20 Janeiro 2022, Quinta-feira
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Os escravos lutaram pela liberdade

Aluta dos escravos pela liberdade tem sido sistematicamente ignorada, ao longo do tempo, nos documentos orientadores oriundos do Ministério da Educação, logo os manuais escolares de História raramente a referem.

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Assim, os estudantes interiorizam a ideia de que os escravos aceitaram pacificamente a escravatura, o que não corresponde à verdade.

De 1501 a 1866, foram levados de África mais de 12,5 milhões de pessoas escravizadas, cerca de 10 milhões tiveram como destino a América. Por diversas vezes, algumas dessas pessoas amotinaram-se durante a viagem, suicidaram-se, assassinaram os seus senhores e capatazes, fugiram para o mato.

No Brasil, os fugitivos formaram os quilombos, em locais de difícil acesso, onde milhares de pessoas conseguiram viver em liberdade. O quilombo dos Palmares chegou a ter 20.000 habitantes. A dança da capoeira, de origem africana, foi um meio de os escravos negros do Brasil se treinarem para enfrentar os seus perseguidores, quando fugiam da escravatura.

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A dança foi proibida no Brasil até ao século XX. Hoje é património imaterial da humanidade. As pequenas e as grandes revoltas armadas foram outra forma de as pessoas escravizadas tentarem conquistar a liberdade.

A revolta com maior êxito aconteceu no final do século XVIII, tendo como resultado a independência do Haiti, até então uma colónia francesa. Das várias revoltas dos escravizados na América que aconteceram na primeira metade do século XIX, destacaram-se as de Demerara- antiga Guiana Inglesa-, em 1823, e as dez que ocorreram em Salvador, na Bahia, entre 1807 e 1844.

A chegada de missionários ingleses a Demerara, em 1817, levando consigo a certeza de que todos são filhos de Deus, permitiu que os escravos se fossem manifestando nas igrejas e aprendendo a ler e a escrever.

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Do confronto ocorrido com os colonos, em 1823, resultaram cerca de 200 escravos mortos e muitos outros foram enforcados, inclusive o missionário John Smith, acusado de ser o responsável pela rebelião.

A revolta não foi em vão, pois teve como principal consequência a abolição da escravatura nas colónias inglesas decretada em 1833. Das revoltas no Brasil, destacou-se a dos malês, escravos oriundos do Norte de África que seguiam o Islão.

A rebelião foi marcada para o dia 25 de Janeiro de 1835, dia de Nossa Senhora da Guia, aproveitando a distracção de grande parte da população que estaria na festa em homenagem à santa, por outro lado, era neste dia que se encerrava o mês do Ramadão.

O movimento foi denunciado. Sem armas de fogo, os malês foram derrotados. Mais de 100 dos cerca de 500 rebeldes foram mortos, vários outros condenados à morte.

Cerca de 150 foram deportados para África, outros condenados às galés, e os restantes chicoteados. Como os libertos passaram a ser muito mal vistos pela população branca, muitos preferiram partir para África, tendo-se formado uma comunidade de cerca de 700 afro-brasileiros em Lagos, na Nigéria.

Os cerca de 150 malês e os libertos não foram os únicos a voltar para a «terra de negros», pois, em 1822, a Sociedade Americana de Colonização dos Estados Unidos da América, com ajuda governamental, arrendou um território aos chefes tribais da Serra Leoa e mandou para lá milhares de antigos escravos.

Os negros resgatados nos ataques aos navios negreiros, quando o comércio de escravos passou a ser proibido, também foram enviados para lá. Foi assim que nasceu a Libéria, país que se tornou independente em 1847.

Recorde-se que em 1845, o Parlamento inglês aprovou a Bill Aberdeen, lei que estabelecia a apreensão dos navios que transportassem escravos para qualquer parte do mundo, dando cumprimento a acordos estabelecidos entre países onde se praticava o tráfico negreiro.

As ideias iluministas de liberdade e igualdade foram o motor para o arranque das campanhas pela abolição da escravatura, a partir de finais do século XVIII, as quais contaram com o apoio de intelectuais, políticos, religiosos, membros das classes médias e de operários.

O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado no Brasil a 20 de Novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares, último chefe do quilombo dos Palmares, que afirmou: «É chegada a hora de tirar a nossa nação das trevas da injustiça social.»

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