12 Agosto 2022, Sexta-feira
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Aumentam os lucros, enquanto os salários dão para menos

Na semana passada ficámos a saber que os lucros da GALP aumentaram 153% no primeiro semestre de 2022 em comparação com o período homólogo e alcançaram o valor de 420 milhões de euros. A GALP atribui estes resultados às “condições de mercado favoráveis”, isto é, à guerra, às sanções e à taxa de inflação que atingiu níveis históricos de 30 anos, cuja fatura está a ser suportada pelos trabalhadores e o povo. É o descarado aproveitamento da guerra e das sanções para maximizar lucros.

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As medidas adotadas pelo Governo foram insuficientes, designadamente a redução parcial do imposto no combustível foi absorvida pelas petrolíferas. Quem beneficiou foram as empresas petrolíferas que aumentaram os seus lucros, enquanto os preços continuaram elevadíssimos.

A EDP teve 306 milhões de euros de lucros no primeiro semestre de 2022.

Os lucros da SONAE cresceram 89,1% no primeiro semestre de 2022 para 118 milhões de euros, mas os preços dos bens alimentares não pararam de aumentar.

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Os principais bancos lucraram mais de mil milhões de euros de janeiro a junho de 2022, mais 75%, quando em 2020 e 2021 “reduziram” mais de 3000 trabalhadores e encerraram mais de 350 agências bancárias. Em 2021 havia 3530 agências bancárias, mas já chegaram a existir 6453 em 2010. Os despedimentos e o encerramento de agências bancárias deixaram muitas populações distantes dos serviços bancários.

Os lucros da Semapa (holding que integra a Navigator e a Secil) quase que duplicaram para 141 milhões de euros.

Num contexto de agravamento das condições de vida dos trabalhadores, dos reformados e do povo, de perda de poder de compra, os grupos económicos continuam a acumular riqueza, com extraordinários lucros.

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Os lucros aumentam mais isso não tem nenhuma tradução no aumento dos salários. Ao mesmo tempo crescem as desigualdades e as injustiças, quando uma pequena minoria acumula riqueza à custa da apropriação do trabalho e do empobrecimento de uma ampla maioria.

Com os preços da eletricidade e do gás a aumentar, a alimentação cada vez mais cara, os custos com a habitação a crescer, os salários e as pensões dão para cada vez menos. Sobram dias no fim do mês e há quem já não consiga pôr comida na mesa. Não obstante esta realidade, o Governo insiste na recusa da valorização dos salários e pensões, impondo na prática um corte.

Esta realidade não é nenhuma inevitabilidade, como se não houvesse nada a fazer para a alterar. Nada disso! Há muito que pode ser feito, o que falta é vontade política do Governo PS e também de PSD, CDS, IL e CH em enfrentar os interesses dos grupos económicos, como se os seus lucros fossem intocáveis.

Combater o aumento do custo de vida exige a valorização dos salários e das pensões e o controlo e fixação de preços, em especial na definição de preços de referência para os combustíveis, removendo as componentes especulativas, na redução do IVA da eletricidade e do gás, na definição de preços de referência para os bens alimentares à taxa reduzida do IVA e na criação de uma contribuição extraordinária sobre as empresas petrolíferas.

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Paula Santos
Deputada do PCP
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