22 Janeiro 2022, Sábado
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A política e futebol, com ou sem misturas?

Atualmente assistimos a olho nu à clivagem entre o futebol e a política, qual será o porquê desta fragmentação? Considero que tal situação ocorre principalmente devido à falta de credibilidade que vem consumindo aqueles que são os valores, princípios e contributos da política para um Estado de Direito. A política deve centrar-se primeiramente nas pessoas, acreditar e apostar no seu maior ativo, o potencial humano, visto que é ele o motor de qualquer economia e democracia. Este esquecimento tem levado ao corroer da ligação entre os políticos e os seus representados, uma vez que, para muitos está primeiro a economia e depois os cidadãos, primeiro está a conversa entrelaçada e pouco explicita, dando aso à manipulação das massas, abrindo portas àqueles que afirmam, “não falharemos!” Mas de quem é a culpa? Esta não poderá “morrer solteira”, por isso, cabe aos políticos do hoje, realizar uma introspeção, uma auto-avaliação, por forma a concluírem que o seu papel não está a ser corretamente feito, pois quando a importância dos “lugares” e do seu legado partidário se sobrepõe à prossecução do interesse público, considero que a fauna e flora estão à beira da extinção.

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E é aqui que o futebol emerge de forma exponencial, ora é óbvio, sendo ele um misto de emoções, sensações, paixões, em que cada um acredita e “grita” pelo seu clube, com a vontade de querer que o mesmo seja o melhor, uma vez que precisam de confiar em algo que contribua diretamente para a sua felicidade individual, como uma vitória e um bom jogo da sua equipa, esquecendo momentaneamente as lacunas político-partidárias e os erros crassos, sendo as verdadeiras lentilhas mortais da esperança de outrora.

Ambos são a espinha dorsal de um Estado de Direito, em que o futebol é o espelho internacional do desporto com a capacidade de colocar países no mapa, dignificando o mesmo e a política a arte de solucionar adversidades e a construção de um Estado mais justo, mais igualitário, mais inclusivo e coeso.

Importa salientar as diferentes gerações que compõe a nossa nação e a sua devida forma de olhar o presente e projetar o futuro. A Geração Z na minha opinião é a mais compreensiva, inclusiva, sendo ela constituída por nascidos entre 1995 a 2010, pois o seu “mindset” está inclinado para o inovador, para o diferente, para a constante mutabilidade do presente, uma verdadeira geração conectada com o mundo e pragmática. Em prejuízo das gerações X e Z, nascidas entre 1965 e 1994, mais propensas para o “eu-eu-eu”, tal como para o individualismo, ambição e dependência do trabalho, os “workaholic,” sem prejuízo daqueles nascidos e originários destas gerações que não possuem tais características. É capital analisar a “personalidade” de cada geração e observar como eles operam e perspectivam o amanhã, de forma a adaptar a política à metamorfose pujante do presente e não o contrário, isto é, as pessoas adaptarem-se ao “Status Quo”.

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A política e o futebol estão “casados” muito antes do início do Estado de Direito, não obstante não podemos sobrevalorizar um, em prejuízo do outro. Precisamos de cultivar nas diversas gerações a preocupação com a arquitetura da nação em que se vincularam desde o seu berço, tal como, a valorizarem igualmente a importância do desporto num todo e a sua contribuição para a projeção de qualquer país no mundo. O futebol foi desde o fascismo, comando por Salazar sendo o “ópio da população” e atualmente considero que não deverá haver misturas, “cada macaco no seu galho”, todavia, quando se está num cargo político de relevo devem os mesmos abster-se de “mixar as coisas”, isto é, o imperativo de ordem emocional não deve ditar os imperativos de ordem por afinidade clubista, o regime de casamento tem de ser o de separação de bens! Falar de política aos jantares, convívios, foi uma cultura enraizada pelas gerações passadas, desvanecendo no presente, discutindo-se mais a magia do futebol, olvidando a nossa “governação”, arrumando os votos na gaveta, deixando que sejam os “outros” a tomar as decisões por nós, tornando o caminho cada vez mais fácil para os sagazes.

Precisamos de tornar a política mais “sexy” e apelativa para os “millenial” e para que tal aconteça tudo começa em simplificar, simplificar, simplificar, uma vez que os tempos de tudo é difícil ficaram no passado, dando lugar ao mundo global e ligado umbilicalmente com a tecnologia, em que tudo está à distância da vontade de descobrir o que se pretender em meros segundos.

Em suma, importa sublinhar que tanto a política como o futebol formam importantes páginas na edificação de um Estado-Nação, porém, não podemos dedicar-nos somente a um e esquecermos o outro, uma vez que, ensinar os jovens do hoje a absorver futebol até mais não e não lhes ensinar o que são direitos e obrigações, o que é um Estado de Direito, o que é a cidadania, somente trará mais dúvida, inquietação, incerteza sobre a importância do passado na construção de um futuro em que serão eles os verdadeiros ativos, o corpo que tomará o coração e a alma lusitana.

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