21 Janeiro 2022, Sexta-feira
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A escola remota

Aproximamo-nos da grande abertura das escolas, depois de uma segunda volta com aulas que ninguém sabe muito bem como caracterizar. Vamos chamar de mudança e transformação.

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Antes de avançar quero esclarecer porque me acho capaz de opinar sobre este assunto. Sou pai de um pré-adolescente, fui profissional em tecnologias e chefias intermédias na área dos media digitais e sou professor em áreas relevantes, multimédia e tecnologia. Por isto sinto-me minimamente qualificado.

Muitas áreas profissionais já tinham percebido que com a entrada na Internet (ou mais exatamente na comunicação digital), as coisas mudam muito. Chamam-lhe transformação digital. Mas as escolas ainda não tinham percebido bem o que era isto. São instituições mais clássicas e tradicionais, e, como a maioria dos serviços públicos, mais pesadas e difíceis de conseguir alterar o curso pré-estabelecido.

E então apareceu a pandemia.

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Tudo mudou bruscamente e obrigou a transformação digital nas escolas, que aplicaram velha e nova tecnologia para que as aulas não parassem.

O maior problema da transformação digital nunca é a tecnologia, são as pessoas. É difícil aprender, requer esforço, motivação, paciência, presença… uma série de coisas que estamos sempre a pedir a filhos e alunos. Nós, mais velhos, preferimos agarrar-nos ao que já sabemos e que está provado que funciona. É normal, o tempo e a paciência já são menos e já passámos anos a aprender a fazer muitas coisas… agora temos de começar tudo de novo? Sim!

Sempre foi assim, o mundo evolui e todos têm de estar constantemente a aprender, mas desta vez ninguém teve tempo. No dia seguinte os educadores já tinham de saber fazer o que nunca fizeram. Dar aulas pela Internet não é só fazer o mesmo que sempre se fez, mas a olhar para um monitor. É estar presente num meio completamente diferente. Mas como não houve tempo para explicações, o que aconteceu foi transferirem todo o conhecimento de aulas presenciais para o meio online. Como todas as áreas profissionais que já começaram a passar pela transformação digital podem testemunhar, a coisa não funciona assim.

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Nós, pais, vimos que as crianças começaram a ter trabalhos atrás de trabalhos (e ainda mais trabalhos), discussões a nível superior para haver obrigatoriedade das câmaras estarem ligadas, avaliações baseadas no que a câmara filma, exigência que a criança saiba usar computadores, microfones e câmaras e os programas do Teams, do Classroom, do Zoom, do Moodle… Nós, professores de áreas tecnológicas, percebemos que não faz grande diferença a câmara estar ligada (o aluno pode estar a jogar ou a ver vídeos numa janela ao lado), não interessa filmar um aluno a fazer um teste (é possível ligar outro computador ou mesmo virar só a câmara para o aluno e outra pessoa fazer esse teste), não se deve duvidar quando dizem que tiveram problemas técnicos, pode ser  mentira sim, mas também pode ser verdade e nunca temos possibilidade de saber do outro lado da rede e, principalmente, nunca sobrecarregar os alunos com trabalhos, porque se não gostamos da falta de horários em teletrabalho, porque gera abusos, também é uma questão delicada na escola. Muitos outros exemplos seriam possíveis.

Ensinar online não é a mesma coisa que fazê-lo presencialmente, o meio é diferente e quando mudamos de meio temos de alterar a forma de fazer algo. Em terra andamos, na água nadamos. Interajam mais para colmatar a falta da expressão corporal e facial, gestos e reações e que são menos óbvios na Internet. Os alunos sabem isso, eles fazem-no uns com os outros.

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