20 Janeiro 2022, Quinta-feira
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Arsenal do Alfeite, para que te quero?

Em Maio deste ano o Ministro da Defesa esteve no Parlamento e respondeu a perguntas do Bloco de Esquerda sobre o Arsenal do Alfeite. Numa década, a 4ª exoneração da Administração do Alfeite e a nomeação da 5ªa Administração foram feitas em nome de promessas de futuro, de investimento e de aposta numa escola de formação que sempre foi a melhor aposta do estaleiro.

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Alguns meses depois, o Ministro voltou ao Parlamento para ser confrontado com a realidade: depois das promessas, a grande novidade no Alfeite em 2020 foi o susto dos trabalhadores ao saber que o subsídio de natal estava atrasado. Pior, o pagamento dos salários de janeiro, fevereiro e março de 2021 estariam em risco.

A dúvida tinha sido confirmada pelo Conselho de Administração no Parlamento semanas antes “dadas as práticas vigentes a que nós assistimos na contratualização entre a Marinha e o Arsenal, não antevejo como minimamente possível a liquidação dos vencimentos, sem uma dotação financeira que aguardamos a todo o momento que ocorra”, disse o Presidente, que chegou a admitir que temia pelo futuro do Arsenal.

Aqui vale a pena fazer um historial. Em 2009, o Arsenal do Alfeite foi extinto e transformado em Arsenal do Alfeite S.A., sociedade anónima de capitais públicos, pelo acordo de PS e PSD, com o pretexto de ampliar o número de potenciais clientes, tanto a nível nacional como internacional, e de desenvolver o negócio com vista à sua modernização.

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No entanto, os resultados destes últimos onze anos não foram positivos. Desde então, este estaleiro de fundamental importância histórica e estratégica para o país, que se destacou por largos anos na construção, reparação e manutenção naval, foi perdendo centenas de trabalhadores qualificados, o seu maior patrimônio. O encerramento da sua Escola de Formação foi o princípio do fim.

A exoneração de mais uma Administração do Arsenal do Alfeite pelo atual Ministro da Defesa, justificada pela necessidade de implementação de “um novo modelo de gestão”, trouxe esperança. Curiosamente, todas as Administrações predecessoras afiguravam-se enquanto impulsionadoras de “um novo modelo de gestão”, disponibilizando-se a promover “investimentos” e “modernizações”. Lamentavelmente, todas elas acabaram por não conseguir evitar a descapitalização e destruição da empresa.

De facto, a replicação e perpetuação de “novos modelos de gestão” para o Arsenal do Alfeite têm sido o reflexo mais evidente do despreparo e falta de norteamento estratégico dos vários governos que têm vindo a reger os destinos do ramo da Defesa e do setor da construção naval na última década.

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Felizmente, os salários em atraso foram pagos no passado dia 15 de dezembro, último dia de limite legal, mas o futuro permanece incerto.

O estaleiro do Alfeite não é apenas uma parte da história, é ainda uma mais-valia no património produtivo da margem sul. As competências adquiridas pelos arsenalistas ao longo de décadas, transmitidas de geração em geração, aperfeiçoadas pela experiência, não podem ser desperdiçadas, são um ativo do país.

O Arsenal pode ter uma vocação produtiva nacional e internacional inovadora que ultrapassa muito a indústria da defesa. O Arsenal do Alfeite tem uma capacidade formadora de mão-de-obra especializada que um país virado para o mar não pode desperdiçar. Mas está a fazê-lo.

Este país e esta região precisam do Arsenal do Alfeite para afirmar a sua indústria de ponta. E o Alfeite precisa de investimento como do pão para a boca. Portanto, Arsenal do Alfeite para quê? Para cumprir um interesse nacional estratégico.

Nota final: dedico este artigo e todas as minhas intervenções sobre o Arsenal do Alfeite a todos os arsenalistas. Em especial ao Pedro Oliveira, ao Fernando Cruz e ao arsenalista que mais me ensinou sobre a integridade da luta dos trabalhadores, Luís Filipe Pereira.

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