14 Abril 2021, Quarta-feira
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Quando o vento sopra: Da urgência de repensar o futuro

Sai-se à rua, avistam-se silhuetas furtivas, um vento agreste e chuva fustiga-nos o rosto. Assim todo dia. O confinamento parece decretado pela natureza. Num destes dias encontrei um vizinho singular, regra geral bem-disposto, enquanto tentava fumar um cigarro, a máscara no queixo, que me disse que lhe apetecia matar o luar. Fixei o olhar naquele rosto inexpressivo e não perguntei porquê. Saudei-o apenas com um sorriso como era de uso, acenando a cabeça e segui em frente.

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E, no entanto, a incerteza que atapeta o nosso espírito, tem de ter uma resposta, algo que aponte um rumo que nos desperte do presente, que não passa de um agora reprimido. Errático que seja, há que delinear o futuro, saltar o agora que nos oprime, e imaginar avenidas largas que façam sentido. É o que faz quem procura fixar cenários que sabe frágeis, falíveis, mas necessários.

O que se antevê a curto ou médio prazo, controlada a pandemia (e esse facto constitui para todos os cientistas ou historiadores um dado adquirido, mais cedo ou mais tarde) não será necessário ter dons de pitonisa ou ser Bill Gates para adivinhar que o mundo virtual vai acentuar drasticamente a sua influência, quer no trabalho, na saúde, na escola. E que para tal o software vai evoluir vertiginosamente respondendo às novas necessidades. O imobiliário ligado aos grandes escritórios situados nos centros das grandes cidades tenderá a ter uma menor procura, pois o teletrabalho (pelo menos parcial) veio para ficar, o que libertará espaços e ajudará, com uma adequada política pública, a descongestionar de automóveis os centros das cidades. Haverá ocasião para criar novas centralidades e, até, para a renovação do país interior, que foi redescoberto durante os vários meses da duração da primeira onda da pandemia. O afastamento interpessoal induzido pelo trabalho remoto, acabará por alterar os padrões de socialização. E, pelo menos, durante um período ainda largo – até que a vacina ajude a erradicar a epidemia no mundo inteiro, e não apenas nos países ricos – as coisas não voltarão ao normal.

E essa pandemia intrometeu-se na narrativa da inevitabilidade das alterações climáticas e nas medidas que o Acordo de Paris aprovou para 2050. A redução das emissões de carbono para os níveis fixados são uma meta possível, mantendo os países ricos a actual qualidade de vida? Como acomodar os milhões de habitantes de alguns dos países mais populosos do mundo, como a India, o Brasil e o México, cujos habitantes estão longe de poder prover os seus habitantes de serviços básicos? Não basta reduzir o consumo dos países ricos, defende Bill Gates, é preciso ter presente que o que se exige é multiplicar por “zero emissões”. Zero emissões significa que tem de se olhar para todas as áreas, e os automóveis e a electricidade representam apenas cerca de 1/3 do problema. Faltam pouco mais de 29 anos, teremos de evocar o vizinho a quem lhe apetecia matar o luar?

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Arlindo Mota
Presidente da Uniseti
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