1 Dezembro 2021, Quarta-feira
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InícioOpiniãoVItória: 110 anos de amor a Setúbal não podem acabar em indiferença

VItória: 110 anos de amor a Setúbal não podem acabar em indiferença

O Vitória bateu no fundo e, como no poema de Sebastião da Gama, “nem homens cortaram as veias nem o Sol escureceu”

Se é verdade que pouca coisa de relevante se faz sem paixão não pode haver dúvida de que 110 anos de Vitória são também a história de um grande amor. Da cidade pelo clube, do clube pela cidade, de dirigentes generosos e sócios apaixonados, de atletas transpirados e funcionários dedicados.

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Esta portentosa relação de afectos, cimentada num sonho colectivo e em gloriosas conquistas, curtida também com o sofrimento conjunto nas derrotas e outras frustrações, não pode acabar em indiferença.

O Vitória atravessa a pior fase da sua história e, em demasiados aspectos, é como se nada fosse. Parece, como escreveu Sebastião da Gama no Pequeno Poema a sua mãe, que nada aconteceu: “Ficou tudo como estava, / nem homens cortaram veias, / nem o Sol escureceu, nem houve Estrelas a mais… / (…) As nuvens não se espantaram, / não enlouqueceu ninguém…”.

A generalidade das instituições – algumas com enorme responsabilidade moral relativamente ao caminho que o clube trilhou nas últimas três décadas –, assim como a grande maioria das empresas, não dão mostras de quererem estender a mão ao Vitória. Até os sócios, primeiros responsáveis deste drama, parecem continuar mergulhados na mesma inconsciência colectiva que nos trouxe até aqui.

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Sabemos que o amor existe e que a cidade e a região, com toda a certeza, estão disponíveis para ajudar o clube a erguer-se. No entanto, passados quase quatro meses, Setúbal ainda não deu o grito da dor e muito menos o abanão da revolta. A onda de fundo, que nos pode animar, permanece adormecida e muitos, que têm condições e obrigação de espolectar a acção, continuam a fingir que não percebem, para que não se perceba esse seu dever.

É certo que compete ao Vitória provocar esse arrepio – e que os sócios dão mostras de não o saberem sequer necessário, de tão cegos que andam em guerras estéreis e ilusões permanentes -, mas a verdade é que alguns, poucos mas com muito poder, defendem a tese de que o Vitória já vale pouco. Que a influência social, económica e política do vitorianismo deixou de ser relevante. Segundo esta doutrina, os políticos não precisam de erguer esta bandeira, os empresários não colhem reconhecimento ao ajudar o clube e o cidadão comum pouco perde com o fim do Vitória.

Esta teoria é falsa, mas, para o demonstrar com proveito para o clube, os sócios têm de mostrar que estão atentos, que exigem responsabilidades a quem deve e que sabem premiar quem merece.

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