11 Maio 2021, Terça-feira
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As mulheres não se confinaram ao silêncio

O Dia 8 de março tem uma história de luta que não se apaga no nosso tempo de consumismo e opacidades que pretendem ignorar o passado e menorizar o seu lastro na organização e na vida das mulheres. O Dia Internacional da Mulher nasce sob a pena e a vontade determinada de Clara Zetkin, Defendeu um Dia para enfatizar a importância das lutas das mulheres do mundo inteiro e de algum modo lembrar a coragem de suas antecessoras na luta pela igualdade.

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O fim do seculo XIX foi marcado por grandes lutas de mulheres nas grandes fabricas têxteis de Nova Iorque com impactos em todo o mundo. Elas sentiram na pele as desigualdades relativamente aos homens companheiros de trabalho. Elas sentiram o peso da exploração com ritmos de trabalho alucinantes e horários inconciliáveis com a vida familiar.

Rebelaram-se e fizeram greves e manifestações pelos seus direitos. A par disso, mulheres de muitas origens, nas ruas reivindicavam o direito de voto, o direito à educação, o direito à igualdade na família. Com a República em Portugal nasceram movimentos de mulheres e feministas. Em Setúbal, nascia a Liga República de Mulheres presidida por Ana de Castro Osório que pugnava muito justamente pela educação das mulheres e pelo direito de voto, enquanto na indústria conserveira as operárias reivindicavam melhores salários e melhores condições de trabalho, para uma vida mais digna. Fizeram greves e manifestaram-se nas ruas, com determinação e coragem. As mulheres não pararam.

Quando celebramos o Dia Internacional da Mulher, temos presente que somos herdeiras de todas elas e partilhamos as conquistas e os desafios que sempre se puseram.

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O Movimento Democrático de Mulheres, nascido em 1968, celebrou e assinalou o 8 de março sob a nuvem negra do fascismo. Para resistir. Com a liberdade, renasceu a ânsia de gritar, estar no sítio certo à hora certa na defesa dos direitos das mulheres. O Dia Internacional da Mulher tem tido presença inquestionável na intervenção face aos reais problemas das mulheres. Nunca esquecemos, porém, os muitos sobressaltos, avanços e recuos ao longo dos 46 anos de liberdade.

Ano após ano, porque a vida não é uma linha contínua, e complexos são os momentos que temos atravessado, é nesta data que quase unanimemente atualizamos as reivindicações porque estamos inseridas na vida quotidiana, olhamos à nossa volta, sempre a pensar na possibilidade de criar e viver mundos de solidariedade e paz.

Este ano – 8 março 2021, todas as instituições nacionais e internacionais parecem ter acordado trazendo à superfície estatísticas indesmentíveis. De há anos para cá que as desigualdades salariais, a segregação profissional, as remunerações mais baixas e a precariedade são marcas do trabalho e da vida de mulheres. O mesmo se passa com os lugares de topo e cargos de chefia em muitas profissões da administração publica e no privado. São muitas as que confirmam em entrevistas e debates que no domínio da ciência, da técnica e da política, a evolução tem sido demasiado lenta. Às vezes parecem espantadas face aos números que traduzem uma realidade que não conheciam. É por isso que vale a pena lembrar. A realidade ainda é muito dura para as mulheres.

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A pandemia obrigou a evidenciar desigualdades, abusos de poder, assédio, pressões sobre os ritmos de trabalho, carreiras bloqueadas. Veio revelar debilidades nas famílias e novos problemas sociais. Revelou fragilidades no funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, na escola pública, nos serviços sociais de apoio e na acção social e educativa. Veio mostrar a indesmentível carência de profissionais de saúde que, mal pagos têm fugido do SNS, e nos demais serviços onde a maioria são mulheres.  Não é, pois, de estranhar que sejam elas quem carrega a depressão, a ansiedade, o desgaste e a exaustão.

Para que haja uma mudança urgente no rumo das desigualdades de género é preciso que as mulheres não calem a sua voz, unam vontades e mostrem a sua indignação. Nada na vida se transforma sem a palavra, a presença e o clamor das mulheres.

O MDM sempre estimulou as diferentes formas de participação das mulheres, nas artes, na cultura, no desporto. O confinamento sanitário obrigou a várias adaptações na sua atividade, mas não impediu a luta nem a manifestação de opiniões. Não impediu reivindicações e denuncias de arbitrariedades, ofensas e maus-tratos.

No dia 13, o MDM marcou encontro na rua em Lisboa, em segurança e distanciamento. Foram centenas de mulheres que acorreram aos Restauradores denunciando injustiças tal como tinham feito no anterior domingo no Porto. Foi uma Manifestação Nacional de Mulheres para assinalar o 8 de março – a dois tempos – e ambos com energia e vitalidade. Em ambas as iniciativas se disse que a pandemia não pode permitir o incumprimento dos direitos das mulheres. A força coletiva das mulheres nas ruas ou no mundo virtual não deixa dúvidas. Elas não se calam. Mostraram-se decididas para continuar a cantar, a escrever, a pintar, a reivindicar e a lutar por um mundo de igualdade, mais justo e seguro.

 

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