Afonso Belo foi morto a 20 de maio. Teve as mãos amarradas atrás das costas, deitado na banheira, e foi esfaqueado no pescoço com um “objeto cortante” objeto ainda não apurado
Uma mulher e dois homens, com idades entre os 31 e 32 anos, ficaram em prisão preventiva indiciados pelo homicídio de Afonso Belo, homem de 44 anos, funcionário da autarquia que trabalhava como porteiro no Mercado Municipal da Conceição.
A mulher queria a guarda da filha que tinha com Afonso e com ela, o património da vítima, devido à menor em herança. Os arguidos que cometeram o crime, os dois homens, foram ainda detidos por sequestro, visto que na casa da vítima, amordaçaram uma mulher que não sabiam estar em casa.
A Polícia Judiciária (PJ) de Setúbal deteve os três suspeitos – sendo que os dois homens estavam ainda indiciados da prática de um crime de sequestro agravado – pelo crime cometido a 20 de maio de 2026.
O crime foi planeado pelo casal com algum tempo. Ao que foi possível apurar, o motivo do crime tinha dois passos. O primeiro seria a suspeita assegurar a guarda da filha que tinha em comum com Afonso, o segundo seria a herança da vítima, que tinha património, como algumas casas. Estas seriam entregues à filha da suspeita, que estaria à sua guarda e ficariam assim ao dispor do casal.
A PJ apurou que a vítima e a ex-companheira tinham-se separado há cerca de cinco anos e discutiam frequentemente pela responsabilidade parental da menina, que estava entregue ao pai. Já com o novo companheiro, a arguida planeou o homicídio de Afonso. Recorreram a outros dois cúmplices para ajudar na execução do crime e por vários dias estudaram a rotina de Afonso Belo, que era funcionário da autarquia e trabalhava como porteiro no Mercado Municipal da Conceição.
Ao chegar a casa pelas 16 horas, na hora da pausa do trabalho um quinto andar no Lote 3 Rua Lúcia da Encarnação Maracoto, no Bairro Afonso Costa, Afonso foi surpreendido por três suspeitos, encapuzados, que o forçaram a entrar em casa. Estes foram surpreendidos com a presença de uma mulher, que estava na sala de estar de casa e com quem eles não contavam. Tratava-se da companheira de um colega de casa de Afonso que estava no local errado à hora errada. Esta tentou fugir e foi sequestrada, amordaçada e amarrada, impedida de fugir.
Os suspeitos levaram Afonso para a casa de banho, deitaram-no na banheira, com as mãos amarradas atrás das costas com abraçadeiras e esfaquearam-no no pescoço, acabando este por falecer. A testemunha, que tentou fugir, ficou amordaçada até que o seu companheiro entrou em casa, já sem os homicidas no local, perto da hora de jantar. Para encobrir o crime, os suspeitos reviraram o quarto da vítima, simulando uma tentativa de roubo.
Assim, e por existir “perigos de fuga, perturbação do decurso do inquérito, continuação da atividade criminosa e perturbação grave da ordem e tranquilidade públicas”, os suspeitos ficaram em prisão preventiva, refere o Ministério Público em informação publicada no site oficial.
A investigação vai prosseguir entre o DIAP de Setúbal e a PJ.
Notícia atualizada às 18h30 de 14 de outubro de 2026