11 Agosto 2022, Quinta-feira
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Jéssica

Eu sou um professor com muito orgulho. Toda a minha vida profissional lidei, lido e lidarei com crianças. É no meio delas que me sinto bem, que avalio os seus olhares limpos, os seus gestos alegres e vivaços, as suas forças e fragilidades, a sua espontaneidade e naturalidade, as suas alegrias, vivacidade, gosto pela vida, pelas Ciências Naturais, pelos animais, pelas plantas, pelas florestas, pelo respeito do Ambiente, pela Vida, seja qual for.

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Alunos portugueses, brasileiros, ucranianos, moldavos, russos, angolanos, moçambicanos, cabo-verdianos, timorenses. Até temos um aluno afegão. A multiculturalidade começa na escola.

 

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As crianças trazem em si a semente do amanhã. Logo, tem de ser cuidada, acompanhada, acarinhada.

 

Jéssica, uma menina com três anos morre devido a maus-tratos continuados?

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A mim não me interessa saber quem matou, se foi a falsa ama, o marido, a filha, a mãe, o padrasto ou outra pessoa qualquer. Ou se foi em Setúbal, ou noutro local qualquer. Se foi por dívidas de uns relativamente aos outros. Ou por outro motivo qualquer.

 

Com apenas um mês, esta criança já estava sinalizada pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ). Então e a família mais próxima, os amigos e os vizinhos?

 

A morte de uma criança, uma vida interrompida logo no seu início, provoca-nos um sentimento de raiva, de angústia, tristeza, desolação e impotência. Mas sobretudo de muita raiva. Que sociedade é esta que permite que se bata e matem mulheres, agrida e matem idosos, sevicie e matem crianças?

 

Torna-se necessário que todos aqueles que tenham a responsabilidade e a incumbência de proteger crianças (pais/famílias, professores, educadores, profissionais diversos), sejam agregados numa estrutura eficaz de prevenção e acompanhamento dos mais pequenos.

 

Não é o que sucede na prática. Como professor, sei, infelizmente, do que estou a falar. Muita burocracia; pouca eficácia.

 

Com um sistema de acompanhamento entende-se um conjunto de procedimentos e boas práticas partilhadas dentro de uma organização, cujo objectivo é o de assegurar que as crianças estejam seguras e que sejam sempre protegidas de maus- tratos e abusos por qualquer pessoa que entre em contacto com elas.

 

É importante ter também um corpo de polícia especializado nestes casos e que possua uma moldura legal que lhes permita serem operativos e eficazes, bem como um sistema rápido de procedimentos de sinalização que indiquem rigorosamente o que fazer caso surjam suspeitas de abusos.

 

Temos de ser capazes de possuir uma comunidade coesa, preventiva, potenciadora de estilos de vida saudáveis e uma rede social forte e coerente, colocando o acento tónico na criança.

Uma grande tristeza, uma vida que se apaga antes de tempo.

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