolada e controlada, com a justificativa de que estão a “sugar” os nossos recursos financeiros e geográficos, um partido “virgem”, daí a sociedade puder dar o benefício da dúvida e ter fé que o novo pode trazer consigo mudança, quando na verdade estes enviesam o seu discurso na dicotomia povo vs elite, fracos vs fortes, puros vs impuros, um disco riscado, á espera de ser tocado novamente, como no passado. Partidos novos, em que o líder e criador é o rosto da luta e sem ele o partido deixa de ser funcional, uma política de concentração natural de poder, um sinal que por si só, já deveria de ser um alerta para o futuro. Uma política focada num discurso unipessoal, limitado, de defesa da “maioria injustiçada”, do nacionalismo puro, dos esquecidos, dos pobres e dos cansados do “politicamente correcto”, defensores das massas e da demagogia facilmente instalada nos corações destroçados e atacantes das minorias étnicas que não devem ser segregadas, demonizadas, mas sim integradas, desenvolvendo-se estratégias nacionais que tenham em vista solucionar o problema, com o auxílio e protagonismo dos principais interessados, essas mesmas minorias.

O nacionalismo de direita cresce exponencialmente da investida e sobrelotação dos fluxos migratórios por via da procura de uma vida melhor, afastada da guerra, da fome, do desemprego, criando eventuais crises de identidade àqueles que exaltam o nacionalismo, a sua história e ADN, como a chave mestra do desenvolvimento económico, financeiro e social do seu país, sem a necessidade de abertura do mesmo para os demais. Um ideário inimigo da globalização, da integração, do cosmopolitismo. Crê-se superior em relação a outras culturas, é preconceituoso e xenófobo, facilmente discrimina o diferente e de fora da redoma. Tudo o que é extremo e radical não pode ser intelectualmente honesto. Alimentam-se dos falhanços do tradicional para chegarem ao poder, sendo que se lá chegarem, o radicalismo em todas as políticas públicas, a concentração de poder numa só pessoa e as políticas “fast food” serão os produtos entregues ao consumidor final, o povo. Estes partidos têm ainda uma estratégia de “phishing político-digital” furtando aparentemente as angústias das pessoas, através de um marketing político de “bater no sistema, até o partir aos bocados”, no entanto fazem parte dele, irónico, não? E, como a frustração popular é tanta que a emoção se sobrepõe à razão.

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A extrema-direita cresce em toda a Europa e pelo mundo, dando uma vitória agora em Itália, um motivo pelo qual os partidos políticos devem realizar uma reflexão coletiva introspetiva e alterar a sua abordagem em relação às pessoas, tal como, em relação aos seus programas, uma vez que é imprescindível ouvir mais e colocar em prática o que se propõe a desenvolver. A direita tradicional também tem a sua quota parte de culpa, desfocando o seu ângulo social-democrata para ser mais liberal. Os movimentos supostamente “anti-sistema” quando aparecem têm tendência a abordar os temas desviantes, trazidos para a mesa da sociedade civil e colateralmente política, o que estimula mais a implementação da mudança, o que não é necessariamente mau, todavia deveriam de ser os partidos que defendem a democracia liberal, a colmataram essa lacuna, não dando espaço e azo a esse preenchimento descontrolado, anacrónico, radical e anti-democrático.

O nativismo, o populismo, o autoritarismo poderão estar de volta, o que causará muita ambiguidade em torno de qual será o futuro do mundo, criando-se mais “homens populares, que se mostram amigos do povo” para chegarem ao poder, tomarem-no e moldarem-no à sua imagem.

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João Pedro Leitão
licenciado em Direito - Jurista
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