17 Abril 2021, Sábado
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Entre a rua e o país, vai o passo de um anão

Frederico Rosa, presidente da Câmara Municipal do Barreiro desde 2017, escreveu um artigo de opinião – O tempo é de continuar a dar respostas (DN, 22/02/2021) – que não resiste ao confronto com a realidade. Alguns dos argumentos expostos são surpreendentes, senão mesmo paradoxais, para quem, como eu, viveu toda a sua vida no Barreiro e tem acompanhado a vida política local.

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Quando enfatiza a “importância de nos mobilizarmos todos para o essencial” ou a necessidade de “somar vontades e recursos para construir respostas” pois, remata, “é tempo de somar, de continuar a dar respostas, por muito que alguns se entretenham a subtrair”, Frederico Rosa, apresenta-se como paladino do diálogo e da união. Não podíamos estar mais distantes da realidade.

Desde 2017, que não tem feito outra coisa senão hostilizar todos aqueles que, individual ou coletivamente, questionam as suas opções, que recomendam prudência ou exigem maior ponderação e sensatez, ou que apenas solicitam esclarecimentos sobre processos que têm sido, nas mais das vezes, conduzidos de forma atabalhoada e confusa. Embora, como resulta claro da leitura desse artigo, a sua acrimónia se projete sobre todos aqueles que ousam questionar as suas opções políticas, o alvo preferencial é a CDU, tanto pela sua importância histórica no quadro autárquico do Barreiro como pelo facto de, porventura, constituir a única força política credível enquanto alternativa.

Infelizmente, não há diálogo que resista quando se promove e cultiva um anti-comunismo primário que envergonha qualquer democrata, quando sistematicamente se manipula ou apaga a memória. Contrariamente ao que agora defende, Frederico Rosa, alicerçando-se num discurso populista, que cavalga o espírito do nosso tempo, não tem feito outra coisa senão destruir pontes e cavar trincheiras. É ele que tem aproveitado o momento para aprofundar divisões e agitar as redes sociais. Felizmente, não são poucos aqueles que, no Barreiro, se começam a aperceber de que muito daquilo que se diz e faz tem a solidez de um castelo de cartas.

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Para Frederico Rosa, “mais do que nunca, o importante é ser parte da solução, ir além do mero protesto inconsequente ou da reivindicação sem os pés no chão da realidade concreta”. Mas, pergunto: de que realidade concreta estamos a falar? Será da Quinta do Braamcamp, um dos poucos espaços verdes existentes na parte mais densamente urbanizada do concelho do Barreiro, agora entregue à voragem da especulação imobiliária por iniciativa do executivo que lidera? Serão os “cheques em branco” para a regeneração do Barreiro Velho que justificaram o endividamento do município para níveis insustentáveis, sem que se conheçam quaisquer projetos, detalhes ou conteúdos? Tratar-se-á, porventura, da estafada aposta no empreendedorismo e nas incubadoras de talentos que, uma e outra vez, se tem revelado um logro, incapaz de promover o desenvolvimento de atividades económicas robustas e com impactos substantivos no território? Ou será que estamos a falar da célebre roda gigante sobre o rio Tejo, grande bandeira do programa eleitoral com que o PS Barreiro se apresentou às últimas eleições autárquicas, que, até ao momento, teima em não passar de uma distante miragem? Qual é, afinal, a realidade concreta de que fala o atual presidente da Câmara do Barreiro?

Por último, adverte Frederico Rosa, aparentemente pairando sobre uma realidade que pretende observar com total neutralidade e distanciamento, é importante evitar “recaídas para um deriva de divisão ou para manobras de apego inconsequente às ideologias, em que as pessoas estão num segundo plano”. Na senda de muitos outros apologistas do extremo-centro, prosélitos do fim da história, evangelizadores do pensamento único, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro foge da ideologia como o diabo da cruz. Sem frango, nem arroz, nem a panela, o autarca barreirense prossegue o seu caminho, sem rumo, sugerindo que a ideologia é algo que conspurca o exercício do poder autárquico, ao invés de o qualificar, conferindo-lhe um sentido.

Numa coisa estou inteiramente de acordo: o foco tem de ser nas pessoas e nos territórios. Contudo, sugerir que se deve dar continuidade a algo que, verdadeiramente, nunca começou – a construção de respostas – não passa de uma manobra pré-eleitoral levada a cabo por alguém que sabe que 2021 pode ser um ano de viragem.

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