6 Julho 2022, Quarta-feira
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Quando a guerra é um ideal!

Naquele dia, despediram-se dos filhos com especial carinho. Secaram com os lábios as lagrimas no rosto dos que amavam e afastaram-se. Partiram, sentindo no peito apertado pelo medo da perda, o mais nobre e bonito sentimento: o Amor! Os amigos desejaram-lhes boa sorte, os vizinhos coragem e as mães, ao seu pescoço colocaram uma medalha da santa de sua fé, e sem olhar para trás, partiram orgulhosos da sua missão. Entre as paredes de sua casa deixaram todo o seu mundo, e com ele o melhor e mais humano que havia em si. E como atores no mais horrifico dos filmes, no dia seguinte, transformaram-se em monstros, em nome de um ideal. Um ideal que os faz matar, destruir cidades, violar, torturar e estropiar, dilacerar física e psicologicamente outros homens, seus filhos e pais, e em que acreditam, sem perceber o momento em que ele deixou de ser seu, e sim, já dono deles. Um ideal de guerra, que nunca quiseram!

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Ora diz o relatório do Instituto Internacional para a Paz, que todos os anos, trezentos mil milhões, cinco vezes mais do que o orçamento anual para a manutenção de paz da ONU, resultam do comercio de armas. E segundo o mesmo instituto, juntos, os Estados Unidos, Rússia, França, Alemanha e China, foram responsáveis e nesta ordem, por 75% das exportações bélicas entre 2014 e 2018, provando que um ideal que ninguém parece querer, acaba por servir tantos outros e o quanto, a guerra o pode ser. E desse modo, assim nos ser “vendido”.

Coletivos, os nossos ideais são económicos e políticos, e temo-los há décadas como democráticos. Habituados a ver na sua base a luta pela tolerância, pela igualdade, pelo respeito entre os povos, pela justiça social, fim do preconceito racial, dignidade humana e principalmente: a Paz. Neste sentido, perguntemo-nos então: para onde caminham e afinal que ideais seguimos, quando vemos entre nós aqueles que mais os defenderam, calar sua voz, encolher os ombros ou desculpar regimes que os contrariam.  Ideais que já não cabem, num boletim de voto que só tem os extremos, e tão opostamente iguais, na destruição dos valores em que acreditávamos á tão pouco tempo. E para os proteger, garantir, só o que nos une pode vencer o que nos separa. Uma adoção de ideais universais, não impostos como leis, direitos ou deveres, mas nascidos em nós, natos e genuínos. Que nos sirvam de barómetro e nos ajude. A sempre que vejamos no nosso semelhante de cor diferente um bicho apenas, na destruição de um país ou extermínio de um povo, no membro estropiado de uma criança de infância destruída, na violação, na tortura, fome e miséria, na dor e na infindável tristeza de outros, um meio para o atingir, nos obriguem a questionar, repensar e corrigir, se necessário for: que ideal temos?! Se o mesmo, contraria tudo aquilo que nele acreditávamos encontrar e nos faz um dia, despedir dos nossos filhos com especial carinho, secar com um beijo as lagrimas dos que amamos, receber de nossa mãe uma medalha de fé e orgulhosos da nossa missão, tornarmo-nos monstros no dia seguinte. Porque nessa altura já será tarde, pois ele, já nos cegou e se justificou, tornando aceitável as mais inconcebíveis crueldades, para com aqueles tão iguais a nós. Que afinal, apenas têm outros ideais. Ou não…

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António Guerreiro
Autor literário
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