23 Maio 2022, Segunda-feira
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Jovens, actores de transformação e mudança social

Celebrámos em Março o mês da juventude. Um mês marcado por diversos eventos que assinalaram uma vez mais a data e, pelo 60.º aniversário da “Crise Académica de 1962”.

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Crise esta despoletada pela proibição das celebrações do Dia do Estudante em 1962, levando à contestação e manifestação dos estudantes contra o regime ditatorial do Estado Novo.

É, pois, inegável o papel dos jovens estudantes na luta antifascista e os seus contributos que nos levaram à sociedade democrática em que hoje vivemos.

Estes jovens de 1962 são agora os avós dos jovens de 2022 que, apesar das conquistas já alcançadas, enfrentam desafios proporcionados pela globalização e pelo contexto mundial de crise pandémica, guerra, crescente poder de partidos populistas e monetização daquilo que são violações dos direitos humanos.

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Lutava-se pela liberdade de expressão, de opinião, de reunião e de livre associação, estas eram as lutas num Portugal ditatorial. No Portugal democrático, as lutas dos jovens continuam, de forma livre e sem medo de represálias, adaptadas às realidades de um mundo global que lida com problemas que vão muito além de uma sociedade fechada e estanque.

A luta pela diminuição gradual da propina nas faculdades, pela mobilidade, habitação acessível, emprego digno, justiça climática, igualdade de género, entre tantos outros, marcam o dia-a-dia dos jovens portugueses.

É inegável o contributo dos jovens, tantas vezes desvalorizados devido à sua juventude, para um futuro sustentável e justo, principalmente através de activismo e participação em movimentos, associações formais e informais de partilha de conhecimento e dinamização de actividades de âmbito social, cultural, desportivo e educativo.

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No entanto, vêem a sua actividade limitada muitas vezes, pela falta de interesse em articular com os jovens, ouvindo os seus contributos e recomendações.

Torna-se essencial que o poder central e o poder local, enquanto agentes de um Estado-social e promotor do bem-estar, proporcionem não só os mecanismos para que os jovens possam participar activamente, como também é necessário que, através destes mecanismos os contributos dos jovens sejam tidos em conta na formulação de políticas que os empoderem.

Um destes exemplos, é a Lei nº8/2009 que prevê a criação e regulamentação dos conselhos municipais da juventude, órgãos formais e consultivos do poder local na área da juventude. Esta é uma das mais importantes ferramentas de empoderamento e inclusão dos jovens na política local.

A participação cívica com impacto directo na sua comunidade é essencial para a formulação de políticas que, tenham em conta as suas verdadeiras necessidades e influenciem directamente a acção do poder local.

Infelizmente o nosso município está há 13 anos sem incluir os nossos jovens, sem ouvir os seus contributos e sem receber os seus pareceres sobre políticas que os afectam directamente, incluindo e não só, sobre o orçamento municipal.

A vontade de participar e ser ouvido por parte dos jovens é acompanhada pela perda de confiança na política dita convencional, devido à desvalorização dos seus contributos e sub-representatividade dos jovens nos partidos e órgãos de poder.

É imperativa a inclusão dos jovens na política, incentivando à participação cívica, ouvindo os seus contributos e tendo-os em conta na formulação de políticas que os afectam, de forma a torná-las adequadas às suas necessidades, problemas e objectivos.

Os jovens são importantes actores de transformação e mudança social da nossa sociedade, irreverentes, sempre na busca por uma sociedade mais justa, igual, tolerante e democrática. Vereadora do PS na Câmara Municipal de Setúbal

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