21 Junho 2021, Segunda-feira
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500 palavras: António Manuel Ribeiro: de Almada para o Mundo

“Estamos em guerra – mas a invasão não é visível em colunas militarizadas, é invisível e não escolhe objectivos – vai a eito.” Fulminante, este texto de 13 de Março de 2020, início de confinamento e de pandemia! Oito meses depois, em 13 de Novembro, o título “Tenho saudades do meu país” choca e explica-se: “Que é o mesmo que dizer que tenho saudades de vós, da estrada negra que brilha, da poeira dos recintos, do som insistente da afinação da bateria (que me leva a fugir para longe), tenho saudades desse mosaico que é a festa de um espectáculo com os UHF entre os seus.”

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Entre as duas datas, 52 crónicas e uma entrevista, assinadas por António Manuel Ribeiro, incluídas no livro “De Almada para o Mundo – Crónicas do isolamento” (Aiemera, 2020), publicação que integrou um “cd” com o mesmo título, registo áudio do MMC (“Momento Musical Caseiro”) de 26 de Setembro. Os textos são provenientes das publicações facebookianas quase na totalidade; a gravação vale pelas onze músicas, mas também por homenagear a iniciativa que os UHF levaram a cabo quase semanalmente, os MMCs, iniciada em 11 de Março (cuja 52ª edição ocorreu há dias, em 1 de Maio), forma de o grupo contactar o mundo ao longo do confinamento, a partir de casa, tempo diferente que os músicos cruzaram “sem lamúrias, diminuídos de movimentos na estrada mas com o pensamento livre para criar o futuro”.

As crónicas de António Manuel Ribeiro estão povoadas por uma vontade de partilhar vida e de fomentar a esperança, como se propõe em 14 de Março – “Não estou chateado, nem sequer deprimido, estou no meu aquário de escrita e canções. Mudei as minhas rotinas; sigo as directivas do governo. Aqui virei, pelo menos todos os dias, dar-vos o melhor de mim, a minha confiança.” Percebe o leitor que a permanência desta tónica se deve à necessidade de reforçar a forma de se ser humano – “ergam a vossa bonomia, cultivem o equilíbrio, desfrutem da alegria das pequenas coisas, não lutem com o medo, não existe, não o vêem e gasta muito de vós”, apela três dias depois. O convite para as precauções é permanente, lembrando a cada um a respectiva responsabilidade de ser.

Os temas abordados são plurais – o estado da arte, a coerência, aspectos biográficos e figuras da família, o significado das datas, as leituras feitas, a ligação às geografias da sua vida, situações do quotidiano, memórias de espectáculos, a discussão política, o olhar crítico, a cidadania, a liberdade, o papel dos “media”, o tratamento da língua portuguesa, uma panóplia de reflexões sobre a forma de ser e de estar, pautadas pelo desejo de comunicar e levar os outros a comunicarem e a serem um contributo para a solução necessária. O menos positivo do mundo também perpassa pelo quotidiano das crónicas – Bolsonaro e Trump, a morte do cidadão americano pelo joelho do polícia, o conflito do presente com a História do passado mais ou menos distante, o “drink” para que a ministra convidou os jornalistas, a “informação-covid”, a ilusão do “vai ficar tudo bem”…

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Ficam também momentos sentenciosos importantes, pela aprendizagem que pressupõem e para que nos convidam, como este, de 29 de Maio: “Nunca me lamento, perante a realidade menos apetecível procuro uma saída. (…) Aprendi só a ser o que sou – um ser humano, não um ter humano. Um SER – do verbo nasce a acção.” Um pensamento que pode ser uma orientação, como vários outros que pelo livro circulam.

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